quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CAOS NO RIO GRANDE DO NORTE

Natal: ruas vazias e pedestres sem transporte público

incendiado em rua de Natal no mesmo dia de transferência de presos amotinados há cinco dias

Uma série de ataques a ônibus e delegacias assustou os moradores de Natal nesta quarta-feira (18). Ao anoitecer, as ruas ficaram vazias de pedestres e o tráfego de veículos, bem abaixo do normal, já que muitas pessoas foram para casa mais cedo.
Ao todo, foram registrados 15 ônibus incendiados e tiros disparados contra duas delegacias. Segundo a Secretaria de Segurança Pública os ataques estão sendo apurados, mas há indícios de que tenham sido ordenados por membros da facção Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte.
A ação seria uma represália contra a transferência de 220 membros da facção do presídio de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal (RN). As remoções começaram nesta quarta, após o Batalhão de Choque entrar na unidade e encerrar a rebelião que já durava cinco dias e deixou 26 detentos mortos.
Com os ataques, a frota de ônibus da cidade foi recolhida. Sem opção, as poucas pessoas na rua acabavam optando por voltar para casa com táxis, que foram autorizados a fazer lotação. O taxista Ademir Silva, 62, disse que os natalenses não tinham alternativa de locomoção desde o fim da tarde.
A funcionária pública Gilvani Oliveira, 32, no entanto, aguardava no ponto de ônibus na frente de um shopping, ainda com esperança da chegada do coletivo.
"Estávamos aproveitando a noite para fazer algumas compras quando fomos surpreendidos com a notícia de que os transportes estavam sendo recolhidos. Estou esperando há quase meia hora e até agora nada", disse acompanhada do filho de 12 anos.
Ao ser questionada se temia alguma ação criminosa, ela disse que preferia confiar na polícia. "Espero que consigam controlar a situação", completou. Segundo capitão Fabio Sandrine, supervisor das operações da PM na Grande Natal, mais de 80 policiais estarão atuando na cidade durante a madrugada.
Em Ponta Negra, na zona sul da cidade, o calçadão estava praticamente vazio, embora nos restaurantes e bares da região o movimento fosse considerado normal pelos empresários.

Folha de S.Paulo

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