sábado, 7 de abril de 2012

NÃO VAI ADIANTAR NADA


Violência no futebol: cadastrar para quê?

Levantamento das torcidas organizadas pode não ser a melhor estratégia

 Diario de Pernambuco


Enquanto boa parte das autoridades assiste passiva, as cenas de guerra se repetem. Nos dias de jogos de futebol, marginais uniformizados se multiplicam em busca de briga. Na última quarta-feira, torcedores de Sport entraram em conflito com seguidores do Paysandu nas arquibancadas do Mangueirão, durante a partida válida pela Copa do Brasil. No final do mês passado, dois torcedores ligados à Mancha Alviverde, do Palmeiras, morreram após confrontos com integrantes da Gaviões da Fiel, do Corinthians. Durante a semana, a Fifa divulgou um levantamento que aponta 1,5 mil mortes decorrentes da violência no futebol desde 1971 até dezembro do ano passado.

Fatos lamentavéis que se somam enquanto o Brasil não encontra a fórmula ideal para combatê-los, a dois anos da Copa do Mundo. Pior, visto como a salvação para dizimar esse distúrbio social, o cadastramento dos torcedores ainda nem saiu do papel e já tem a validade questionada por algumas autoridades. Apesar disso, Pernambuco, segundo o presidente da federação de futebol local, estaria perto de se tornar o estado pioneiro no país a ter um levantamento do tipo.

De acordo com o juiz titular do Juizado Especial do Torcedor de Pernambuco (Jetep) Aílton Alfredo, a iniciativa tardia terá um efeito limitado no combate à violência. Com à experiência de quem está a frente da entidade desde a fundação, há seis anos, ele acredita que o cadastro não conseguirá abranger o principal foco: os marginais.

“Na prática, o cadastro vai apenas fazer o controle dos que vão ao estádio. Não vai cobrir as galeras que se dispõem a brigar. Estou certo de que essa parte não vai dar os dados pessoais e ninguém pode ser compelido a se cadastrar porque é inconstitucional. Então, vamos ter um cadastro subestimado”, assegura o magistrado, que, em fevereiro deste ano, também assumiu a Coordenadoria dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Estado de Pernambuco.

Estratégias
Diante desse quadro, a solução seria adotar estratégia parecida com a que foi utilizada para diminuir consideravelmente o ataque dos chamados hooligans na Inglaterra. A criação de uma delegacia especializada passa a ser um ponto fundamental nesse cenário. Com ela, o trabalho de prevenção e inteligênica poderia minar a “vida fácil” dos arruaceiros.

“A delegacia tomaria atitudes específicas antes do jogo. É preciso fazer o trabalho de formiguinha, de investigação, para identificar cada torcedor que vai para os jogos com a intenção de brigar. Nós já temos calendário definido para fazer esse trabalho de prevenção. Se o Campeonato Brasileiro começa em maio, a gente já sabe os jogos e as torcidas de outros times que são interligadas por exemplo”, afirma Ailton Alfredo. “Se não se toma medidas preventivas, não se consegue prender nos dias dos jogos porque não vai ter prova suficiente”, acrescenta.

Ainda de acordo com o juiz titular do Jetep, a Secretaria de Defesa Social tem alguns estudos voltados para a criação dessa delegacia. No entanto, prazo para que ela saia do papel não existe. “O que pode acontecer é a Copa do Mundo ‘forçar’ a criação dessa delegacia”, finaliza.

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