domingo, 13 de março de 2016

SALGUEIRO - BRIGANDO PELO TÍTULO

Sérgio China: "A cada ano, o atleta acredita mais que pode chegar mais próximo desse título"


Em entrevista ao Superesportes, técnico do Salgueiro falou sobre o atual momento do time, que lidera o hexagonal do título do Campeonato Pernambucano


A voz era de cansaço extremo. Consequência óbvia de um desgaste que se tornou rotina pra o Salgueiro. Para compreender, basta observar a agenda do Carcará. Após a vitória sobre o ABC-RN, pelo Nordestão, quinta à noite, a delegação enfrentou uma viagem de mais de dez horas de ônibus. Chegou no Sertão na manhã desta sexta. Descansa e, sábado, faz um treino regenerativo, o único antes do duelo contra o Santa Cruz pelo PE2016, domingo. Após o descanso da segunda, treino na terça e viaja para o Recife. "Quarta viajamos para São Paulo, para depois enfrentar mais 200 e poucos quilômetros para Araraquara, para jogar na quinta (contra a Ferroviária, pela Copa do Brasil). Para voltar e jogar, no domingo, em Caruaru, contra o Central... A logística da gente é difícil", completou o técnico Sérgio China. Apesar do desgaste, o treinador conversou com o Superesportes, por telefone, na manhã desta sexta-feira. Líder do Estadual, ele falou sobre o atual momento e as pretensões do Carcará para a temporada.
O Salgueiro chegou à final do Estadual em 2015. Manteve a base e vem fazendo um bom campeonato neste ano. O time está mais maduro, é líder do hexagonal. É um sinal de que o título está mais perto do time? 
Nós sabemos que o título, desde o início da competição, está mais voltado para os três grandes do Recife. Por tudo que envolve: ter um grupo melhor de atletas... Falo no sentindo de um grupo maior, com qualidade. As condições de logística são muito melhores, só saem uma vez para jogar aqui com o Salgueiro e retornam, a gente tem que sair sempre... Mas a cada ano, os atletas daqui estão acreditando mais. O primeiro passo é classificar entre os quatro. A gente sempre frisa isso: não adianta pensar em ser campeão se não classificar. A partir daí, é uma outra competição. É uma classificação de 180 minutos, para, aí sim, ir para a final. Na final é outro momento. A gente está passo a passo. É lógico que, a cada ano, o atleta acredita mais que pode chegar mais próximo desse título. Isso fortalece o grupo, mas nós sabemos que somos ainda hoje a quarta força para brigar pelo título.
O senhor falou dos problemas de logística... 
A logística nossa é muito difícil. Chegamos de Natal agora, aqui em Salgueiro, depois de dez horas de ônibus (10h da sexta-feira, aproximadamente)... A gente saiu ontem à noite (23h da quinta-feira) para jogar já no domingo contra o Santa Cruz. São situações que esses atletas estão conseguindo ultrapassar. Até mesmo pela condição que a gente está dando, de sempre estar alternando alguns atletas e até todo o grupo nos jogos.

Ia questionar isso. Observando as escalações do Salgueiro, percebe-se uma variação constante no time titular. É por conta desse desgaste?
Se você fizer um scout, todos os jogadores estão muito próximos em relação à quantidade de partidas. A gente está fazendo isso porque nossa equipe é muito equilibrada, homogênea. É lógico, sempre vai ter alguns jogadores que vão jogar mais do que outros, é normal, mas a gente está tentando utilizar sempre quem está em melhor condição de jogar. Condição física, técnica e, principalmente, emocional, porque o desgaste mental é muito grande.
Existe alguma competição que o Salgueiro está encarando como prioridade?
Não existe. A prioridade é sempre o jogo seguinte. A prioridade agora é o jogo do Santa Cruz, Vamos conversar com os atletas, ver o feedback, o que eles passam para a gente, ver quem está mais desgastado... Aí a gente vai sempre tentando montar a melhor equipe possível para cada jogo. Já pensando também na Copa do Brasil. que a gente vai entrar com uma equipe muito difícil, que se a gente não tiver um resultado bom lá também, mesmo tendo o segundo jogo, ficar difícil você tirar esse o resultado, então a gente tem que pensar em tudo.
Sobre a Copa do Brasil: o Salgueiro vai enfrentar a Ferroviária, que faz um bom Campeonato Paulista (lidera o grupo C). E um jogo, como o senhor mesmo disse, que terá uma viagem desgastante. Como encara essa partida?

É muito difícil. A Ferroviária está muito bem no Campeonato Paulista, e o nosso pensamento é fazer um resultado que nos dê condição de, no segundo jogo, buscar a classificação. Eu acho que a Ferroviária é uma equipe que está no mesmo nível ou talvez num nível acima do Salgueiro, pelas condições que estão tendo lá, a parceria com o Atlético-PR, a equipe muito bem num campeonato competitivo...
Apesar da boa campanha do Salgueiro no Estadual e na Copa do Nordeste, a torcida ainda não está lotando o estádio como fez em outras temporadas. Existe alguma razão para isso?

A torcida ainda não está acostumada a comprar ingresso, a pagar pelo ingresso. Há muitos anos que tinha o Todos com a Nota (programa que previa a troca de notas fiscais por ingressos). A torcida sempre trocava o cupom pelo ingresso e isso fez com que a torcida ficasse desacostumada a comprar ingresso.A nossa direção está até barateando os preços. Nesses dois últimos jogos, foram R$ 2 e R$ 4, mas a gente ainda viu pouca gente no estádio, infelizmente. E olhe a campanha que o Salgueiro está fazendo. Dentro do campo a gente está tentando, os atletas estão sempre se dando ao máximo para fazer com que a torcida retorne, para incentivar, para ser um fator a mais de motivação para o nosso grupo. Mas, independentemente da quantidade de torcedores, esse time vai buscar os seus objetivos.


Diario de Pernambuco

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