Caras iguais. Já as camisas...
Irmãos gêmeos mostram que, quando o assunto é futebol, paixão não obedece à genética
JC online
Irmãos gêmeos normalmente têm muito em comum. Além de serem muito amigos, foram criados juntos, dividindo segredos e paixões. No entanto, no caso de Eduarda e Edyellem e de Danilo e Diogo, quando o amor por dois times pernambucanos aperta, as duplas são obrigadas a se separar na hora da torcida. É o que vai acontecer com eles hoje, no Clássico das Multidões.
Amigas inseparáveis, as gêmeas Eduarda e Edyellem Mangueira, de 26 anos, dividem tudo, do quarto até o guarda-roupa, e só divergem na escolha do time do coração. A primeira, rubro-negra doente, como ela mesma diz, não se deixou influenciar pelo pai tricolor e puxou à mãe, torcedora do Sport. “Desde pequena, meu pai tenta me convencer. Já ganhei muitas camisas do Santa Cruz, mas nunca cedi”, conta Eduarda. A segunda, que se encantou pela imensidão do Arruda e pela torcida coral de cara, admite que a rivalidade entre as duas começou e que só acaba com o fim do Pernambucano e com a vitória coral. “Nenhuma fase ruim tirou minha vontade de torcer pelo Santa Cruz”, afirma Edyellem.
As meninas, que nunca brigaram por causa dos times, apostam nos principais ídolos tricolores e rubro-negros na decisão. Por um lado, Renatinho e Dênis Marques fazem gols. Por outro, o zagueiro Tobi anula o artilheiro coral e Marcelinho Paraíba coloca a bola na rede adversária.
Enquanto a leonina ressalta os feitos do Sport nos últimos anos, a tricolor emenda com uma provocação sobre a final do ano passado. “Os rubro-negros vão tremer novamente quando virem a torcida mais fiel do mundo no Arruda”, brinca Edyellem. No entanto, a confiança de Eduarda indica que o Leão da Ilha vai fazer a festa dentro e fora de casa. “O bicampeonato do Santa Cruz vai ficar só no sonho”, rebate.
No final da conversa, as duas saem sorridentes e confiantes. “Independente do resultado, estaremos juntas na alegria e na tristeza”, ressalta a tricolor.
Com os irmãos Danilo e Diogo Gomes, a história é parecida. Apesar de a família toda torcer para o atual campeão pernambucano, Danilo é rubro-negro convicto desde os seis anos de idade. A ironia é que o pai dos gêmeos, mesmo sendo tricolor, foi o responsável pela escolha do filho “rebelde”. “Quando ele me levou para um Clássico das Multidões no Arruda e o Sport goleou por 4x1, descobri para quem eu deveria realmente torcer”, conta Danilo, que ainda foi apresentado à energia da Ilha do Retiro pelo tio leonino. Já Diogo, apaixonado pelo clube da Avenida Beberibe desde sempre, viu no estádio, no time e na torcida coral motivos mais do que suficientes para preferir o Santa Cruz.
Os meninos, de 24 anos, trabalham juntos no aeroporto, o que gera uma diária confusão. “Todos os dias somos confundidos. O engraçado é que ninguém sabe qual dos dois torce para o Sport, qual dos dois torce para o Santa”, afirma Diogo. Danilo lembra o dia da final do ano passado, quando o tricolor derrotou o rubro-negro em casa e sagrou-se campeão estadual. “Foi difícil aguentar meu pai, minha mãe e meu irmão. Mas, este ano, tem revanche, o Santa Cruz é freguês”, provoca o leonino.
Unidos, eles ressaltam que nunca brigaram sério por time algum e que ir ao estádio torcer é uma brincadeira sadia, onde não tem lugar para violência. “As torcidas podem viver em comunhão, assim como eu e Diogo”, completa Danilo.
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