sábado, 14 de maio de 2016

SPORT - A PALAVRA DO PRESIDENTE

Martorelli assume erros, anuncia extensão de contrato com a Globo e explica balanço financeiro

Em entrevista, João Humberto Martorelli fala sobre assuntos importantes para o futuro do clube

Em entrevista ao Podcast 45 Minutos, presidente do Sport admite que errou ao deixar técnico Paulo Roberto Falcão administrar futebol leonino

No aniversário dos 111 anos do Sport, o Superesportes traz uma entrevista com o presidente rubro-negro, João Humberto Martorelli. Participando do Podcast 45 Minutos, do Diario de Pernambuco, o mandatário leonino falou sobre assuntos importantes para o futuro do clube. Dentro e fora do futebol. Explicou o balanço financeiro publicando no inicio do mês, a renegociação de contrato com a Globo, com contrato extendido até 2024 e as falhas na montagem do time para a atual temporada, onde o próprio Martorelli admitiu: "Errei". Confira a primeira parte da entrevista. 
Como o Sport chega aos 111 anos
O Sport está muito bem do ponto de vista administrativo e financeiro. Nós conseguimos no consolidar cada vez mais do ponto de vista profissional e nos vários segmentos do clube. Tanto na parte de gestão administrativa quanto na parte de marketing e esportes amadores e na própria questão futebol. As finanças do clube estão muito bem, satisfatórias. Não estamos nadando em dinheiro, não temos as cotas de televisão dos clubes do Sul, ainda. Porque isso vai mudar a partir de 2019. Mas para aquilo que nós pretendemos estamos tranquilos em relação aos nossos compromissos. Diria que dentro de uma forma geral, o Sport é um clube saneado e com força para, dentro contexto das nossas cotas televisivas, competir e fazer uma boa Série A e Sul-Americana. Em 2016, o gasto com o futebol nãos erá muito diferente de 2015. Tanto do ponto e vista de receita quanto de despesas. 
Passivo e dívida
O passivo quando soma dos circulantes e não circulantes é de R$ 120 milhões. Recebi de Luciano (Bivar) um passivo de R$ 47 milhões e hoje é de R$ 120 milhões. Mas até eu assumir. o Sport não reconhecia as contingências fiscais e trabalhistas que não estavam sendo executadas. Assim, de 2013 para 2014 já houve um aumento nesse passivo para cerca de R$ 70 milhões. Nesses R$ 120 milhões de passivo também estão R$ 18 milhões, que não é passivo. Na realidade são pagamentos de luvas pela renovação dos contratos de 2019 e 2020 com a Globo. É um dinheiro que está em caixa, que está disponível e não tem compromisso com o futuro. Quando chegar em 2019, esse dinheiro vai entrar como receita no balanço. É uma bonificação, não é um adiantamento de cota. Outra análise superficial do balanço financeiro de 2015 diz que o Sport tem muitas dívidas financeiras. O Sport tem um passivo financeiro de R$ 5,1 milhões e que vai pagar esse ano. Em 2017, não vai ficar nenhum passivo financeiro para nenhuma gestão futura. 
Contrato com a Globo até 2024
Não posso falar muito desse contrato porque temos a cláusula de confidencialidade. Em 2016, diante da disputa com o Esporte Interativo, a Globo nos procurou e pediu uma renegociação do contrato de 2019 e 2020 e pediu uma extensão até 2024. Celebramos esse novo contrato, inclusive com uma nova luva. Mas tem a compensação do que a Globo pagou referente a 2019 e 2020. Para 2024 será compensado um pedaço.
Críticas à gestão
Tem sido muito sofrido, é claro. O que mais me chateou foi a diferença de 2015 para 2016. Em 2015 fizemos um planejamento de não investir no início do ano. Deixamos para contratar mais perto da Série A. Por isso, contávamos que poderíamos perder o Pernambucano e a Copa do Nordeste. Não queríamos isso, mas a gente contava com a possibilidade porque não tínhamos investido. Por isso, a coisa não foi tão sofrida como este ano.  Este ano investimos pesadamente na contratação de jogadores para ganhar o Pernambucano e a Copa do Nordeste e não conseguimos. Cometemos diversas falhas nesse andamento.  
Erros
O erro básico foi a minha intervenção direta no futebol. Nós tínhamos uma dinâmica no futebol bem clara, com a comissão técnica tendo uma convivência com o vice-presidente e a diretoria de futebol. Não havia figuras dissociadas. Era uma coisa só. Eduardo Baptista, Pedro Gama, Arnaldo Barros, Aluísio Maluf, Álvaro (Figueira) e Nei Pandolfo, todos eram uma coisa só. Com a saída de Eduardo Baptista, resolvi contratar o Falcão e não consegui fazer com que essa convivência continuasse. Se dissociou a comissão técnica da diretoria de futebol e isso atrapalhou o rendimento do futebol. As contratações e a maneira do time jogar era debatido entre mim e o técnico. Virou o técnico do presidente e isso complicou um pouco essa dinâmica do Sport, que era vitoriosa. Falcão é um excelente profissional, entende tudo de bola, mas não deu liga com a diretoria e consequentemente as contratações eram analisadas e trazidas unicamente por ele. A antiga dinâmica foi modificada e restaurada agora.
Saída de Hernane Brocador
Foi uma decisão de Falcão e eu respeitei. Poderia não validar e ter mantido Hernane. Mas o técnico pediu e respeitei isso. Querem publicamente que eu diga que errei? Eu errei. Deveria ter mantido o jogador. Ele também não quis ficar com Wendel e outros jogadores que a gente discordava. Mas não significa que Falcão errou. Talvez o presidente tenha errado em ter deixado de fazer valer o seu ponto de vista, Mas deixei porque, para mim, quem deve comandar o futebol é quem entende e está comandando o futebol. Aquela história de diretor que intervém não é compatível comigo.

Montagem do elenco
Na época em que trouxémos o Diego Souza todo mundo perguntava se necessário trazer um jogador midiático e nos dissemos que sim, porque nós estávamos precisando restabelecer a alto estima do clube, fazer uma grande campanha de sócios e trazer pessoas para dentro do clube. Mas na realidade o que procurávamos era um jogador que preenchesse as carências do time. O técnico solicitou reforços e Arnaldo e André estão no Rio de Janeiro vendo isso. Se dependesse de mim, André (atacante) já estaria aqui de volta. Não é por falta de fazer força. Tentamos trazer ele de volta. Não só dele, mas de Marlone também para recompor o time, como trouxémos de volta o Diego Souza. Mas acho muito difícil. Vamos trazer jogadores para preencher as carências do time, apontadas pelo técnico. Mas não vamos trazer Ronaldinho Gaúcho, Adriano Imperador, nem Kaká.
Multa de Danilo Fernandes
O valor da multa não vou divulgar. Mas não foi R$ 1 milhão. Nem muito mais do que isso. Quando Danilo foi contratado ele era o terceiro goleiro do Corinthians. Então existem questões legais. A multa tem que ser estabelecida em um valor compatível com o salário. Desde a primeira defesa milagrosa dele nos o abordamos e tentamos a renovação. Mas ele e o empresário sabiam que o mercado havia aberto para eles. Forçamos muita uma negociação, mas não conseguimos. Graças a Deus temos o Magrão para a posição.

Diario de Pernambuco

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