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sábado, 27 de janeiro de 2018

LULA CONDENADO

Condenação representa (mesmo) o fim da era Lula?

Ex-presidente tem um caminho tortuoso pela frente — mas "mito" ainda está longe de ser enterrado


Dos três cenários possíveis para o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segunda instância, a condenação por unanimidade é o pior desfecho que o petista e seu partido poderiam enfrentar.
Tanto que, ao reafirmar-se candidato no final da manhã de ontem (25), o petista admitiu pela primeira vez que pode não estar nas eleições deste ano. Horas depois, seu passaporte foi apreendido em uma amostra de que Luiz Inácio terá um caminho penoso para se consolidar para o próximo pleito – mesmo que continue na liderança das pesquisas de intenção de voto.
Contudo, isso está longe de significar o fim da linha para o fenômeno Lula, segundo analistas ouvidos pelo site EXAME. “Todos os cenários seriam ruins para o Lula, mas nenhum o tiraria da parada”, afirma o cientista político Bolivar Lamounier, sócio-diretor da Augurium Consultoria. “Ele vai se vitimizar, vai fazer campanha dizendo que é um golpe pessoal contra ele, vai tentar ao máximo ser uma sombra nas eleições”.
A Lei da Ficha Limpa determina que condenados por órgão colegiado ou decisões por trânsito em julgado (quando todos recursos se esgotam) ficam inelegíveis. Logo, Lula já estaria inabilitado para o próximo pleito. Mas ainda cabem recursos para reverter a decisão. A chance de que ele participe da disputa é de 30%, segundo relatório da consultoria Eurasia.
Mesmo que a condenação seja mantida, o PT ainda poderia registrar a candidatura de Lula até 15 de agosto. Um eventual processo de impugnação de seu registro só seria aberto depois que a candidatura fosse questionada na Justiça Eleitoral.
De acordo com o advogado eleitoral Francisco Emerenciano, sócio do escritório Emerenciano, Palomo e Advogados Associados, o trâmite de uma ação desse tipo pode durar cerca de 30 dias. Nesse meio tempo, Lula estaria livre para “praticar todos atos de campanha, inclusive aparecer no horário eleitoral”, afirma o jurista.
Com uma eventual impugnação da candidatura de Lula, o PT teria até 10 dias depois da sentença e 20 dias antes das eleições para apresentar um substituto. “A capacidade de transferência de votos de Lula depende essencialmente de quando ele sair [da disputa]. Quanto mais próximo da eleição, maior a capacidade de transferência”, afirma Maurício Moura, presidente da Ideia Big Data.
Os especialistas ouvidos pelo site EXAME calculam que o possível substituto de Lula teria entre 10% e 15% dos votos válidos – um número que, em uma eleição extremamente pulverizada, poderia até conduzi-lo ao segundo turno a depender da distribuição dos votos dos demais candidatos.
Lula hoje congrega cerca de 35% das intenções de voto e, segundo a série histórica da pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos, sua taxa de aprovação estava em ascensão nos últimos seis meses. Em dezembro, chegou ao ápice com 45%.
As caravanas do ex-presidente pelo país (e sua presença constante nas diferentes mídias e imaginário popular) explicam, em partes, essa recuperação da imagem do petista. Mas ele também pode ter se beneficiado dos escândalos envolvendo outros partidos e políticos.

EXAME – Talita Abrantes

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