Interesse na delação de Palocci vai muito além do PT
Ex-ministro da Fazenda socorreu empresas e ajudou companhias a crescer
O interesse público a respeito de uma eventual delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho vai muito além do que ele pode contar a respeito do PT. Se for uma delação com foco apenas em figuras petistas, a colaboração, se confirmada, será resultado de uma ação seletiva de investigação do Ministério Público Federal da força-tarefa de Curitiba.
Palocci contratou advogados que negociam delações em Curitiba e deu início mais efetivo a uma negociação com o Ministério Público Federal.
Se for firmada a delação, ela tende a ter um impacto muito forte no PT, porque Palocci foi a figura central na área econômica desde a chegada do partido ao poder. Mesmo fora do Ministério da Fazenda a partir de 2006, ele continuou depois, como deputado federal, ministro da Casa Civil de Dilma e apenas consultor, como o principal interlocutor do partido com o empresariado.
Palocci sempre foi muito ligado ao ex-presidente Lula, que o considerava o principal nome do PT para disputar a Presidência em 2010. Se Palocci não tivesse caído da Fazenda em 2006 por conta do episódio da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, teria sido ele e não Dilma Rousseff o candidato à Presidência da República pelo PT em 2010. Era clara a preferência política de Lula por Palocci.
Nesse contexto, a depender do que disser ao Ministério Público Federal, poderá trazer novos complicadores para o ex-presidente Lula em particular e para o PT de modo geral.
No entanto, ao depor perante o juiz Sergio Moro, o ex-ministro da Fazenda disse que tinha informações que poderiam render mais um ano de investigação à Lava Jato. Essa declaração é sinal de que uma delação de Palocci, se confirmada, não deverá se restringir ao PT.
Pelas relações que ele teve com todos os grandes grupos empresariais do Brasil, o que envolveu interesses de alto valor, uma delação dele teria capacidade de atingir setores importantes da economia brasileira. Nesse sentido, poderia mesmo ser bombástica. Ele detém segredos não apenas do mundo financeiro.
Muitos empresários interessados em recuperar suas companhias ou fazê-las crescer procuraram Palocci quando ministro e também quando ele estava fora desses cargos. Ele tinha enorme trânsito entre o setor privado e as instituições públicas de fomento e financiamento. Palocci socorreu empresas em apuros e ajudou muitas delas a crescer.
Blog do Kennedy

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