Na Alepe, Oposição opta por não provocar STF sobre reeleição
O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), concluído no último domingo, estava no radar de parlamentares da Oposição na Casa de Joaquim Nabuco. Motivo: a opção de realizar a eleição para Mesa Diretora, na última sexta, vinha sendo definida, nos bastidores, como "precipitada". Em conversas reservadas, parlamentares atribuíram essa celeridade ao potencial que a decisão da suprema corte poderia ter de influenciar no cenário local. Após o STF vetar, no domingo, por maioria, em plenário virtual, a reeleição para as presidências da Câmara e do Senado, ontem, havia uma corrente naquela corte explicando que só o acórdão, a ser publicado, tornaria a questão mais nítida em relação à extensão dos efeitos, ou uma eventual consulta a ser realizada por deputados estaduais. Líder da Oposição na Alepe, Antonio Coelho, no entanto, descarta a possibilidade de provocar o STF.
Indagado sobre o assunto, à coluna, ele resume: "Nossa disposição, hoje, é de respeitar o processo. Essa decisão do STF teria que retroagir para interferir aqui. Acho muito complicado isso impactar na reeleição de Eriberto (Medeiros), tendo em vista que a decisão do STF veio depois da reeleição dele". O deputado Álvaro Porto, que concorreu com Eriberto, adota linha sintonizada com a do líder. "A situação já foi resolvida com a eleição na sexta-feira. Os pares escolheram Eriberto. Por mim, fica a decisão da Casa, Se algum colega quiser, faça a consulta", assinala à coluna. O voto do ministro Gilmar Mendes, como a coluna cantara a pedra, apresentara conteúdo capaz de estender a decisão a estados e municípios. Eriberto teve 31 votos e Álvaro, 14. Considerando que a Oposição tem 11 integrantes, ao menos, três votos depositados no candidato da Oposição foram da base.
De olho em Arthur, Maia vacina
A visita de Arthur Lira ao Palácio das Princesas, ontem, já estava agendada desde a última quinta-feira. Não à toa, o aceno feito por Rodrigo Maia ao governador de Pernambuco foi lido, por aliados do gestor, como uma "vacina". No último sábado, indagado sobre o cenário para 2022, Maia citou Paulo Câmara, junto com João Doria e Luciano Huck, como potenciais presidenciáveis, em entrevista ao Jornal "O Globo", ao registrar que o "caminho de centro continua aberto" e que se faz necessária "uma grande aliança".
Retrospectiva > Em 2019, o PSB não apoiou a reeleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara. Um dos cotados, hoje, para sucessão de Maia é Fernando Filho, que encontra-se na oposição ao Governo do Estado. Para aliados de Arthur Lira, por esse contexto, o Estado é terreno fértil para o PP, aliado local do PSB, buscar apoio.
Benção > Antes de vir a Pernambuco, Arthur Lira esteve com outro governador do PSB, Renato Casagrande (ES). Ao Palácio das Princesas, ele dirigiu-se com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e com Eduardo da Fonte, entre outros deputados.
Confissão > Um dos nomes que tem sido ponte entre o Governo Federal e o Estado, Silvio Costa Filho levou falta no almoço com Arthur Lyra. Segue em isolamento em função da Covid-19. O Republicanos tem Marcos Pereira entre os candidatos à sucessão de Maia. Da Igreja Universal, no entanto, Pereira enfrenta resistências.
Mar aberto > Luciano Bivar anunciou pré-candidatura à presidência da Câmara ontem. Mas, ainda em setembro, como a coluna registrara com exclusividade, almoçou com Rodrigo Maia no Cabanga. A agenda oficial de Maia era com Paulo Câmara e ele estava com Aguinaldo Ribeiro (PP), também cotado para sua sucessão. Aguinaldo, no entanto, não une o PP, partido de Arthur Lira.
Por Renata Bezerra de Melo

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