domingo, 16 de outubro de 2016

OPERAÇÃO LAVA JATO - DELAÇÃO TRAVADA

IMPASSES TRAVAM DELAÇÃO PREMIADA DE MARCELO ODEBRECHT
O MAIS RICO E PODEROSO EMPREITEIRO DO PAÍS ESTÁ TENSO COM ENTRAVE. FOTO: CASSIANO ROSÁRIO

O MAIS RICO E PODEROSO EMPREITEIRO DO PAÍS ESTÁ TENSO COM ENTRAVE

O comportamento amistoso do empresário Marcelo Odebrecht, mantido desde o início da negociação de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, mudou nas últimas duas semanas. Quem frequenta a carceragem da Polícia Federal em Curitiba diz ter encontrado o "Príncipe" - como o empreiteiro é conhecido pelos colegas de cárcere - colérico. A mudança de comportamento seria reflexo das dificuldades de seus advogados em fechar o acordo de delação nos moldes como o empresário planejou.
Três pontos travam o acerto para uma colaboração premiada com a Lava Jato. O primeiro é o tempo de prisão. Marcelo Odebrecht diz já ter permanecido tempo demais preso. Por isso, em troca do acordo, pediu para ficar dois anos e meio preso, descontado o um ano e quatro meses já cumprido. A proposta foi rejeitada pela força-tarefa da Lava Jato. O empreiteiro está detido, em Curitiba, desde 19 de junho de 2015. Foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão.
Ele vislumbrava que suas propostas fossem integralmente aceitas pela força-tarefa. O empresário disse a terceiros que deixaria a mesa de negociações se a força-tarefa não aceitasse a redução do prazo de prisão em regime fechado e negasse uma saída temporária no Natal e no ano-novo.
O segundo ponto diz respeito à responsabilidade do empreiteiro nos crimes praticados pelo Setor de Operações Estruturadas - chamado por investigadores de "departamento do propina" da empreiteira. A força-tarefa diz ter provas da participação direta de Marcelo Odebrecht na área, bem como de sua responsabilidade sobre pagamentos ilegais e de caixa 2 e pela lavagem de dinheiro.
O terceiro entrave trata das possíveis ações de "contrainteligência" adotadas pela empreiteira. A força-tarefa quer ouvir do empresário detalhes do que considera ações de obstrução às investigações e ofensivas extrajurídicas de ataques a investigadores, como a suposta compra de informações de conversas de delegados da Lava Jato em redes sociais e dossiês. O empreiteiro nega participação.


Claudio Humberto

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