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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

TENTATIVA DE GOLPE

STF: Flávio Bolsonaro chama ação de Dino de “tentativa de golpe”

Flávio Bolsonaro Foto: EFE/ Andre Borges



Ministro do Supremo autorizou operação da Polícia Federal relacionado ao filme Dark Horse



Nesta quinta-feira (10), o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, criticou a ação da Polícia Federal deflagrada para apurar suspeitas de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. O senador chamou de “tentativa de golpe” a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a Operação Make Up, realizada por suspeitas contra o filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou que já tinha comentado o assunto.

Eu já falo pro pessoal, ‘Está muito claro o cenário para mim, eu sou advogado, eu já entendi onde é que eles querem chegar. Eles vão tentar dar um golpe e vai ser pelo Flávio Dino’ – disse.

Dino é relator no Supremo de uma das ações sobre a produção.

– Para surpresa de zero pessoas, hoje, menos de 24 horas depois, ele dá essa decisão e autoriza essa pescaria probatória – afirmou Flávio Bolsonaro.

Flávio afirmou ainda que os recursos usados no filme eram privados e que a prestação de contas da produção já foi prestada à Justiça.

Henrique Gimenes 

ESCÂNDALO DO BANCO MASTER

No “ápice da baderna”, STF deve afastar Moraes e Gonet, diz Folha

Paulo Gonet e Alexandre de Moraes Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Editorial acredita que medida reestabeleceria ordem na Corte

 

A crise vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem forte relação com acúmulos de poderes entre os magistrados, e a melhor saída para arrefecer a situação é o afastamento de Alexandre de Moraes e Paulo Gonet. A opinião é de um editorial publicado nesta quarta-feira (9) pelo jornal Folha de S.Paulo.

O texto, que faz parte do editorial O que a Folha pensa, destaca a atuação de parte do colegiado em prol dos próprios interesses.

Anos de acúmulo de poderes sem limites nas mãos de juízes singulares produzem agora, no Supremo Tribunal Federal, a catarse da autoimolação. Como há subterfúgios para cada ministro praticar seus superpoderes em qualquer ato com uma canetada, chegou-se ao ápice da baderna — escreveu.

O editorial usa como exemplo negócios alinhados entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

— Quando a Polícia Federal e o jornalismo profissional expuseram que o mafioso Daniel Vorcaro fechou contrato extravagante com o escritório da família de Alexandre de Moraes e facilitou negócios de Dias Toffoli, os mísseis nucleares do direito começaram a ser disparados para a autoproteção dos superpoderosos — disse.

A publicação também destaca a divulgação de conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro com um contato que estaria associado ao ministro.

— A patologia se manifestou de novo quando o relator sorteado do inquérito, André Mendonça, divulgou relatório da PF identificando Moraes como a contraparte de diálogos de Vorcaro em tentativa de escapar das garras da lei — salientou.

Há destaque também para a ação de Moraes em resposta aos movimentos de André Mendonça que elucidaram sua relação com o banqueiro investigado na Operação Compliance Zero e o envolvimento do PGR, Paulo Gonet.

— A artilharia da autoproteção passou a mirar o relator. O procurador Paulo Gonet correu a declarar nulo o relatório em que aparece em flagrantes de intimidade com Vorcaro. Moraes apertou o botão do inquérito abusivo a ele atribuído em 2019, expôs o aparato policial que o auxilia nas sombras e deu publicidade a documento apócrifo com acusações especulativas contra Mendonça — declarou.

A Folha seguiu reforçando, por meio de metáforas, o momento delicado vivido pela Suprema Corte como consequência dos próprios atos do colegiado.

— Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino achou pretexto para meter sua colher arbitrária numa decisão alheia, anulou em ato monocrático o que a maioria da Segunda Turma validara e repôs [Andrei] Rodrigues no cargo. Empurrou a corte e o seu maior atributo, a credibilidade, para a beira do desfiladeiro — disparou.

Por fim, o texto sugere uma solução emergencial para arrefecer a crise.

— Os afastamentos de Moraes e Gonet seriam as medidas imediatas mais eficazes para iniciar o restabelecimento da ordem no STF. Como desprendimento não consta da biografia de ambos, cabe ao presidente da Casa, Edson Fachin, realizar com urgência sessão pública do plenário para examinar os fatos escabrosos que pesam sobre ministros — finalizou.

A sessão extraordinária que irá decidir sobre a validade dos relatórios da PF apresentados por André Mendonça, e se será aberta ou não uma investigação contra Alexandre de Moraes, acontecerá na próxima terça-feira (15), às 10h.

Kleber Pizão 

ELEIÇÕES 2026

Casas de 'previsão' já apostam na vitória de Flávio Bolsonaro

 

Polymarket (e), Kalshi (c) e Robinhood Markets (d) registraram virada de Flávio Bolsonaro sobre Lula. Foto: Captura

As principais plataformas mundiais de “previsão” e apostas já vislumbram vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A pouco mais de 20 dias do primeiro turno no Brasil, Polymarket, Kalshi e Robinhood registraram virada na disputa e apontam chances maiores de vitória do principal candidato de oposição sobre o atual presidente Lula (PT) do que de reeleição do petista, que liderava nas casas de apostas desde maio. O acesso a essas plataformas é proibido no Brasil desde abril.

Menos de um mês

Na Polymarket, Lula chegou a registrar 67% de chance de vitória a menos de um mês, em 16 de agosto. Derreteu para 45% ontem (10).

Quadro semelhante

Na Kalshi, que tem brasileira entre os executivos, Lula chegou a 67,5% de chance há um mês, quando Flávio tinha 26%. Virou para 55% a 44%.

Preditivo

Na Robinhood Markets as chances de Flávio dispararam 30 pontos entre agosto e setembro; foi de 24% para 55% de chance de vitória.

Cláudio Humberto


PARCEIROS DE SEMPRE

Lula deve muito a Moraes para ‘largar’ sua mão e fingir distância do ministro enrolado com Vorcaro

Lula (PT) quando condecorou o ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação

Foram tantas decisões de Alexandre de Moraes que ajudaram o projeto Lula (PT) de poder que fica difícil, mesmo para os padrões de canalhice da política brasileira, “largar a mão” do ministro do STF. Lula deve a Moraes até a recente reconciliação com Davi Alcolumbre: convocou o amigo “para um café” e fez dele seu articulador político. Moraes levou o presidente do Senado, quase sob vara, para beijar a mão de Lula. Não dá para Lula fazer o que fez à lobista Roberta Luchsinger, sócia do seu filho Lulinha, e dizer que Moraes lhe é estranho ou que mal o conhece.

Matou no peito

Moraes ocupou o espaço deixado pela esquerda durante o “furacão Bolsonaro”, cumprindo o papel de infernizar o governo do inimigo do PT.

Mão forte em 2022

Sem Moraes, e tantas decisões desfavoráveis ao adversário no TSE, até reduzindo-lhe tempo de TV, Lula talvez não tivesse sido eleito.

Caminho liberado

Depois, Moraes liderou as ações contra Bolsonaro, da inelegibilidade à prisão, removendo da campanha a maior ameaça à reeleição do petista.

Ideia inescrupulosa

Por tudo, seria desconfortável “largar a mão” de Moraes. A ideia dos ativistas, apresentada como “bastidor”, não faz sentido nem para Lula.

Cláudio Humberto

ESCÂNDALO DO BANCO MASTER

Mendonça atende a Fachin em 1 hora e abre sigilos do caso Vorcaro/Moraes ao plenário

Ministro do STF André Mendonça - Foto: Sophia Santos/STF.


Sigilo das investigações foi aberto para todos os ministros do Supremo


O presidente do STF, Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) que o ministro relator André Mendonça compartilhe com ele e os gabinetes de todos os ministros, em HD próprio, o conjunto de procedimentos contidos ou relacionados ao processo da investigação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em especial o material que foi extraído do seu celular documentando o relacionamento com o ministro Alexandre de Moraes. O objetivo é que os ministros cheguem à sessão extraordinária de terça-feira (15), quando decidirão sobre instauração de investigação, informados sobre todos os feitos. Mendonça atendeu prontamente e em menos de 1 hora o material já havia sido enviado, e ainda providencia cópia integral dos autos para cada ministro.

Fachin uma ressalva: permanecem secretas apenas as diligências cujo sigilo seja indispensável à execução da medida. E pediu a mesma providência quanto ao polêmico afastamento do diretor-geral e do diretor de Inteligência da Polícia Federal dos seus cargos. Esses assuntos estão na pauta da sessão extraordinária da próxima terça-feira (15), tudo isso no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero sobre o Banco Master. O documento determina a publicação da ordem e está datado de Brasília, 10 de setembro de 2026.

A petição citada por Fachin (Pet 16.662) reúne material da Polícia Federal extraído da investigação contra Daniel Vorcaro, controlador do Master, incluindo relatórios sobre uma suposta rede de influência, mensagens e registros de contatos com integrantes da Corte. Esse material está no centro da crise recente no Supremo, que opôs as atuações de André Mendonça e Alexandre de Moraes e levou a decisões conflitantes sobre a cúpula da PF. A sessão do dia 15 deve apreciar esses elementos.

Na prática, Fachin quer que o plenário tenha acesso amplo às peças que originaram o conflito institucional antes do julgamento. O sigilo só fica preservado onde a quebra puder comprometer diligências em andamento. A remessa em HD próprio busca reunir, de forma organizada, o acervo da Pet 15.556 e dos procedimentos conexos para a Presidência e os demais gabinetes.

Veja a petição assinada por Fachin:

ELEIÇÕES 2026

"Filhote da ditadura" e "machista": sabatina ao Senado é marcada por troca de ataques

Candidatos às duas vagas por Pernambuco discutiram democracia, educação e saúde e foram cobrados sobre alianças e trajetórias políticas (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Candidatos divergiram sobre democracia, educação e alianças políticas em encontro promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, Diario de Pernambuco e TV Nova Nordeste


Alianças, rompimentos, passagens por governos e posições sobre episódios da história recente do país atravessaram a sabatina com os candidatos ao Senado por Pernambuco, nesta quinta-feira (10). Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD) revisitaram trajetórias políticas e expuseram diferenças sobre educação, saúde, democracia e a relação entre os Poderes. O encontro foi promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste.

Em diferentes momentos, as divergências deram lugar a confrontos diretos. Humberto e Mendonça trocaram acusações sobre seus históricos políticos; Marília e Túlio protagonizaram uma discussão que terminou com uma acusação de machismo; e Marília também confrontou Mendonça sobre a ditadura militar e os atos de 8 de Janeiro. Mendonça e Eduardo, por sua vez, entraram em choque quando o candidato do PL pressionou o adversário a revelar seu voto para presidente. Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Raquel Lyra (PSD) também permearam boa parte das discussões.

Humberto adotou um dos discursos mais ácidos da sabatina. Ao mirar Mendonça, afirmou que o adversário tenta esconder sua vinculação política aos governos Temer e Bolsonaro e atribuiu às duas gestões decisões que, segundo ele, prejudicaram Pernambuco. “Entendo que ele esconde Michel Temer, Bolsonaro. Prejudicaram profundamente Pernambuco. Fecharam estaleiros, privatizaram a Chesf”, afirmou.

A passagem de Mendonça pelo Ministério da Educação, durante o governo Temer, elevou a temperatura. Humberto chamou o adversário de “Mendonça mãos de tesoura” e o acusou de cortar recursos da área, além de citar políticas como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e as cotas.

Mendonça rebateu. “Você falseia a verdade”, afirmou. O candidato disse ter orgulho da passagem pelo Ministério da Educação e voltou a atacar Humberto: “Você continua mentindo”.

O ex-ministro também reivindicou coerência em sua trajetória política. Disse que sempre esteve no campo da direita e que fez oposição aos governos petistas no plano nacional e ao PSB em Pernambuco. Na eleição deste ano, Mendonça apoia Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência e Raquel Lyra para o Governo de Pernambuco.

Marília acusa Túlio de machismo

Outro dos momentos mais tensos ocorreu entre Marília Arraes e Túlio Gadêlha. Ao falar sobre a atuação política da adversária, Túlio mencionou desentendimentos de Marília com nomes da família Campos e com o próprio PSB e contrapôs essas disputas ao que considera serem as “brigas” que um parlamentar deve comprar.

O candidato citou como exemplo a defesa do fim da escala de trabalho 6x1 e o combate à desigualdade. Na sequência, afirmou que “briga de classe política não leva a nada”, em uma crítica à adversária.

Marília reagiu imediatamente. “Eu vou brigar muito por Pernambuco. Tenho coragem de enfrentar situações muito adversas. Não arredo nem para um trem”, afirmou. A candidata disse que o eleitor não está interessado em “picuinha” e classificou a fala de Túlio como machista. Segundo Marília, mulheres que mantêm posições firmes são frequentemente classificadas como “brigonas”.

“Quando uma mulher é firme nas suas convicções, ela é chamada de brigona”, rebateu. Marília afirmou ter sido vítima de “machismo estrutural” ao longo de sua trajetória política e classificou a colocação do adversário como “extremamente machista”.

A resposta terminou com uma provocação direta: “É uma pena, Túlio. O seu eleitor não merecia que você

Ditadura, 8 de Janeiro e STF

Marília Arraes e Mendonça Filho protagonizaram um embate sobre a ditadura militar, os atos de 8 de Janeiro e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Questionado pela candidata, Mendonça classificou o golpe de 1964 como uma “ruptura democrática” e reconheceu a existência de mortos, torturados e presos políticos durante o regime.

“Isso está demonstrado pela história, é evidente. Eu não nego a história”, afirmou. Ao falar sobre o 8 de Janeiro, no entanto, Mendonça criticou a condução dos processos pelo STF e alegou que houve desrespeito ao devido processo legal. Apesar das críticas, disse ser um “democrata” e afirmou que sempre se posicionou contra a depredação do patrimônio público.

Na sequência, Marília partiu para o ataque. “Mendonça Filho hoje se coloca como democrata, mas, na verdade, ele é um filhote da ditadura”, afirmou. Segundo a candidata, a trajetória política do adversário seria fruto de pessoas que apoiaram um regime “que matou, que torturou, que prendeu pessoas simplesmente por pensarem diferente”.

Marília também relacionou a crítica à votação da chamada PEC da Blindagem. Mendonça contestou a acusação e afirmou que não votou na proposta “na concepção” apresentada pela adversária, mas defendeu que parlamentares não sejam perseguidos pelo uso da palavra.

A candidata chamou a proposta de “PEC da bandidagem” e afirmou que jamais votaria por qualquer tipo de blindagem. Mendonça, por sua vez, voltou a criticar o Supremo, que classificou como um “tribunal político”, e disse que a Corte tem interferido no funcionamento do Congresso e na vida política do País.

Mendonça pressiona Eduardo sobre voto para presidente

A eleição presidencial também produziu um dos confrontos mais prolongados da sabatina. Mendonça questionou Eduardo da Fonte sobre sua relação com o governo Lula e cobrou do adversário uma declaração explícita sobre quem apoiará para a Presidência da República.

Mendonça fez a pergunta diretamente: “Qual é o seu voto para presidente da República?”. Eduardo evitou declarar apoio a um dos presidenciáveis. “Eu voto em Pernambuco”, respondeu, acrescentando que está ao lado de Raquel Lyra e que pretende defender o governo estadual no Senado.

Mendonça insistiu. “Qual é a sua posição com relação ao voto para presidente da República? Esse voto é Flávio, Lula ou Caiado? Qual é o seu voto?”. “Eu voto pela saúde do povo de Pernambuco”, respondeu Eduardo.

O candidato do PL criticou a ausência de uma resposta objetiva. “Eu acho lamentável que um candidato ao Senado Federal, diante do povo pernambucano, não tenha clareza das suas posições políticas”, afirmou.

Educação divide Paulo Rubem e Túlio

Nem todos os confrontos ficaram restritos a trajetórias e alianças eleitorais. A situação da educação pernambucana colocou Paulo Rubem Santiago e Túlio Gadêlha em posições distintas sobre a gestão estadual.

Paulo Rubem apresentou um diagnóstico crítico. Segundo o candidato, quase metade dos professores das redes públicas estadual e municipais trabalha sob contratos temporários. Ele também criticou a política salarial da categoria, afirmando que o piso acaba funcionando como teto, e chamou atenção para o analfabetismo no Estado.

“Temos um outro problema seríssimo em Pernambuco. O estado tem quase 1 milhão de analfabetos, o estado pouco investe na educação de jovens e adultos”, afirmou.

Túlio reconheceu a existência de desafios, mas contrapôs o diagnóstico com uma defesa das políticas da gestão Raquel Lyra. “Sem dúvida, é muito importante entender que temos desafios pela frente. Nós precisamos e podemos melhorar a qualidade da educação, mas a gente não pode deixar de reconhecer programas importantes”, afirmou.

O candidato citou investimentos na alimentação dos estudantes, reformas, climatização de escolas e qualificação dos professores. Para Túlio, a rede estadual passa por uma “transformação” impulsionada pelo aumento dos investimentos.

Disputa ainda em aberto

A corrida pelas duas vagas ainda tem um contingente expressivo de eleitores a conquistar. Na pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8), Marília aparece numericamente à frente, com 17% das intenções de voto, seguida por Humberto, com 14%, e Mendonça, com 11%. Os três estão tecnicamente empatados considerando a margem de erro de três pontos percentuais. Eduardo da Fonte registra 7%, Túlio Gadêlha, 4%, enquanto Paulo Rubem não pontuou.

Os indecisos somam 27%, percentual superior ao alcançado individualmente por qualquer candidato, enquanto 18% indicam voto branco, nulo ou que não pretendem votar. O cenário ganha ainda mais peso em uma eleição na qual cada eleitor poderá escolher dois candidatos: na pesquisa espontânea, 78% não souberam citar um nome para o Senado.

Alexandre Cunha

SANTA CRUZ - NOVA SAF TRICOLOR

Conselho ratifica operação da nova SAF do Santa Cruz; antigo grupo entra com ação extrajudicial

Novos investidores com presidentes do Conselho e Executivo do Santa Cruz (Evelyn Victoria/SCFC)

Com presença de investidor internacional, Conselho confirmou a transferência das ações para a Matix


O processo de transformação do Santa Cruz em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) avançou mais um estágio. O Conselho Deliberativo da Cobra Coral ratificou a operação da nova SAF do clube em reunião extraordinária realizada na noite desta quinta-feira (10).

O encontro aconteceu na sede do Arruda e contou com a presença do presidente Bruno Rodrigues, do presidente do Conselho Deliberativo, Victor Pessoa de Melo, representantes do Grupo Matix e investidores nacionais e internacionais envolvidos no projeto. Os valores previstos para a operação seguem os mesmos: R$ 1 bilhão em 15 anos.

Durante a reunião, os conselheiros aprovaram a operação que transfere para o Grupo Matix o controle de 90% das ações da Cobra Coral S.A. A nova estrutura marca uma mudança no comando da SAF tricolor.

Entre os nomes presentes estiveram Thairo Arruda, que será o CEO da SAF e também participará como investidor, e Paraj Tyle, empresário americano de origem indiana que participou do encontro representando a família Tyle.

Thairo e Paraj foram recebidos pelo presidente e pelo vice-presidente do Conselho Deliberativo, Victor Pessoa de Melo e Álvaro Maia, respectivamente, e pelo presidente executivo do clube, Bruno Rodrigues.

Durante a reunião, foram apresentados os principais pontos da operação, que prevê a transferência das ações da Cobra Coral Participações S.A. para o Grupo Matix.

Investidor internacional

Paraj é formado em Economia pela Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, e também estudou na Yale School of Management.

Em sua trajetória profissional, aparece ligado à PTA Ventures LLP, empresa com atuação na Índia.

O empresário é parente de Sheel Tyle, empresário e investidor que integra o grupo de proprietários do Portland Trail Blazers, franquia que disputa a NBA. A família Tyle possui histórico de investimentos em diferentes áreas.

Thairo Arruda será o CEO da SAF

Thairo Arruda será o CEO da SAF do Santa Cruz e também participará como investidor do projeto.

O executivo ganhou projeção no futebol brasileiro durante sua passagem pelo Botafogo, onde ocupou o cargo de CEO da SAF após a transformação do clube em empresa.

Arruda participou da estruturação do projeto comandado pelo empresário John Textor e esteve envolvido em decisões estratégicas da operação alvinegra.

Durante sua gestão, acompanhou o processo de reconstrução administrativa e financeira do Botafogo, período marcado pelas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores, em 2024.

Repasse financeiro

De acordo com a ata apresentada pelo Conselho Deliberativo, a Matix adquiriu 90% das ações da Cobra Coral S.A., enquanto os 10% restantes permanecem com o Santa Cruz Futebol Clube, conforme determina a legislação.

Com a operação, a empresa também assumiu os direitos e obrigações previstos no contrato original de compra e venda das ações, firmado em janeiro de 2025.

O acordo mantém a projeção de receitas de até R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos, considerando tanto os valores gerados pelo clube, como bilheteria, sócios, patrocínios e direitos de transmissão, quanto os aportes realizados pelos investidores.

A SAF também seguirá uma estrutura de garantias mínimas de faturamento anual, de acordo com a divisão do Campeonato Brasileiro em que o Santa Cruz estiver. Em 2026, por exemplo, o valor mínimo previsto é de R$ 36 milhões.

Em entrevista na última terça-feira (8), Bruno comentou que os investidores poderão aportar R$ 11 milhões ainda em 2026, sendo R$ 6 milhões para quitar débitos com o elenco e R$ 5 milhões para obras emergenciais no Estádio do Arruda.

Sexto aditamento

Uma das questões que mais gerou debates e especulações foi o sexto aditamento ao contrato da SAF do Santa Cruz.

Durante a apresentação, foi informado que a Matix, ou seus sócios, administradores e garantidores, deverá comprovar R$ 50 milhões em ativos líquidos até o fim de setembro, além de R$ 100 milhões em ativos totais até a constituição da SAF.

Essa análise será feita pelo próprio clube, com seus assessores.

Notificação extrajudicial

A operação também foi alvo de questionamentos por parte de Iran Barbosa, empresário e antigo investidor da SAF do Santa Cruz por meio da Cobra Coral S.A.

O ex-investidor apresentou uma notificação extrajudicial envolvendo uma possível impugnação do negócio relacionado à nova SAF.

A informação foi divulgada pelo Podcast Beberibe 1285 e confirmada pela reportagem do Diario de Pernambuco.

Segundo apuração do DP, Iran Barbosa teria apontado possíveis ilegalidades no processo de transferência das ações da Cobra Coral Participações, levantando questionamentos sobre a validade da operação.

Investidores terão encontro com a imprensa

Nesta sexta-feira (11), o Santa Cruz realizará uma roda de conversa com profissionais da imprensa e os investidores da nova SAF. O encontro está marcado para as 12h, no Auditório Aristófanes de Andrade, no Arruda.

A atividade foi organizada pelo clube com o objetivo de apresentar mais informações sobre o projeto e permitir que os investidores detalhem outros aspectos da operação que está sendo estruturada no Santa Cruz.

Ivan Mota

SPORT - COMEMORANDO A VITÓRIA

Soso celebra vitória e reencontro com a torcida do Sport: "Fiquei muito emocionado"

Mariano Soso, técnico do Sport (Paulo Paiva/SCR)

Treinador voltou ao clube com vitória e destacou atmosfera do estádio em sua primeira experiência à beira do campo


A reestreia de Mariano Soso no comando do Sport teve um componente que foi além da vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta, nesta quinta-feira (10), pela 27ª rodada da Série B.

Pela primeira vez à beira do gramado da Ilha do Retiro como treinador rubro-negro, o argentino voltou a sentir de perto o calor da torcida. O reencontro, segundo o próprio comandante, foi marcado pela emoção.

“Eu fico com minha primeira experiência na Ilha, todos sabem que eu fico muito feliz de voltar para o Sport. Foi uma experiência muito boa. Coloquei minha atenção no jogo, mas senti o calor da nossa torcida”, afirmou Soso.

O treinador também revelou ter se emocionado com o momento antes da partida, quando as luzes da Ilha foram acesas e ele pôde vivenciar, pela primeira vez, a experiência de comandar o Sport diante da torcida no estádio. Para Soso, a proximidade entre arquibancada e campo cria uma atmosfera diferente daquela encontrada na Arena de Pernambuco.

“Eu fiquei muito emocionado, sim. É muito perto, a torcida está muito perto. É uma experiência muito contrastante com ter jogado na Arena”, disse.

Análise da partida

Apesar do componente emocional, Soso ressaltou o curto período que teve para preparar a equipe. O treinador assumiu o Sport na quarta-feira e contou com apenas um treinamento antes da partida contra a Ponte Preta.

Por isso, boa parte da preparação foi feita de maneira teórica, com conversas e orientações para que os jogadores compreendessem rapidamente aquilo que seria necessário executar dentro de campo.

“Eu quero parabenizar o grupo de jogadores, que tiveram uma disposição, uma boa disposição de nossa chegada. Foi um jogo que tivemos que fazer muito planejamento teórico, não tivemos tempo para treinar. Nós assumimos ontem, tivemos apenas um treino com eles”, explicou.

Para o argentino, o principal mérito da equipe esteve justamente na capacidade de absorver o plano de jogo e demonstrar uma postura diferente. Soso destacou o esforço dos atletas e a disposição para competir, especialmente nos duelos.

“Eu acho que os jogadores hoje manifestaram uma atitude que mudou a atitude do time, principalmente por causa dos jogadores que fizeram muito esforço e também tiveram muito respeito pelo plano de jogo”, afirmou. 

Defesa ainda precisa evoluir

Se a postura e a organização ofensiva agradaram, Soso reconheceu que a defesa é um setor que ainda exige trabalho.

“Defensivamente sempre tem coisa para melhorar, muito, muito”, resumiu.

Soso valorizou o número de duelos vencidos e a combatividade apresentada pelos jogadores, mas entende que esse comportamento precisa ser mantido nas próximas partidas, sobretudo diante de adversários mais fortes.

“Hoje, eu acho que os jogadores venceram mais duelos, isso é para valorizar, mais combativo, brigaram mais, lutaram mais”, disse.

Gabriel Farias