sábado, 19 de novembro de 2016

CRISE NO GOVERNO

FREIRE DIZ QUE RESPEITARÁ PARECER QUE TERIA CONTRARIADO GEDDEL
ROBERTO FREIRE EXALTA IPHAN (FOTO: ANTONIO AUGUSTO/CÂMARA)

FUTURO MINISTRO EXALTA ÓRGÃO TÉCNICO PIVÔ DA SAÍDA DE CALERO

Escolhido para suceder Marcelo Calero no Ministério da Cultura, o deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) afirmou neste sábado (19) que vai respeitar a decisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão subordinado à Pasta da Cultura limitou a altura de um projeto imobiliário em Salvador-BA em que o ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima comprou um apartamento. E a denunciada pressão de Geddel contra o parecer foi pivô da saída de Calero do cargo.
Antes de elogiar a gestão de Calero à frente do Ministério da Cultura, o futuro ministro qualificou a competência da atuação de órgãos técnicos como o Iphan, de quem espera colaboração.
“O Iphan existe; é um órgão técnico e competente para essas questões. E eu costumo respeitar os órgãos técnicos”, disse Freire.
O presidente nacional do PPS afirmou que ainda tomará conhecimento do fato. “Mas antes de tomar conhecimento, o princípio que me norteia é o técnico. Se existe um órgão técnico, é para ser respeitado nas suas decisões. Se existe um órgão técnico e competente, cabe ao ministro levar em consideração e respeitar isso. Se não, quem vai colaborar com o ministro?”, afirmou Freire.
Sobre o trabalho de seu antecessor, Roberto Freire disse que não haverá ruptura e que conversará com Calero para dar continuidade ao trabalho implantado no Ministério da Cultura. “Ele fez um ótimo trabalho. Não está saindo com nenhum problema do ponto de vista político e administrativo. Vamos conversar com ele. Tem muito mais de continuidade do que qualquer mudança", afirmou Freire.
A denúncia
Em entrevista à Folha, Calero denunciou que a pressão de Geddel foi um dos principais motivos que o levou a pedir demissão, após insistentes pedidos para que o Iphan aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira. De acordo com entrevista do ex-ministro à Folha, o empreendimento tem cerca de 100 metros de altura e está previsto para ser construído nos arredores de uma área tombada da capital baiana, base eleitoral do ministro da Secretaria de Governo. 



(AE)

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