terça-feira, 12 de julho de 2016

OS SEGREDOS DE CUNHA

Cunha fala em segredo a delator e desperta suspeitas

Polícia Federal encontrou mensagens no celular do ex-presidente da Andrade Gutierrez que indicam suposta prática de lobby do deputado afastado para favorecer construtoras.


A Polícia Federal encontrou vários diálogos com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nos celulares do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo – segundo maior empreiteiro do País e delator da Operação Lava Jato. Em um deles, de 1º de abril de 2014, chamou a atenção dos investigadores o fato de Cunha confirmar a Otávio que atendeu a uma demanda da CNO (sigla para Construtora Norberto Odebrecht) para modificar um trecho de um projeto de lei "em segredo". Confira o trecho do diálogo abaixo:
Otávio Marques"Eduardo, estas modificações propostas pela CNO estão aceitas pelo Governo e a Câmara?
(1) não aplicação expressa do parágrafo 2º do art83 ao regime especial do parágrafo 10º do art 83;
(2) supressão do parágrafo 8º do art. 74,
Soube por eles: O ponto (1) acima estará alinhado entre o relator e a Fazenda, mas gostaria de assegurar que é isso mesmo!
Abs"
 Eduardo Cunha: "Esse ponto 1 eu acertei, mas tem de ser em segredo. O segundo não"
O relatório da PF não deixa claro qual o projeto de lei que os dois discutiram, mas reforça as suspeitas levantadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que o peemedebista atuava como "longa manus" das empreiteiras no Congresso. Uma das linhas de investigação contra Eduardo Cunha no STF é justamente sobre a suposta atuação do peemedebista para fazer lobby e cobrar recursos de empresas em diferentes projetos de leis e medidas em tramitação no Congresso.
Os investigadores também localizaram outros diálogos entre Cunha e o empreiteiro. Em um deles, ocorrido em setembro de 2011, o parlamentar conversa com Otávio sobre o envio de um "material", que a conversa não deixa claro. Em outro diálogo, de fevereiro de 2014, os dois marcam um encontro na residência de Otávio Azevedo.

Estadão conteúdo

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