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quinta-feira, 9 de abril de 2026

DELAÇÃO DE VORCARO

Mendonça descarta homologação automática de eventual delação de Vorcaro

André Mendonça, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) | Foto: Foto: Nelson Jr. / STF


Defesa de banqueiro busca celeridade em acordo, enquanto Corte avalia citações a ministros


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a interlocutores que não pretende conceder uma homologação imediata a uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A estratégia do magistrado consiste em confrontar o teor da colaboração com os resultados obtidos pela Polícia Federal (PF) nas apurações que envolvem o Banco Master. Segundo informações divulgadas pela CNN nesta quarta-feira (8), a validação do pacto só ocorrerá se forem identificados progressos significativos em comparação ao que os investigadores já descobriram.

O cronograma estabelecido prevê que tanto o desfecho do inquérito da PF quanto a proposta inicial de delação sejam apresentados até a metade do mês de maio. O próprio Mendonça fixou um prazo de 60 dias, a contar de 18 de março, para o encerramento dos trabalhos policiais, data que expira em 18 de maio.

Enquanto o lado de Vorcaro demonstra urgência na formalização do acordo como via para obter a liberdade, fontes próximas ao processo indicam que o otimismo do ministro quanto ao conteúdo do depoimento é moderado. Isso ocorre a despeito de a defesa do banqueiro garantir que seu cliente pretende revelar “toda a verdade”.

O cenário fica complexo por conta de possíveis implicações de membros do próprio STF. Inicialmente, suspeitava-se que a proximidade do advogado de Vorcaro com ministros da Corte pudesse influenciar o escopo da delação, focando em figuras políticas e preservando magistrados. Contudo, novos desdobramentos ao longo da semana sugerem progressos em descobertas que mencionam integrantes do tribunal, o que abre caminho para a possível instauração de investigações formais.

Para que um inquérito dessa natureza avance, é necessário o aval da maioria do plenário do STF, um desfecho considerado incerto pela atual conjuntura. Nesse quadro, o posicionamento do ministro Kassio Nunes Marques é visto como o desempate. Interlocutores avaliam que Marques tem sofrido pressões e críticas constantes, interpretadas como tentativas externas de moldar seu voto em caso de uma eventual deliberação sobre a abertura de investigações contra seus pares.

Juan Araujo

FIGURÕES ENVOLVIDOS COM VORCARO

Lewandowski, líder de Lula, Mantega etc: siga o dinheiro do Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução / Esfera Brasil


Documentos enviados à CPI do Crime Organizado traz nomes de figurões de Brasília


Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado detalham uma rede de pagamentos milionários do Banco Master a políticos, advogados e consultorias com forte trânsito em Brasília e ampliam a pressão sobre nomes ligados ao atual governo.

Entre os principais beneficiários está o ex-ministro Ricardo Lewandowski. O escritório de sua família recebeu R$ 6,1 milhões em depósitos iniciados em novembro de 2023. Ele deixou formalmente a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça. A proximidade entre os repasses e sua entrada no governo levanta questionamentos sobre a transição entre atividade privada e função pública, especialmente diante da ausência de detalhamento sobre os serviços prestados.

Também figura na lista o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, cuja empresa, a Pollaris Consultoria, recebeu R$ 14 milhões. O volume expressivo dos pagamentos, sem discriminação clara das atividades realizadas, reforça dúvidas sobre a natureza da relação entre o banco e um dos nomes mais influentes da política econômica dos governos Lula.

O alcance político dos repasses chega ao Congresso e atinge o entorno do senador Jaques Wagner (PT-BA). Uma empresa ligada à sua família recebeu R$ 12 milhões. Embora não haja indicação de participação direta do parlamentar, o vínculo com o principal articulador do governo no Senado amplia o peso político do episódio e intensifica a cobrança por explicações, novamente em um cenário marcado pela falta de transparência sobre os serviços contratados.

Os documentos integram um conjunto de apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas. Nesse contexto, o volume dos pagamentos e a ausência de informações detalhadas sobre as contrapartidas elevam o desgaste político e mantêm sob pressão figuras com influência direta no governo e no Congresso.

Outros nomes aparecem na relação com valores relevantes. O escritório do ex-presidente Michel Temer recebeu R$ 10 milhões, valor que ele contesta ao afirmar ter recebido R$ 7,5 milhões. A consultoria do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu R$ 8,6 milhões. Empresas ligadas ao ex-ministro Ronaldo Bento receberam R$ 6,2 milhões, enquanto o ex-ministro Fabio Wajngarten aparece com R$ 3,8 milhões. O presidente nacional do União BrasilAntonio Rueda, teve R$ 6,4 milhões declarados a escritórios ligados a ele, e ACM Neto recebeu cerca de R$ 1,8 milhão por meio de sua empresa de consultoria.

Rodrigo Vilela

MAIS UM MINISTRO DO STF ENROLADO COM VORCARO

Gilmar Mendes viajou em jato de empresa da qual Vorcaro é sócio

Ministro do STF Gilmar Mendes - Foto: Rosinei Coutinho / STF


Ele viajou de Diamantino (MT) para Brasília no jatinho prefixo PT-PVH


Gilmar Mendes é mais um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que se utilizou de jatinho da Prime You, empresa da qual o banqueiro Daniel Vorcaro era sócio. Ele viajou ao menos uma vez nesse avião em 1º de janeiro de 2025, entre Diamantino (MT), onde seu irmão tomou posse como prefeito, para Brasília.

O ministro negou ter conhecimento da relação do jatinho com a empresa de Vorcaro e disse ter aceitado carona do empresário Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, grupo que resultou da fusão entre dois dos maiores frigoríficos do País, a BRF e a Marfrig.

A empresa confirmou a viagem e informou que Molina tem cota da aeronave operada pela Prime, mas negou relação pessoal ou comercial do executivo com Vorcaro.

O avião de prefixo PT-PVH saiu de Diamantino às 16h38 do dia 1º de janeiro de 2025 com destino a Brasília. O modelo, um Phenom 300 da Embraer, pertence à PT-PVH Administração de Bem Próprio, presidida por Marcus Vinícius da Mata, sócio da Prime You, que opera a aeronave.

Quatro dos dez ministros do STF voaram em aviões ligados a Vorcaro: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques.


CONSELHO DE UM EX-CONDENADO

Conselhos de Lula para Moraes se blindar expõe colapso da separação dos poderes

Lula (PT) e o ministro so STF Alexandre Moraes - Foto: EBC.

Lula (PT) revelou, com a naturalidade de quem comenta o tempo, haver aconselhado o ministro do STF Alexandre de Moraes a “não permitir” que o escândalo de Daniel Vorcaro e do Banco Master “jogue fora sua biografia”. O episódio é ainda mais grave porque envolve o contrato de R$129 milhões firmado pelo Master com a banca de advocacia da esposa do ministro, e o autor do conselho é um ex-condenado que cumpriu pena em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Passando batido

Em qualquer democracia saudável, isso seria escândalo ou no mínimo provocaria o constrangimento na suprema corte. No Brasil, passa batido.

Sem limites

O tom paternalista de Lula sugere uma proximidade pessoal que ultrapassa e até ofenderia, para muitos, os limites constitucionais.

Juiz implacável

Tudo porque, afinal, Moraes é exatamente o ministro que tem aplicado penas que juristas julgam desproporcionais contra opositores de Lula.

Credibilidade

A verborragia do conselheiro de toga cobra um preço elevado, e quem paga essa conta é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.

Cláudio Humberto

MAIS UM GOLPE NA PRAÇA

Golpista usa nome de Dom Paulo Jackson para pedir dinheiro, alerta Arquidiocese

Arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson (Foto: Melissa Fernandes/Acervo DP Foto)

Instituição afirma que não reconhece número e orienta fiéis a ignorarem pedidos informais


A Arquidiocese de Olinda e Recife emitiu um alerta público nesta quarta-feira (8) sobre um golpe aplicado por uma pessoa que estaria se passando pelo arcebispo Dom Paulo Jackson para solicitar dinheiro.

De acordo com a nota oficial, o suspeito utiliza o número de telefone (81) 98873-1398 para entrar em contato com fiéis e outras pessoas, pedindo contribuições financeiras sob o pretexto de custear o aluguel de ônibus.

A Arquidiocese esclareceu que não reconhece o número informado e reforçou que não autoriza pedidos desse tipo feitos por contatos informais ou pessoais.

Ainda segundo a instituição, qualquer solicitação de apoio ou colaboração financeira é realizada exclusivamente por canais oficiais, devidamente identificados, o que não inclui abordagens diretas por telefone ou mensagens sem comprovação.

Diante da situação, a Arquidiocese orienta a população a desconsiderar esse tipo de abordagem e a não realizar transferências ou repasses financeiros.

DP

GALO DA MADRUGADA

Acordo na Justiça encerra briga entre Atlético-MG e Galo da Madrugada

Atlético-MG e Galo da Madrugada fecham acordo e encerram disputa judicial pela marca 'Galo'. (Fotos: Pedro Souza / Atlético - Ivison Gambarra/ PCR)

Entenda como ficou a divisão dos direitos de marca após a resolução do processo na Justiça Federal

 

O Atlético-MG e o bloco Galo da Madrugada entraram em um acordo e encerraram a disputa judicial pelo uso da marca 'Galo'. Com a resolução, a instituição pernambucana mantém o direito de usar o nome em eventos culturais e carnavalescos, enquanto o clube mineiro tem a exclusividade do termo para atividades esportivas.

A conciliação amigável acontece após o clube mineiro entrar com uma ação na Justiça Federal do Rio de Janeiro pedindo a anulação do registro "Galo Folia", que pertence ao bloco pernambucano.

Na ação inicial, o Atlético citou a Lei da Propriedade Industrial, argumentando que o registro do bloco no setor de entretenimento poderia gerar confusão com suas marcas esportivas que também utilizam o apelido.

A Justiça, no entanto, recusou o pedido do clube e deu ganho de causa ao bloco pernambucano. Após essa negativa, o clube mineiro entrou com apelação e o caso foi levado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região.

Em nota divulgada na noite dessa terça-feira (7), o Atlético-MG confirmou o fim do processo e detalhou que o Galo da Madrugada mantém seus direitos sobre a marca "Galo Folia", mas não solicitará novos registros com a expressão para atividades desportivas.

Em contrapartida, o clube mineiro afirmou que não questionará os registros já existentes do bloco carnavalesco, nem vai se opor a novos pedidos na área cultural e de entretenimento. O Atlético também assumiu o compromisso formal de não requerer o uso do termo "Galo" para a realização de eventos carnavalescos.

"Com o acordo, foi requerida a extinção do processo judicial. O Clube Atlético Mineiro e o Clube das Máscaras O Galo da Madrugada reiteram o espírito colaborativo na condução das tratativas e o respeito mútuo que existe entre as duas instituições", escreveu o Atlético-MG, em nota.

Confira a nota do Atlético-MG na íntegra:

O Clube Atlético Mineiro e o Clube das Máscaras O Galo da Madrugada informam que celebraram um acordo para encerrar a ação judicial que tinha curso perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro.

O acordo reconhece os direitos marcários de ambas as partes e estabelece compromissos recíprocos para a convivência harmônica das marcas.

O Galo da Madrugada mantém seus direitos sobre a marca Galo Folia, na forma como foi concedida pelo INPI, e compromete-se a não solicitar novos registros de marca com a expressão Galo para atividades desportivas.

O Atlético, por sua vez, compromete-se a não questionar os registros marcários existentes do Galo da Madrugada nem se opor a novos pedidos de registro com a expressão Galo na área cultural, eventos e de entretenimento, desde que não assinalem também atividades esportivas, além do compromisso de não requerer o registro de marcas contendo o termo Galo para eventos carnavalescos.

Com o acordo, foi requerida a extinção do processo judicial. O Clube Atlético Mineiro e o Clube das Máscaras O Galo da Madrugada reiteram o espírito colaborativo na condução das tratativas e o respeito mútuo que existe entre as duas instituições.

Igor Fonseca

PRISÃO PREVENTIVA DECRETADA

Justiça manda prender médico investigado por morte após procedimento estético no Recife

Marcelo Alves Vasconcelos é investigado pela morte de paciente (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Profissional está foragido. Audiência do caso está marcada para setembro e decisão sobre júri popular será tomada após essa etapa


A Justiça de Pernambuco determinou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, investigado pela morte da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, após um procedimento estético realizado no Recife. O mandado foi expedido no último dia 27 de março, e o profissional é considerado foragido.

A decisão foi assinada pela juíza Danielle Christine Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Na determinação, a magistrada destacou a necessidade da medida para preservar a ordem e a saúde públicas, apontando que o médico teria continuado a realizar procedimentos mesmo após as denúncias.

A audiência de instrução e julgamento foi marcada para o dia 22 de setembro, quando devem ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Caso haja tempo, o réu também poderá ser interrogado. Somente após essa fase a Justiça decidirá se o médico será submetido a júri popular.

O profissional foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco por homicídio qualificado. Ele também responde por exercício ilegal da Medicina, já que, na época dos fatos, não possuía registro profissional válido em Pernambuco, regularizado apenas após a morte da paciente.

A Polícia Civil informou que "realiza buscas com base em levantamentos e cruzamento de informações e diligências com o objetivo de localizar e prender pessoas com mandados em aberto", Além disso, a PCPE faz o monitoramento contínuo do Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ferramenta que reúne, em âmbito nacional, informações atualizadas sobre ordens judiciais de prisão expedidas pelo Poder Judiciário.

Relembre o caso

Segundo as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Adriana morreu um dia após se submeter a um procedimento conhecido como bioplastia de glúteos, realizado em janeiro de 2025, em uma clínica particular da capital. Ela foi encontrada sem vida no banheiro de casa, com sinais de complicações, como sangramentos e alterações na coloração da pele.

De acordo com o laudo, a causa da morte foi choque séptico, uma infecção generalizada, associada a infecção urinária.

A apuração indica que o médico utilizou o polimetilmetacrilato (PMMA), substância cujo uso para fins estéticos não é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo autorizado apenas em situações específicas de caráter reparador. No procedimento, teriam sido aplicados cerca de 360 ml do produto.

Ainda conforme a investigação, não houve solicitação de exames prévios nem avaliação detalhada do estado de saúde da paciente antes da intervenção. Adriana teria conhecido o serviço por meio das redes sociais, onde o médico mantinha um perfil com grande número de seguidores. Pelo procedimento, ela pagou cerca de R$ 21 mil.

Na época, a Polícia Civil disse que o médico "tinha pleno conhecimento dos riscos associados ao uso de PMMA, mas mesmo assim realizou o procedimento, assumindo o risco do resultado fatal."

Defesa da família

O advogado Felipe Alef, que representa a família de Adriana, afirmou que a prisão preventiva é uma medida necessária diante da gravidade do caso. Para ele, a decisão representa uma ação cautelar para evitar novos riscos à população e garantir o andamento adequado do processo.

“Os elementos já conhecidos indicam um cenário extremamente preocupante, que envolve, inclusive, o exercício irregular da medicina, no momento do fato, circunstância que agrava de forma significativa a responsabilidade pelos fatos apurados”, destaca o advogado.

“A resposta do sistema de justiça deve ser exemplar, tanto no sentido de responsabilização quanto de prevenção”, destaca Felipe Alef. Ele destacou que seguirá acompanhando o caso e destacou a solidariedade à família da vítima.

Adelmo Lucena


POLÍTICOS IRRESPONSÁVEIS E MENTIROSOS

Após 13 anos de expectativa, moradores revivem drama às margens do Canal do Fragoso: "obra sem fim"

Morador aponta problemas no Canal do Fragoso, em Olinda (RAFAEL VIEIRA/DP)

Obras do Canal do Fragoso, iniciadas há quase 13 anos e com investimento de quase meio milhão de reais, pioraram a vida dos moradores, segundo relatos feitos à reportagem do Diario de Pernambuco


“Obra sem fim”, “obra do descaso” e “elefante branco” são alguns dos termos utilizados por moradores de Olinda, no Grande Recife, ao se referir às obras de urbanização do Canal do Fragoso.

Passaram-se quase 13 anos e eles seguem sofrendo com os problemas dos alagamentos em períodos de chuva, mesmo com investimento de R$ 472 milhões.

Apesar das obras visarem a contenção de inundações, moradores que residem no entorno do Canal do Fragoso, principalmente no trecho próximo ao terminal de Casa Caiada, relatam que chegam a perder os móveis das casas por conta dos alagamentos do local

“Os próprios moradores daqui são o alarme para as inundações, pois não conseguimos dormir nesse período de chuva. Estou procurando casa para alugar nas redondezas, em um local que não alague”, destacou a massoterapeuta Andreia Neves, de 38 anos, que está abrigada na casa de uma “comadre”.

Segundo Andreia Neves, que reside na margem do Canal do Fragoso há cerca de 8 anos, os problemas do alagamento que invadiu sua residência são provocados por problemas de escoamento de águas pluviais e casos de transbordamento em trechos mais baixos ao longo do trajeto da bacia.

“Desde quando estreitaram o canal na entrada de Rio Doce, a água vai voltando para dentro da casa. Ela tem que ir para algum canto, então, está vindo para as nossas casas e transbordando em locais que são mais baixos. Essa obra deveria minimizar o transtorno, coisa que não está acontecendo”, destacou.

Os problemas com os alagamentos, que perduram anos, também afeta a vida de moradores de ruas que não estão nas margens do Canal, como é o caso do técnico em saneamento básico, Carlos Chaves, que reside na Rua Pedro Álvares Cabral há 34 anos.

“Toda essa água que faz com que a minha rua fique ilhada é em função da saturação do Canal do Fragoso. Não lembro quando foi que uma equipe da prefeitura [de Olinda] esteve lá para desobstruir de verdade as galerias”, conta.

“Como a água corre no sentido do canal, a proporção que o canal vai saturando, essa água vem dando retorno. Então, a nossa felicidade é que a chuva não foi ainda mais intensa. Ficamos à mercê do volume das chuvas”, explicou.

Apesar dos relatos, a Companhia Estadual de Habitação e Obras de Pernambuco (Cehab-PE) assegura que não houve transbordamento do canal na última terça (7).

O acúmulo de água teria sido registrado em pontos específicos de Jardim Atlântico é um fenômeno decorrente de uma característica topográfica da bacia, que conta com algumas edificações e ruas que estão instaladas em cotas (alturas) mais baixas que o nível do canal.

“Em momentos de chuva intensa combinada com maré alta, a rede de microdrenagem local encontra dificuldade física para escoar para dentro do canal, gerando acúmulo temporário nas ruas”, afirma trecho da nota da Cehab-PE.

Problemas na execução das obras

Outro relato comum entre os moradores é que as obras do canal foram feitas no sentido contrário ao que deveria, algo que acarretou o agravamento das inundações.

“Antes da obra, o máximo que acontecia era a rua ficar alagada, mas todo o transtorno, sofrimento e desgraça da população daqui da área começou depois da obra desse canal, que começou errada”, adianta Carlos Chaves.

“As primeiras chuvas fortes, em 2016, marcaram os grandes transtornos daqui”, completa.

O relato do morador coincide com a auditoria do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), de 2018, realizada após as fortes chuvas de 2016, na qual identificaram fragilidades na execução da obra, como falhas de projeto e planejamento, além de falta de cooperação entre os diversos órgãos públicos envolvidos no projeto.

A auditoria observou também que os serviços vinham sendo executados no sentido contrário ao que determinam as boas práticas construtivas para obras de macrodrenagem, neste caso, do Canal do Fragoso para a Ponte do Janga.

Isso fez com que, na época, houvesse um estrangulamento no escoamento das águas, acarretando no agravamento das inundações.

Além disso, o governo estadual, que investiu R$ 336 milhões nas obras, afirma que a construção de lagoas de retenção, previstas no projeto original de macrodrenagem, foram “excluídas em gestões passadas”, algo que dificulta a funcionalidade total do sistema.

Problemas com baronesas

Outro problema relatado pelos moradores é o acúmulo de baronesas (plantas bioindicadoras de poluição em ecossistemas aquáticos) nas áreas do canal próximas aos locais de obras.

Segundo o chaveiro Adson Santos, que trabalha há 30 anos no entorno da Bacia do Fragoso, essas baronesas dificultam o escoamento da água durante o percurso do canal, além da questão do aumento no número de mosquitos na localidade.

“Para piorar a situação do escoamento tem a questão das baronesas que se instalaram por aqui. Isso também dá uma freada na água que deveria correr. Isso acaba segurando a água e complica muito para a casa do pessoal e para os carros que trafegam”, explica o chaveiro, reforçando a preocupação com a dengue. “Aqui vira a casa dos mosquitos”, enfatizou.

Andamento das obras

De acordo com a Cehab-PE, as obras estão acontecendo na etapa 2A (Vias marginais e urbanização), localizado no trecho da PE-15 até a Ponte do Janga, e nas etapas 2B e 2C, que acontece em quatro novas pontes e trechos finais da obras.

O prazo é que a etapa 2A seja entregue no próximo mês, enquanto que as etapas 2B e 2C devem ser concluídas em dezembro de 2026.

“A Cehab-PE permanece com equipes em campo e segue à disposição da população de Olinda para garantir transparência e segurança em todas as etapas da intervenção”, finalizou a nota.

 DP

COMUNIDADE DO PILAR

Pertences de moradores da comunidade do Pilar, no Recife são retirados após desabamento

Dezessete imóveis na comunidade do Pilar foram interditados (Marina Torres/DP Foto)

Transferência de pertences começou nesta quarta (8); moradores seguem sendo orientados a deixar imóveis improvisados

 

As famílias que viviam em área de risco na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, começaram a ter seus pertences retirados nesta quarta-feira (8) pela prefeitura. A ação ocorre dois dias após o desabamento de um muro que deixou duas pessoas mortas e outras duas feridas.

A operação tem atuação integrada da Defesa Civil, Controle Urbano, Assistência Social, Habitação e Guarda Municipal. Três caminhões foram mobilizados para auxiliar na mudança dos moradores.

Segundo a gestão municipal, as dez pessoas que estavam abrigadas em uma creche já deixaram o local. Duas foram encaminhadas para o hotel social da prefeitura, enquanto outras oito optaram por se hospedar na casa de familiares e amigos.

Além disso, quatro moradores de imóveis na área atingida também saíram, sendo dois por iniciativa própria e dois com apoio da estrutura oferecida pelo município. Uma nova etapa de retirada está prevista para esta quinta-feira (9), enquanto equipes seguem atuando na conscientização e negociação com a comunidade.

Desabamento durante fortes chuvas

O desabamento ocorreu na segunda-feira (6), quando parte do muro de um casarão antigo cedeu durante as chuvas e atingiu casas construídas de forma improvisada. Moradores da própria comunidade iniciaram os primeiros socorros e conseguiram resgatar uma das vítimas com vida antes da chegada do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco.

As vítimas fatais foram identificadas como Simone Maria de Oliveira, de 53 anos, e Fabiano Lourenço de Araújo, de 45. Os sepultamentos ocorreram na terça-feira (7), no Cemitério de Casa Amarela, na Zona Norte da capital.

Duas pessoas ficaram feridas e foram socorridas para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby. As vítimas foram identificadas como Sidiclei, de 29 anos, e a companheira dele, Karolaine, de 31.

DP

CESTA BÁSICA

Recife tem a terceira maior alta da cesta básica entre as capitais do país em março, segundo Dieese

No Recife, entre fevereiro e março deste ano, a alta da cesta básica foi puxada pelo tomate (46,31%) (Foto: Sandy James/DP Foto)

Alta de 6,97% no preço da cesta básica no Recife foi puxado pelo preço do tomate, que registrou aumento de 46,31%


Em março deste ano, a cesta básica no Recife registrou alta de 6,97% - a terceira maior entre as capitais do país, atrás de Salvador (7,15%) e Manaus (7,42%). Os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (8).

A alta de preços na capital pernambucana segue a mesma tendência nacional, já que todas as capitais do país registraram alta no conjunto de alimentos básicos. O valor médio no Recife foi de R$ 654,62, a quarta cesta básica mais cara entre as capitais do Nordeste. A alta de 6,97% na capital de Pernambuco representou um acréscimo de R$ 42,64 em relação ao mês de fevereiro, segundo o levantamento - valor puxado principalmente pelo preço do tomate.

Segundo o Dieese, o trabalhador recifense remunerado pelo salário mínimo (R$ 1.621,00) precisou trabalhar 88 horas e 50 minutos para comprar a cesta básica em março. Em fevereiro, o tempo necessário de trabalho havia sido de 83 horas e 04 minutos. Já em março de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário era de 90 horas e 53 minutos.

Principais produtos

No Recife, entre fevereiro e março deste ano, a alta da cesta básica foi puxada pelo tomate (46,31%), seguido por feijão carioca (10,91%), banana (1,96%), pão francês (1,34%), leite integral (1,23%), carne bovina de primeira (1,10%) e arroz agulhinha (0,39%).

De acordo com o levantamento, os valores médios da farinha de mandioca e da manteiga permaneceram estáveis. Por outro lado, três itens apresentaram queda de preço: óleo de soja (-2,70%), café em pó (-1,72%) e açúcar cristal (-1,51%).

No acumulado dos últimos 12 meses, seis dos 12 produtos que fazem parte da cesta básica registraram alta: tomate (32,70%), feijão carioca (25,58%), carne bovina de primeira (8,47%), farinha de mandioca (6,35%), café em pó (6,11%) e pão francês (4,74%). No período, os produtos com queda nos preço foram: arroz agulhinha (-28,55%), banana (-17,35%), manteiga (-12,56%), açúcar cristal (-11,74%), leite integral (-6,66%) e óleo de soja (-2,70%).

Já no acumulado do ano, entre dezembro de 2025 e março de 2026, seis produtos registraram alta: tomate (85,57%), feijão carioca (24,50%), carne bovina de primeira (5,39%), farinha de mandioca (4,38%), pão francês (1,41%) e leite integral (0,17%). As quedas de preço foram registradas nos seguintes itens: banana (-11,85%), óleo de soja (-8,32%), arroz agulhinha (-8,16%), açúcar cristal (-4,63%), café em pó (-3,51%) e manteiga (-2,36%).

DP

URBANISMO

Drenagem, habitação, mobilidade: especialistas apontam principais desafios urbanísticos do novo prefeito do Recife

Especialistas apontam drenagem como um dos principais desafios de urbanização do Recife (Sandy James/DP Foto)

Procuramos especialistas em urbanismo para entender os principais desafios que o novo prefeito do Recife, Victor Marques, encontrará nos próximos dois anos


Drenagem, habitação e mobilidade estão entre principais desafios que o novo prefeito do Recife, Victor Marques, encontrou ao assumir a administração municipal, segundo especialistas ouvidos pelo Diario de Pernambuco. Com dois anos de mandato pela frente, o gestor terá que lidar com um complexo cenário, que combina problemas históricos de infraestrutura e mudanças climáticas.

Para Ronald Vasconcelos, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), assim como a maioria das cidades brasileiras, o Recife teve seu processo de reforma urbana estagnado em meados dos anos 1980. Nesse sentido, o urbanista destaca que a drenagem urbana deve ser encarada como prioridade.

“Resolvendo o problema da drenagem, resolvemos 70% dos problemas da cidade. A prefeitura vem atacando o problema através do programa ProMorar e precisa dar continuidade às obras em córregos e canais. Esse é um grande desafio diante das mudanças climáticas. Em abril, por exemplo, estamos presenciando chuvas acima da média para o mês”, afirma Vasconcelos.

O engenheiro pontua ainda que a questão habitacional também tem sido uma preocupação urbanística relevante, já que há poucos lotes disponíveis para construção e muitas casas localizadas à beira de rios, canais e em áreas de encostas. De acordo com a prefeitura, o déficit habitacional no Recife caiu de 71 mil para 54 mil entre os anos de 2017 e 2022.

A gestão municipal diz que, desde o primeiro mandato do prefeito João Campos, entregou 6 mil unidades habitacionais, em sete conjuntos. Além disso, a PPP Morar no Centro promete oferecer 1.128 unidades habitacionais, das quais 56% serão direcionadas para locação social na área central da cidade.

“Com a aprovação da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) chegamos ao número de 73 Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). São áreas com casas bem construídas e terrenos ocupados, mas quando você abre a porta para a rua, não há pavimento, drenagem, água, iluminação pública e esgoto adequados. Apenas dez dessas zonas foram urbanizadas”, coloca.

Desde 1987, o Recife conta com o Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social (Prezeis), um instrumento de política urbana voltado para buscar regularização fundiária e proteger os moradores dessas áreas contra a especulação imobiliária. “A política já existe, mas ainda anda devagar”, completa Vasconcelos.

Escuta e credibilidade

Para Lívia Nóbrega, professora de Arquitetura e Urbanismo da UFPE e vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em Pernambuco (IAB-PE), Victor Marques deverá recuperar a credibilidade com a cena urbanística da cidade, que, segundo ela, não tem se sentido ouvida nos processos decisórios da gestão municipal. “O fato de ele ser um desconhecido pode agravar a sensação de muita gente no nosso campo de que não há escuta. Os projetos aparecem, a gente sabe que eles cumprem todas as etapas, mas é tudo tão rápido que não dá tempo de assimilar e fazer contribuições”, pontua.

A professora menciona como exemplos os processos de debate das concessões do Distrito Guararapes, que contou com apenas uma audiência pública realizada em formato online, no dia 29 de outubro do ano passado. Durante a gestão João Campos, também foi concedida a administração de quatro parques públicos à iniciativa privada.

“Ele [Victor Marques] tem o desafio de conquistar a confiança de alguns setores, que estão abalados. Além disso, o prefeito vai precisar lidar com os efeitos práticos das concessões nos próximos anos. No Parque da Jaqueira, por exemplo, já existe uma mudança de público, com aumento do ticket médio de consumo”, diz Nóbrega.

Estrutura versus tempo

Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE), Roberto Salomão, destaca que as mortes causadas por um desabamento durante as chuvas na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, não devem ser tratadas como um evento isolado, mas consequências da situação estrutural da cidade. Ele reconhece que a prefeitura tem realizado intervenções de drenagem, limpeza de canais e monitoramento de áreas de risco, mas acredita que “a intensidade dos desafios ainda é maior do que a capacidade de resposta acumulada ao longo do tempo”.

Assim, Salomão defende que a gestão precisa operar em dois níveis simultâneos. “De um lado, consolidar e ampliar as ações estruturais já iniciadas [...] A exemplo da drenagem, contenção de encostas, urbanização de áreas precárias, reassentamento digno e adaptação climática”, afirma.

Ao mesmo tempo, complementa o urbanista, a gestão municipal deve manter e qualificar a zeladoria, em aspectos como limpeza de canais, manutenção de drenagem, monitoramento de risco e resposta rápida. “Governar o Recife hoje é lidar com três tempos simultaneamente: o tempo da urgência, o tempo das obras estruturantes e o tempo curto da política. E a qualidade dessa gestão será medida justamente pela capacidade de alinhar esses três tempos”, conclui Salomão.

O que diz a prefeitura

“O Recife tem desafios estruturais importantes, sobretudo por ser uma das cidades mais vulneráveis às mudanças climáticas. Por isso, a nossa prioridade é fortalecer a resiliência urbana, a proteção de vidas e o bem estar da população, com investimentos em drenagem, contenção de encostas, urbanização e habitação. Só na Ação Inverno 2026, estamos investindo R$ 381,8 milhões, o maior investimento da história da cidade nessa área.

Com o Promorar, maior programa de requalificação urbana e resiliência climática na história da capital pernambucana, estamos integrando drenagem, contenção de encostas, urbanização e habitação, olhando para os territórios de forma completa e não isolada. E um dos focos mais importantes desse trabalho é a bacia do Tejipió, uma das regiões que historicamente mais sofrem com alagamentos na cidade.

Estamos executando um conjunto de intervenções estruturadoras nessa bacia, com implantação de reservatórios, requalificação de canais, melhoria da microdrenagem e aumento da capacidade de escoamento das águas. São obras pensadas para reduzir, de forma consistente, os impactos das chuvas em áreas como Imbiribeira, Ipsep, Ibura e entorno da Avenida Recife.

Ao mesmo tempo, seguimos avançando com uma política permanente de proteção de áreas de morro. Desde 2021, já concluímos mais de 150 obras de contenção de encostas, com investimentos superiores a R$ 270 milhões, protegendo cerca de 18 mil pessoas. E seguimos com dezenas de obras em andamento, ampliando essa cobertura em áreas de risco em toda a cidade.

Na habitação, já são mais de 6 mil unidades viabilizadas entre entregues, em execução e em contratação. Estamos com novos conjuntos em andamento e outros sendo iniciados, além de projetos estruturadores que ampliam o acesso à moradia digna e ajudam a transformar áreas vulneráveis da cidade.

Nosso compromisso é seguir enfrentando problemas históricos da cidade com investimento, presença e capacidade de execução, preparando o Recife para conviver melhor com os eventos climáticos, avançar com mais qualidade de vida para as pessoas e preparar a cidade para o presente e para o futuro".

Marília Parente