Petrolina aposta em ex-coveiro como atacante
(Foto: Tiago Medeiros / GloboEsporte.com)
Jovem de 17 anos é a aposta do clube sertanejo para fazer frente aos grandes do Recife, no Campeonato Pernambucano
Basta um passeio rápido pelas ruas e avenidas de Petrolina para uma certeza saltar os olhos: a cidade, às margens do rio São Francisco, tem totais condições de firmar com uma referência do futebol no Estado. Geograficamente e economicamente pronta. Falta ‘apenas’ se estruturar dentro de campo.
Pelo segundo ano consecutivo o município de 300 mil habitantes terá um representante na elite pernambucana, o Petrolina Social Futebol Clube. Oitavo lugar no campeonato do ano passado, a Fera Sertaneja fareja uma vaga na Série D do Brasileiro, que garantiria ao clube uma temporada completa e a ponte para tal é o Pernambucano.
- Estamos confiantes que vamos conseguir. Tanto que fechamos nossos contratos de patrocínio por seis meses com a automática renovação por um ano quando nos classificarmos às semifinais. Temos estrutura e torcida para isso – explica Marconi Prazeres, diretor do clube.
Torcida que chega junto
É na força da torcida, que a diretoria do Petrolina também escora sua crença numa boa temporada.
O estádio municipal Paulo Coelho tem capacidade para seis mil lugares e costuma ficar lotado nos jogos do time da casa. Chama atenção o envolvimento do público jovem, que até torcida organizada criou e é presença constante nas partidas da equipe. O que foi comprovado pela reportagem, quando quase três mil torcedores acompanharam um simples jogo treino contra o Juazeiro-BA.
Jacuba para aliviar o calor
A temperatura média esta época do ano, no Sertão, é acima dos 30º e nem mesmo o 'velho Chico' é capaz de aliviar o clima quente. Antes dos treinamentos os jogadores passam por um ritual: benzutar o rosto de protetor solar.
- O sol é cruel. Se não passar, é uma pele por semana. Tem que se cuidar - é o que diz o lateral Jeffinho, que gasta um tubo de protetor a cada mês.
Após os treinamentos a hidratação também recebe atenção especial. Aí é que entra em cena Seu Barnabé, funcionário do clube, e responsável pela elaboração de um 'coquetel' que mata a sede e repõe as energias, a jacuba.
A receita é simples: suco de limão hiper-gelado com rapadura.
- Qualquer cristão levanta depois de beber um saquinho desse aqui. Duro é dormir depois. O sujeito fica ligadaço - garante Seu Barnabé.
Acreditando na força da molecada
Com uma folha de R$ 90 mil mensais, onde o maior salário é de R$ 6 mil, a equipe é comandada pelo experiente Pedro Manta, que montou um grupo, predominantemente, jovem com oito atletas promovidos das divisões de base.
- Temos uma molecada muito boa. Jogadores com potencial, que buscam se consolidar no mercado e que vão surpreender, pode anotar – confia o treinador Pedro Manta, que aposta em um nome como revelação do Pernambucano.
- Alex Sandro! Os dois nomes separados. Tenha certeza que esse moleque vai roubar a cena – aposta.
Um atacante ‘destemido’
Descoberto em uma peneira promovida pelo auxiliar-técnico Henrique Rocha, irmão do tetracampeão mundial Ricardo Rocha, Alex Sandro, de apenas 17 anos, mal treinou nos juniores e já subiu para o profissional. O atacante prometesse destacar no Petrolina dentro de campo e não só fora dele como já vem acontecendo.
O jogador é um dos mais conhecidos do grupo, mas não ainda pelo futebol e, sim, por um apelido, digamos, não muito convencional.Basta perguntar por Alex Sandro para qualquer colega do elenco que a resposta é imediata:
- Alex Sandro, o ‘coveiro?’
Apelido justificado no passado recente do jovem, que ajudava a mãe, dona Maria de Lourdes, como auxiliar de coveiro no cemitério municipal, no bairro Henrique Leite.
- Sempre que minha precisava, eu ia pra lá dar uma ajuda a ela, porque o trabalho é muito puxado. Eu cuidava da arrumação das covas, aguava as plantas, organizava as coisas – lembra Alex Sandro, que oferecia ajuda com toda boa vontade, mas com uma condição:
Eu nunca trabalhava à noite. Durante o dia eu não tinha medo, mas a noite eu não passava nem perto. Tá doido!
Torcedor do São Paulo, o jovem sonha em breve vestir a camisa do Tricolor do Morumbi. Ídolo no futebol? O mais previsível entre os jovens: Neymar, do Santos.
- O que ele faz com a bola é brincadeira. Neymar ‘tira onda’, joga demais.
Alex Sandro não esconde as origens, mas também não nega a vontade de ‘enterrar’ o passado e tão somente ser lembrado pelo futebol.
Alex Sandro não esconde as origens, mas também não nega a vontade de ‘enterrar’ o passado e tão somente ser lembrado pelo futebol.
- Quero muito em breve ser conhecido pelo o que eu faço em campo e não o que eu já fiz no cemitério. Não me envergonho, valorizo de onde vim, mas chamar atenção com meus gols e dribles – assim espera o jovem, que tem outros cinco irmãos e mora no mesmo bairro onde fica o cemitério.
Alex Sandro garante que este será o ano da sua vida e não teme ser ‘atazanado’ pelos zagueiros adversários.
- Moço, eu trabalhava num cemitério, convivia com o ‘povo tudo morto’, vou lá ter medo de gente viva. Vou partir pra cima.
- Moço, eu trabalhava num cemitério, convivia com o ‘povo tudo morto’, vou lá ter medo de gente viva. Vou partir pra cima.
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