Bi mundial alivia pressão, e Scheidt prevê águas tranquilas até Londres
Campeão ao lado de Bruno Prada, velejador acredita que título em Perth dará à dupla a possibilidade de trabalhar melhor o barco até os Jogos Olímpicos
Na chegada a Perth, o susto. Com quatro mastros do barco escolhido para o Mundial quebrados, Robert Scheidt e Bruno Prada precisaram correr contra o tempo. Importaram novas peças da Itália e tentaram chegar ao melhor acerto possível. O início não foi dos melhores, mas a dupla da classe Star cresceu durante a disputa e fecha 2011 com o 11º títuloem 13 competições. Além da motivação natural de qualquer conquista, o bicampeonato - foram campeões também em 2007, em Cascais – ajuda a aliviar a pressão no caminho para os Jogos de Londres, em 2012.
- Acho que esse título tira um pouco da nossa pressão de ganhar os eventos até Londres. Ganhamos muito esse ano, inclusive a competição mais importante, que era o Mundial. Agora, podemos nos preocupar mais com o barco. Não só com a performance, mas com a parte técnica do barco daqui adiante. Às vezes, preferimos preservar algumas coisas, sem arriscar alguns acertos, para privilegiar a performance. Um título desses nos deixa tranquilos, mostra que podemos brigar contra qualquer dupla. Temos sete meses para nos preparar – disse Scheidt, ainda na Austrália, por telefone.
Para Scheidt, o problema com os mastros antes do início da competição foi o principal desafio em Perth. A capacidade de adaptar o planejamento, no entanto, surge como ponto positivo depois de um ano sem nenhuma outra grande dificuldade técnica.
- Esses mastros são peças fundamentais, já estavam prontos, acertados para o barco. Tivemos de treinar com mastros emprestados. Os novos chegaram só três dias antes da competição. Foi um correria. Na verdade, não conseguimos tirar tudo do barco. Mas foi importante. Acho que mostrou que temos um bom poder de adaptação, conseguimos preparar outro mastro em um espaço muito curto. Foi um susto quando chegamos à Austrália, e um país tão longe. Mas, mesmo limitados, ainda conseguimos ir bem, brigar de igual para igual. Não estávamos ente os mais velozes, mas tivemos uma média muito boa. Isso ajudou.
Bicampeão olímpico e com outros nove títulos mundiais no currículo, Scheidt está acostumado a conquistas importantes. O velejador, porém, ressalta o peso que a vitória em Perth tem no caminho até os Jogos de Londres.
- Não é o titulo mais importante, até por conta das conquistas olímpicas. Mas com certeza é uma das conquistas mais importantes da carreira. Ganhamos o Mundial em 2007 e tivemos altos e baixos desde então. Não tivemos anos muito bons em 2009 e 2010. Mas terminar um ano com tantas conquistas e vencer um Mundial em que estava praticamente todo mundo é especial. São poucos bicampeões na Star também. Estamos satisfeitos. Cada evento é um desafio grande preparar bem para Londres.
Em Perth, Scheidt e Prada garantiram a vaga brasileira em Londres, mas ainda vão precisar confirmar a ida para as Olimpíadas na seletiva nacional. O planejamento, no entanto, não vai mudar depois da conquista.
- O planejamento vai continuar igual ao que já tínhamos traçado para Londres. Foi nosso primeiro passo, agora teremos a seletiva nacional. Além disso, fizemos uma avaliação técnica, dos equipamentos para os próximos eventos. Temos que levar tudo isso para frente.
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