LAMBANÇA GERAL
Ontem, enquanto o narrador, Galvão Bueno, do alto de sua experiência, externava sua indignação com os lamentáveis fatos que culminaram com a suspensão do jogo entre Brasil e Argentina, válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas, lembrei de um ensinamento que me fora repassado pelo mestre, Adonias de Moura: "Com este comando da CBF tudo pode acontecer no futebol brasileiro".
Verdade! Os anos passaram, mas a verdade do mestre está mais atualizada do que nunca. Enquanto as pessoas se mostravam estarrecidas com tamanho vexame, de repercussão negativa em todo o planeta futebol, resolvi plagiar Chico Buarque no seu mágico Desencontro:
"A sua lambança me dói tanto/ Eu canto pra ver/ Se espanto esse mal".
Nenhuma explicação apresentada para o trágico episódio me pareceu plausível, convincente. A mistura da malandragem argentina com o jeitinho brasileiro não poderia dar outra coisa senão um angu de caroço.
Os últimos quatro presidentes da Confederação Brasileira de Futebol, três foram afastados do cargo por conta de falcatruas e o outro por assédio a secretária.
É um show!
Restou uma dúvida: Quem foi o craque do jogo, a Anvisa ou a Polícia Federal? Ambas entraram em campo com o jogo em andamento, mas roubaram a cena, e frustraram as duas torcidas - brasileira e argentina -, mais ainda, deixaram o mundo do futebol estarrecido com tamanha desorganização.
Por sorte o futebol não é uma ciência exata, e o jogo é jogado dentro das quatro linhas, onde o talento dos atletas fala mais alto, pois se nas decisões pesassem apenas o fator organizacional, a AFA e a CBF, jamais comemorariam títulos mundiais conquistados por suas respectivas seleções.
Confesso que fiquei na expectativa de, ao final de mais uma edição do maior clássico do futebol sul-americano - Brasil x Argentina - me deliciar com um texto, cheio de romantismo e poesia do mestre, Roberto Vieira, mas o espetáculo de dejeto virou matéria sanitária.
Me restou cantar: "A sua lambança me dói tanto...".
CLAUDEMIR GOMES

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