Letalidade policial cresceu 31% em Pernambuco em 2025; 94% das vítimas eram negras
Das 89 vítimas de morte por intervenção policial, 84 eram pessoas pretas ou pardas
O estudo identifica um aumento de 6,4% na letalidade policial em 2025 na média desses estados, com 4330 vítimas. O documento registra ainda que 86,3% dos mortos eram negros e 64,8%, jovens de até 29 anos.
"Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias", afirma Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança.
Com 96%, Amazonas tem a maior proporção de vítimas negras entre os estados monitorados. Na Bahia, dos 365 dias de 2025, 346 registraram mortes por agentes públicos de segurança. E São Paulo voltou a bater recorde dessas mortes, com 834 registros.
"Atuação não é orientada pela cor da pele"
Em nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) afirma que todas as ações realizadas pelas forças de segurança do Estado, como abordagens, operações e ocorrências com confronto, são conduzidas com base em critérios técnicos e operacionais.
A pasta também informa que sempre que há registro de morte decorrente de intervenção policial o caso é submetido à apuração nas esferas criminal e administrativa. "Caso sejam identificadas irregularidades, os responsáveis são devidamente responsabilizados na forma da lei", declara, acrescentando que a instauração de procedimentos investigativos é conduzida com "imparcialidade, assegurando o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal".
A SDS afirma ainda na nota que investe permanentemente na formação e no aperfeiçoamento dos profissionais de segurança pública.
"Desde o ingresso nas corporações e ao longo de toda a carreira, policiais e bombeiros participam de capacitações voltadas à abordagem policial, ao uso progressivo da força, técnicas de imobilização, defesa pessoal, emprego de armamentos menos letais, tiro defensivo para preservação da vida, direitos humanos, atendimento a grupos vulneráveis e práticas de atendimento humanizado", diz trecho da nota.
Por fim, a SDS declara que a atuação das forças de segurança não é orientada por características pessoais, como cor da pele.
"As intervenções policiais são motivadas exclusivamente por critérios objetivos, como o registro de ocorrências, informações produzidas pelos setores de inteligência, cumprimento de mandados judiciais ou situações de flagrante delito, sempre em observância aos princípios da legalidade, da impessoalidade e da proteção dos direitos fundamentais", concluiu.
Jorge Cosme

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