Troca as fraldas, Olinda!
Ex-presidente dos Estados Unidos, a maior potência mundial, Abraham Lincoln liderou o País de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana. Preservou a integridade territorial americana, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.
Criado em uma família carente na fronteira oeste, Lincoln foi autodidata, tornou-se advogado, líder do Partido Whig, deputado estadual de Illinois durante os anos de 1830 e membro da Câmara dos Representantes por um mandato durante a década de 1840.
Foi um frasista fenomenal. Dentre tudo que já li a seu respeito, tem uma frase que se encaixa muito bem a cafajestagem que o presidente da Câmara de Olinda, um tal de Jorge Federal (PL), fez, ontem, com o jornalista Ivan Maurício, um dos colegas de batente mais conceituados, capacitados e honrados com os quais já convivi: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.
Até quando Federal vai continuar enganando Olinda? Que direito tem de degolar um profissional da estirpe de Ivan Maurício simplesmente por se negar a votar no pau mandado dele, neste caso a sua esposa? A política e o poder têm dessas coisas. Com a caneta azul nas mãos por um tempo passageiro – na vida tudo passa – o vereador, certamente rejeitado pelo povo de Olinda, agora quer emplacar a esposa em seu lugar. Ou acha que em sua casa se elege e elege a companheira?
Não creio que se afaste para deixar a esposa em seu lugar, porque Federal parece se encaixar naquele tipo de político que não sabe viver sem mamadeira. É um marajá da política olindense. Embolsa quase R$ 40 mil por mês, assim somados: R$ 12 mil como vereador, igual valor como compensação por ser o chefe do Legislativo e mais R$ 15 mil de aposentadoria de agente da Polícia Federal.
Políticos dessa estirpe estão com os seus dias contados. O mundo mudou. A globalização mexeu com conceitos, quebrou paradigmas sem, no entanto, extirpar do homem o exercício diário e permanente de se curvar ao que se aprende em casa, desde as primeiras lições passadas pelos nossos avôs: não ceder à fraqueza da alma e do espírito. Federal foi fraco. Só um verme pode tirar o emprego de alguém por razão tão abominável.
A sociedade repugna igual comportamento porque não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. Neste caso, a injustiça não atingiu apenas um jornalista, mas a classe trabalhadora em geral. O Brasil cansou de políticos que não acreditam no direito do homem de trabalhar como quiser, de ser dono de suas propriedades e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono.
Essa é a essência de cidadania. Dessas liberdades dependem todas as outras, o que só Jorge Federal não sabe. O povo de Olinda um dia vai ser poupado desse tipo de político. Eça de Queirós disse certa vez: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.
Troca de fralda, Olinda!

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