Cada um por si
Jogadores do Sport falam em primeira pessoa para garantir empenho na reta final da Série A
Contrariando a lógica do esporte, que é em sua essência coletivo, o futebol na Ilha do Retiro passou a ser conjugado na primeira pessoa do singular. Após a 14ª derrota do time na Série A, jogadores apontados como líderes do elenco rubro-negro, como o volante Tobi e o atacante Felipe Azevedo, evitaram falar no pronome “nós” quando o tema era acreditar que o Sport ainda tem chances de escapar do rebaixamento. Optaram, em geral, pelo “eu”, um sinal de que nem todo mundo que está vestindo a camisa rubro-negra acredita no discurso pré-fabricado de esperança e entrega em campo até o último suspiro, repetido coletivamente nas últimas rodadas.
Na situação delicada do Sport, qualquer palavra pode ser interpretada como desistência. Apesar de não ser de total absurdo se algum atleta tivesse coragem e, após tomar um chá de realidade – sem adoçante nem açúcar, de preferência -, dissesse o que realmente pensa. Longe disso. A preocupação, nas palavras, é evitar ser taxado como o primeiro a “jogar a toalha”. Mesmo que as ações sejam contrárias ao discurso esperançoso e as palavras não convençam a mais ninguém.
Nem mesmo, talvez, os próprios companheiros. Quem sabe por isso, no treino de ontem pela manhã, após a vexatória derrota em casa para o Grêmio no dia anterior, dois dos atletas que são excluídos das críticas pela torcida preferiram não enganar. Trocaram o surrado “nós” pelo “eu”. “Falo por mim: eu vou lugar até o fim. Enquanto tiver chance”, disse o Tobi, que retorna de suspensão automática diante do Atlético-MG. “Por mais que as pessoas não acreditem, eu acredito. O que eu tiver de positivo vou passar aos companheiros. Enquanto tiver matemática, vou acreditar. Ano passado todo mundo falava que não ia dar e deu.”
Pouco mais de doze horas depois de ter perdido mais vez em casa, o atacante Felipe Azevedo foi sincero. Admitiu que está abalado pelo momento do clube e, assim como Tobi, preteriu ao pronome coletivo em vários momentos da entrevista coletiva. “Não posso nunca jogar a toalha, nem nenhum dos meus companheiros. Enquanto tiver chance, é no mínimo entrar em campo para honrar a camisa do Sport”, afirmou ele, visivelmente abatido. “Todos os jogadores aqui têm vergonha na cara, família. É normal chegar aqui abatido, seria diferente se estivéssemos alegres hoje”, concluiu.
Diario de Pernambuco
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