quinta-feira, 12 de julho de 2012

FIFA - PROPINODUTO SUL- AMERICANO


Fifa afirma que suborno faz parte do salário dos sul-americanos


Documentos estão sendo usados para mostrar a disposição da entidade em lutar contra a corrupção

Agência Estado

GENEBRA (Suíça) - Advogados da Fifa insinuam que a maioria da população de países sul-americanos e africanos é corrupta. Justificaram perante a corte suíça o comportamento de Ricardo Teixeira e João Havelange com o argumento de que o "pagamento de subornos pertence ao salário recorrente da maioria da população" nos países da "América do Sul e da África". Os documentos revelados pela Justiça suíça estão sendo usados pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, para mostrar a disposição da entidade em lutar contra a corrupção.
A mesma Justiça decidiu poupar Blatter, proteger seu nome e dos demais envolvidos. Mas, pela participação da Fifa no processo, fica claro que a atual administração da Fifa defendeu os brasileiros e usou argumentos que indicariam que a corrupção é generalizada nesses países e envolveria a "maioria da população".
A entidade insistiu que não via a necessidade de que os cartolas brasileiros devolvessem o dinheiro da propina recebida, dizendo que o que eles fizeram poderia ser imoral, mas não seria um crime. O tribunal rejeitou o argumento da Fifa, alegando que a entidade teve um real prejuízo financeiro.
Em um esforço de justificar a dificuldade em receber o eventual dinheiro do suborno de volta, os representantes legais da Fifa alertaram aos procuradores que dificilmente o recuperariam, já que o suborno faria parte da renda da população nesses países.
Na quarta-feira (11/7), porém, a atitude da Fifa era bem diferente. A publicação da informação é parte de uma guerra pessoal de Blatter contra os cartolas brasileiros. Pressionado a reformar a Fifa, o cartola usou justamente seu ex-chefe, Havelange, e seu ex-rival, Teixeira, para mostrar que está atuando para acabar com a corrupção.
A Fifa emitiu um comunicado em que se dizia "satisfeita" com a decisão. E não deu indicações do que poderia ocorrer a partir de agora.
Blatter não disse que por anos pagou advogados para impedir a publicação da informação, enquanto insistia que o caso estava encerrado. Blatter ainda foi por anos o braço direito de Havelange na Fifa e deve seu cargo atual ao brasileiro. Mas seu nome não aparece nos documentos oficiais.
Para o Conselho da Europa, não há como pensar que Blatter não sabia da existência do esquema. Ricardo Teixeira e João Havelange recebiam parte de seu salário na Suíça, pagos pela Fifa.

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