quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

SPORT - QUER IR EMBORA

Chumacero: da idolatria à resignação

Jogador chegou com todas as pompas, mas não quer mais jogar no Recife / Foto: JC Imagem

ogador chegou com todas as pompas, mas não quer mais jogar no Recife


O volante que viveu um período de ídolo, na Ilha, mesmo sem jogar, torce para deixar o Sport


A história poderia ter sido outra. Comunhão total entre atleta, torcida e clube. Mas a trajetória de Chumacero, na Ilha, deve encerrar de maneira melancólica. Um ponto final fora das expectativas criadas no dia 11 de julho, quando o Sport anunciou a contratação do jogador da seleção boliviana. Pouco mais de cinco meses, Chuma é o retrato da resignação. Pediu à direção para voltar à Bolívia. Jogou oito vezes, foi ídolo do torcedor leonino antes de jogar e encerrou a relação com um sentimento de tempo perdido.
A saída de Chumacero não é simples. Ele tem um contrato de cinco anos. E o Sport quer uma compensação financeira para emprestá-lo, tudo indica para o The Strongest, onde é ídolo.
Antes do adeus, Chumacero permeou o imaginário rubro-negro motivado pelos exageros do Sport e da imprensa. Do clube, foi divulgado o complicado entendimento para contratar uma revelação boliviana – ele –, que defendia seu País nas eliminatórias sul-americanas e interessava a grandes europeus. Ao ser apresentado à torcida, antes do início da partida Sport x Avaí, foi ovacionado. A imprensa engrossou o coro de que poderia estar chegando um novo craque.
A partir dali, uma série de situações jogou contra o boliviano. Chegou machucado no Recife e o imbróglio envolvendo a negociação entre Sport e The Strongest adiaram sua estreia para o dia 20 de agosto, contra o Náutico, na Sul-Americana. Disputar uma vaga com jogadores estabelecidos entre os titulares, como Rithely, transformou-se numa luta inglória. Marcelo Martelotte, treinador à época, não conhecia Chumacero a ponto de apostar nele como a direção apostou.
Chumacero ainda deixou a Ilha por mais duas semanas para defender a Bolívia. A cada dia, estava mais distante da titularidade. Com Geninho, jogou mais. Atuou na lateral e teve um confronto fatídico. Contra o Libertad, na Arena Pernambuco, foi titular pela primeira vez, num mistão com muitos os reservas. Foi quem mais quis jogar. Mas errou demais – por querer buscar a bola e pela responsabilidade de sobressair –, dando margem à avaliações bem negativas. Foi o início do fim.
Chumacero tinha uma responsabilidade grande nas costas. Muitas vezes, queria fazer o que não podia. Isso prejudicou”, disse o técnico Geninho. Talvez quem melhor entendeu a situação do jogador, que ao menos teve chance de ambientar. Rápido e tático, poderia ser uma possibilidade no meio, no Estadual. Mas a pressão e a decepção de ter jogador pouco falaram mais alto. Não à toa, a opção maior do atleta é voltar para sua terra. Ele gosta do Recife, mas quer sentir de novo o calor dos bolivianos. Lá ele é ídolo.

JC Online


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