sábado, 8 de fevereiro de 2020

PARAISÓPOLIS

Policiais isentos em ação que matou nove

Foto: José Barbosa / Futura Press
PM isenta policiais envolvidos em ação que matou nove. Nove jovens morreram pisoteados em baile funk após atuação da polícia; Corregedoria fala em legítima defesa.

A Corregedoria da Polícia Militar encerrou o inquérito que apurava a responsabilidade de policiais militares em uma ocorrência no baile funk de Paraisópolis que terminou com nove mortos por pisoteamento em dezembro. Para a corporação, segundo divulgado pela TV Globo, os agentes atuaram em legítima defesa e de forma lícita, não devendo responder judicialmente pelas mortes. A ocorrência também é investigada em inquérito da Polícia Civil, que ainda não foi encerrado.
Desde dezembro, 31 policiais do 16.º Batalhão estão afastados do serviço operacional nas ruas e cumprem expediente em áreas administrativas. O afastamento ocorreu a pedido do governador João Doria (PSDB), que atendeu ao apelo feito por parentes das vítimas. O inquérito agora está no Tribunal de Justiça Militar que deve solicitar parecer do Ministério Público. A investigação pode ser arquivada ou o MP pode solicitar novas diligências complementares visando a entender melhor a ocorrência.
A PM diz que tiros disparos por suspeitos contra agentes deu início a uma perseguição em Paraisópolis. Na versão da corporação, esses suspeitos entraram na multidão e causaram correria, o que explicaria o pisoteamento. Testemunhas relataram, no entanto, que a polícia não ofereceu opção de saída durante a confusão, fechando os dois lados da via e levando os presentes a vielas da localidade. As mortes aconteceram em duas dessas vielas.
Ao Estadão em dezembro, uma jovem que estava em uma dessas vielas disse que a polícia chegou a atirar bombas nesses locais, piorando a confusão. Ao sair de lá, ela relatou ainda ter sido atingida no rosto por uma garrafa de vidro atirada por um policial. A jovem tomou 50 pontos em decorrência dos ferimentos causados.

Do Terra

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