segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

CARNAVAL 2020

Com pedido de paz, Águas de Oxalá preparam Olinda para o carnaval

Cerimônia das Águas de Oxalá, em OlindaFoto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco


Neste ano, o tema da cerimônia foi 'Paz pela Paz: diga não à intolerância religiosa'

Empenhados contra a intolerância religiosa, seguidores de religiões de matriz africanas, do catolicismo e simpatizantes, participaram, na tarde deste domingo (12), da 37ª edição do Águas de Oxalá, cerimônia que simboliza o sincretismo religioso, em frente à Igreja do Bonfim, em Olinda, Região Metropolitana do Recife (RMR).

Na ocasião, foi realizada a tradicional lavagem das escadarias da igreja com água de cheiro, arroz e flores. A celebração ocorre sempre no primeiro domingo após o Dia de Reis, que caiu na última segunda-feira (6), como um pedido de proteção para o ano que está começando e o Carnaval que se aproxima, além de celebrar Oxalá, uma das principais divindades do culto afro-brasileiro. Neste ano, o tema foi “Paz pela Paz: diga não à intolerância religiosa”.

"O evento tá tendo uma força muito grande. Essa coisa de intolerância é algo antigo, retrógrado. Se você tem amor ao próximo, tenha sua fé independentemente de qualquer coisa, com paz no coração, sem ter conflito. Deus é um só", ressalta o pai dos bonecos gigantes e babalorixá Silvio Botelho, um dos organizadores do evento.


"Cada um tem seu credo, mas diante de Deus somos todos irmãos. É importante exercer essa comunhão e não ter preconceito com ninguém. Jesus não teve preconceito com ninguém, devemos seguir o exemplo de Jesus”, afirmou Dom André, pároco da Igreja do Bonfim, em saudação ao público.

De acordo com a organização, ao longo do cortejo realizado após a saudação à Oxalá e a lavagem, cerca de cinco mil pessoas acompanharam o percurso pelo Sítio Histórico e Cidade Baixa, até o Roça Osùn Oparà Oxossi Ybualama, no bairro de Jardim Brasil I. Idealizador do Águas de Oxalá, Pai Raminho de Oxóssi fez uma saudação aos orixás e desejou um carnaval de paz. “Que este ano seja bom que tudo seja legal, que o carnaval seja legal é que todos brinquem em paz”.

Uma das componentes do coral Voz Nagô, grupo composto por sete mulheres idealizado por Naná Vasconcelos, Paula Guedes se apresentou pelo terceiro ano na cerimônia, buscando bençãos, mas também respeito.

"Nós de religião de matriz africana estamos sempre esperando que os orixás nos abençoem a cada ano vindouro. Estamos também pedindo tolerância, na verdade, mais que isso, é uma relação de respeito, uma manifestação pelo respeito à manifestação da religião de matriz africana e à cultura popular brasileira", afirmou.



Por: Folha de Pernambuco

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