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sábado, 5 de setembro de 2026

DEPUTADO NIKOLAS FERREIRA

“Mendonça tem que dar voz de prisão a Moraes em plenário”

Deputado federal Nikolas Ferreira Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados



Nikolas Ferreira se manifestou após investida de Moraes



O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tem que dar voz de prisão ao colega de Corte Alexandre de Moraes. A declaração é dada em meio à crise instaurada no STF.

Mendonça tem que dar voz de prisão ao Moraes em plenário – escreveu Nikolas, no X nesta quinta-feira (3).

A publicação foi feita logo após Moraes pedir ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que Mendonça seja investigado.

Segundo Moraes, há “indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” pelo ministro André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS.

Moraes, no entanto, utilizou um relatório da Polícia Federal (PF) classificado pela própria corporação como sem “valor probatório” para fundamentar a decisão em que atribui a Mendonça três supostos crimes relacionados à condução do caso Banco Master.

Monique Mello 

SÓ NO BRASIL ACONTECE ISSO

Gonet será investigado por conselho que ele preside e o vice é irmão de Flávio Dino

Paulo Gonet, procurador-geral da República - Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE).

Próximo passo deve ser ouvir Gonet sobre as referências a ele no relatório da PF


O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu um procedimento interno para analisar mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A medida é vista com desconfiança porque o Conselho é presidido pelo próprio Gonet, muito embora o pedido do Partido Novo tenha sido encaminhado ao vice-presidente, Nicolao Dino. E este é irmão do ministro do STF Flávio Dino.

A medida atende a um pedido de deputados do Partido Novo, protocolada na quarta-feira (2). O caso foi distribuído ao conselheiro Francisco de Assis Sanseverino, que será o relator. Segundo integrantes do MPF, o próximo passo deve ser ouvir Gonet sobre as referências a ele. Relatos posteriores indicam prazo de até dez dias para o PGR se manifestar.

Os parlamentares pediram a designação de um subprocurador-geral da República para atuar em procedimentos do caso Master que eventualmente envolvam Gonet. Argumentam que parte do material aponta interlocuções que teriam como destinatários o próprio PGR ou pessoas de seu núcleo familiar. O ofício cita tratativas para reforçar contatos com autoridades e um convite a um familiar de Gonet para evento no exterior, com despesas que seriam custeadas por empresas ligadas ao investigado.

O material integra relatório da Polícia Federal enviado ao STF e tornado público pelo ministro André Mendonça. As conversas teriam sido intermediadas pelo advogado Ciro Soares. Em março de 2025, por exemplo, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet com o recado de que o procurador-geral queria falar com ele; em seguida, a PF registrou ligações. Dias depois, o advogado encaminhou mensagens que teriam sido escritas por Gonet.


O FORTALECIMENTO DE ANDRÉ MENDONÇA

‘Consórcio de Lula com ministros do STF tenta isolar Mendonça, e isso é bom para ele

Ministro André Mendonça (STF) - (Foto: Luiz Silveira/STF).


Quanto mais o sistema estrebucha, mais a opinião pública o vê como juiz que não se dobra aos poderosos


André Mendonça logo se firmou como um dos mais admirados ministros do Supremo, por sua coragem, decência, rigor técnico e serenidade nas relatorias das fraudes bilionárias contra aposentados do INSS e clientes do Banco Master, atingindo poderosos em cheio, incluindo colegas. A turma que compartilha o poder no Brasil – Lula (PT), lulistas do STF e o presidente do Senado – tentam a isolar Mendonça, mas isso o fortalece: quanto mais o sistema estrebucha, mais a opinião pública o vê como juiz que não se dobra aos poderosos e inspira temor em cada um deles.

Inspirando confiança

A firmeza com que enfrenta o dilema de investigar o poder ou preservar o poder é o que o tornou, para os brasileiros, figura de confiança.

Reconhecimento

Agora, aonde chega, em eventos jurídicos ou nos cultos semanais de sua igreja em São Paulo, o tímido ministro André se vê ovacionado.

Tudo a seu tempo

Até mesmo antipetistas compreendem seu cuidado no caso envolvendo tráfico de influência e corrupção Lulinha, filho de Lula (PT).

Dilema do STF

Dividido entre relatoria e retaliação, o STF tem outro dilema: preservar ou hostilizar quem é sua esperança de reconquistar respeito e confiança.

Cláudio Humberto

INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Justiça Eleitoral manda PF investigar origem de foto de cartaz com ataques a Raquel Lyra

PF deve investigar caso (Foto: Reprodução / Polícia Federal)

Decisão judicial determina apuração sobre produção e envio de imagem de panfleto apócrifo e ordena preservação de dados do portal Bastidor.PE e da Meta


A Justiça Eleitoral determinou que a Polícia Federal (PF) aprofunde as investigações sobre a origem da fotografia de um panfleto apócrifo com ataques à governadora Raquel Lyra (PSD), que circulou nas redes sociais no último domingo (30).

A decisão acolheu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco, do candidato João Campos (PSB) nesta sexta-feira (4), respaldados por parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.

O documento, assinado nesta sexta-feira (4), pela juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva, abriu uma nova frente de apuração para esclarecer a autoria e a divulgação da imagem, além de determinar se o cartaz chegou a existir fisicamente em espaço público ou se a publicação foi fruto de manipulação ou fabricação digital.

A Frente Popular argumenta que o perfil Bastidor.PE publicou a única foto do panfleto que cita o empresário Fernando Lucena, falecido marido da governadora. A coligação aponta ainda que os fundadores do portal foram assessores comissionados da gestão estadual, sendo um deles identificado como atual videomaker da campanha à reeleição de Raquel Lyra.

Determinações da Justiça

A PF deverá identificar o autor da foto, data, local de captação, o responsável pelo envio do arquivo ao Bastidor.PE e eventuais edições feitas antes da postagem. O arquivo original também passará por perícia técnica.

A ordem judicial estabelece que o portal e seus administradores entreguem à PF, em até 48 horas, o arquivo digital original em formato nativo (sem compressão ou alterações), acompanhado dos metadados (dados EXIF, equipamento utilizado e coordenadas geográficas).

A magistrada também determinou que a Meta (empresa responsável pelo Instagram) preserve os dados e registros de acesso ligados à publicação no perfil @Bastidor.PE no período entre 25 de agosto e a data de cumprimento da decisão.

Caso a Polícia Federal considere necessária a apreensão de celulares ou computadores dos envolvidos, deverá apresentar um novo pedido formal ao Juízo.

Após as diligências iniciais, a Polícia Federal deverá encaminhar um relatório à Justiça Eleitoral informando o resultado das apurações.

DP

VORCARO AFIRMA QUE FOI TORTURADDO

Caso Master: Vorcaro afirma que houve "vazamento seletivo" de informações

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Banco Master)

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro ainda disse não ter perfil violento e garantiu: "nunca fiz nada contra ninguém"


Durante o depoimento ao juiz auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, alega que houve “vazamento seletivo desde o começo” de mensagens e trechos do inquérito relativos ao Caso Master. A declaração de Vorcaro foi feita para o juiz João Azambuja, no último dia 27 de agosto na Papudinha, em Brasília, onde o banqueiro está preso.

O banqueiro ainda rejeitou de forma veemente possuir um perfil violento. Segundo ele, essa é uma "narrativa fabricada" para desumanizá-lo perante a opinião pública e o Judiciário.

Vorcaro também alegou ter sofrido maus-tratos e “torturas” como forma de intimidação. Confira trechos do depoimento do banqueiro.

“Vazamento seletivo” de informações

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR (Procuradoria-Geral da República), como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos. E, sinceramente, todos aqui estão sendo intimidados, mesmo que seja indiretamente.”

“Toda a narrativa que veio sendo feita é que eu não colaborei com as investigações porque eu não relatei fatos importantes, quando, na verdade, é justamente o oposto. Eu venho sofrendo retaliações para que eu não colabore com a Justiça desde o início. E a minha prisão é o primeiro fato efetivo que comprova isso.”

“Toda essa destruição (da reputação), infelizmente, ela é uma cortina de fumaça para que os verdadeiros fatos do caso não venham à tona. Expor conversas com a minha noiva, expor conversas pessoais, expor questões de foro privado, íntimo, desde o começo foi efetivamente feito para que não se concluísse ou se não alcançasse uma efetiva colaboração de minha parte.”

Narrativa de perfil violento

“O meu interesse é que o caso seja direcionado efetivamente para o foco que ele deve ter, e não fosse estar sendo dado, a exemplo, a exemplo da narrativa de violências, de milícias, de coisas que são completamente e vão ser provadas que efetivamente não existiram. Não existiram ameaças, não era o meu perfil, quem me conhece sabe. Existiu, sim, uma série de medidas de defesa que eu fiz em relações que foram construídas, mas que foram, no final, infrutíferas, porque aqui estou preso e com o banco que foi liquidado.”

“Para todos que me conhecem de verdade, esse assunto seria até cômico se não fosse essa tragédia que eu estou vivendo, porque é literalmente o oposto do que eu sou. Nunca me envolvi no meio do crime, eu nunca tirei uma arma. Eu nunca fiz nada contra ninguém. A polícia pegou no meio (...) No meio de centenas de milhares de mensagens, eles pegam mensagens que eu mandei esbravejando ali (...) Mas quando atacaram, fizeram coisa com a minha filha, eu esbravejei em momentos ali aleatórios. Em centenas de milhares de mensagens, tem quatro ou cinco mensagens que tiram, que eu esbravejei. (…) é estarrecedor, porque, logo depois, eu já falo que esquece isso aí, não sei o quê, estava nervoso. É estarrecedor o que foi feito de narrativa comigo, porque eu sou uma pessoa menos violenta que possa haver, eu pessoa que sou chamada para resolver conflitos. (...) Eu nunca fiz nada contra ninguém. Aquilo ali é uma deturpação completa da verdade e, na minha opinião, desde lá de trás, o interesse de criar um personagem de violência, de não sei o quê, para ficar preso e calado.”

“Tortura”, intimidações e maus-tratos

“Depois da minha segunda prisão, a exposição se tornou ainda maior. Desde o começo, as equipes, todos os transportes das diversas unidades prisionais que eu me encontrei, eu sofri ameaças, intimidações e temi pela minha vida.”

“Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso. Isso em um transporte, quando eu saí de São Paulo, que ia vir para Brasília.”

“Então, nesse transporte, eu sofri essa questão física. Durante os transportes ou os intervalos ali em aeroporto e transporte aéreo, eu sofri falas: Tá vendo? Quer mexer com... querer mexer com... querer mexer com os patrões, agora sua vida vai virar um inferno. Nesse momento eu estava me dirigindo à Penitenciária Federal, que, me desculpe, doutor, eu sei que a decisão proferida pelo gabinete era no interesse de me resguardar, resguardar a minha vida, mas o pedido da Polícia Federal não foi para isso. O pedido foi para me deixar calado, trancafiado e isolado, inclusive dos meus advogados.”

“Quando eu chego nas dependências da Polícia Federal, eu estava com muito medo, não sabia o que me aguardava. O que o meu advogado tinha relatado é que eu iria para um local, depois de tudo que eu tinha passado, todas as mazelas físicas, eu ia para um local que era o mesmo que o ex-presidente tinha ficado e que eu teria condições de conversar com os advogados. Mas, para minha surpresa, eu chego lá e fui colocado lá no calabouço que tem lá na Polícia, que é uma cela transitória, que as pessoas ficam horas, uma noite ou duas noites. E ali também sofri algumas intimidações, fui privado de comida, de água, por um dia, e toda hora alguma pessoa passava para falar alguma coisa.”

“Antes daqui (prisão na Papudinha, em Brasília), eu fui torturado. Essa é a realidade. Eu fui torturado psicologicamente, fisicamente em outros casos. E, desde que eu vim para cá, graças a Deus, eu não tive mais nenhum tipo de problema.”

"Toda essa destruição, infelizmente, ela é uma cortina de fumaça para que os verdadeiros fatos do caso não venham à tona."

Cynthia Morato

OPERAÇÃO VASSALOS

Após operação da PF, Prefeitura de Petrolina empenhou mais de R$ 37,5 mi para empresa investigada

Simeão Durando, prefeito de Petrolina (PH J.S Fotos/Flickr)

Em inquérito da PF, a Liga Engenharia é apontada como pivô de um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Petrolina; prefeito, que é investigado no caso, não respondeu


A Liga Engenharia Ltda, construtora investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de desvio de recursos públicos, já foi favorecida com mais de R$ 37,5 milhões em empenhos da Prefeitura de Petrolina, no Sertão pernambucano, nos seis meses após a primeira fase da Operação Vassalos. A ação, que apura as supostas irregularidades, foi deflagrada em 25 de fevereiro.

A informação está disponível no portal Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), o mesmo banco de pesquisa usado pela PF na investigação. Segundo a ferramenta, a Prefeitura de Petrolina, que é comandada por Simão Durando (UB), um dos alvos da operação, registrou mais 10 empenhos à empresa, que somam R$ 37.536.107,51, apenas no período entre 8 de abril e 23 de julho, meses seguintes à ação policial.

Do total, R$ 7.106.351,54 foram liquidados e R$ 4.692.052,07, pagos. Esses valores seriam relativos a obras e serviços de manutenção de praças, parques e vias da cidade, de acordo com o Tome Conta.

Instaurado em 2023, o inquérito que deu origem à Operação Vassalos corre sob sigilo e continua em andamento. Nele, a Liga Engenharia é apontada como a principal beneficiada de um suposto esquema envolvendo licitações direcionadas e contratos com indícios de superfaturamento. Fraudes, lavagem de dinheiro e organização criminosa estão entre os crimes apurados.

A investigação

Segundo a PF, a Liga Engenharia teria ligação com o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e com filhos dele, o deputado federal Fernando Coelho Filho (UB) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB), que esteve à frente do município de 2017 a 2022 e de quem Durando era o vice antes de assumir a prefeitura. Todos são investigados no caso.

No inquérito, a principal suspeita é de que os parlamentares tenham direcionado verbas, por meio de emendas ou Termos de Execução Descentralizada (TEDs), para órgãos públicos ligados ao grupo, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Segundo a PF, os recursos teriam sido usados para custear contratos com a construtora após a celebração de convênios em Petrolina.

Em 30 de janeiro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal, que foram cumpridos no mês seguinte. O ministro, no entanto, não decretou prisões nem determinou a suspensão do direito da Liga Engenharia de participar de licitações ou celebrar novos contratos com o poder público.

Procurada, a Prefeitura de Petrolina não respondeu à reportagem sobre os novos empenhos realizados. Já Fernando Bezerra Coelho, Fernando Filho e Miguel Coelho, que já negaram irregularidades anteriormente, não quiseram comentar. A construtora também não respondeu.

Liga Engenharia

De acordo com a investigação, a Liga Engenharia pertence a dois “familiares por afinidade” dos Coelho e teria vivido uma “meteórica ascensão” durante a gestão de Miguel em Petrolina. Em 2017, primeiro ano da administração, a construtora era a 27ª maior fornecedora da Prefeitura, com R$ 1,3 milhão em pagamentos. Em 2024, já na gestão Durando, passou à primeira posição, com R$ 59,8 milhões empenhados e R$ 55 milhões pagos, segundo dados citados pela investigação.

Entre 2017 e 2021, o município também foi beneficiário de pelo menos 27 convênios com o Ministério do Desenvolvimento Regional, o antigo Ministério da Integração Nacional, ou com a Codevasf, de acordo com a PF.

Ao todo, os repasses federais chegaram a R$ 143,2 milhões, dos quais R$ 135 milhões (94%) seriam destinados a serviços de pavimentação e recapeamento na cidade. Segundo a investigação, só a construtora investigada teria sido favorecida com mais de R$ 100 milhões em empenhos.

“Ressalta o requerimento da autoridade policial que a Liga Engenharia não prestou serviço para nenhum outro município pernambucano, afora Petrolina, além do que não havia prestado qualquer serviço para esse mesmo município nas gestões anteriores”, registra, no inquérito.

Em um episódio relatado, os policiais citam um pregão, realizado em 2019, em que a Liga Engenharia ficou em 19º lugar, mas foi declarada vencedora após as 18 propostas que estavam à frente serem recusadas. A PF também incluiu no inquérito e-mails e trocas de mensagens que mostrariam a influência da família na Codevasf e em órgãos municipais.

O que dizem os investigados

À época da operação, a defesa de Fernando Bezerra Coelho, Miguel Coelho e Fernando Filho afirmou que “todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura do procedimento".

"A defesa confia que os órgãos beneficiados observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos", declarou, em fevereiro.

O DP iniciou a apuração desta reportagem em julho, momento em que os novos empenhados para a Liga Engenharia estavam no patamar dos R$ 12 milhões. Na ocasião, Miguel Coelho ainda era pré-candidato ao Senado e foi procurado, via assessoria de imprensa, para se manifestar.

O candidato se negou a falar sobre os empenhos e quis atribuir as informações ao contexto pré-eleitoral. “A tentativa de trazer novamente à tona o tema em questão às vésperas da convenção partidária revela mais oportunismo político do que interesse legítimo pela informação. A coincidência de datas não passa despercebida e reforça a percepção de que adversários tentam transformar fatos já conhecidos em instrumento de disputa eleitoral”, disse, em nota no fim de julho.

Posteriormente, a reportagem voltou a procurar Miguel para buscar posicionamento. O ex-prefeito de Petrolina, que retirou a candidatura ao Senado no início de agosto, informou que não iria se manifestar. Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho deram a mesma resposta.

A reportagem tentou, por mais de um mês, o posicionamento da Prefeitura de Petrolina, mas não obteve resposta. A Liga Engenharia foi procurada, por e-mail e telefone, e também não respondeu.

Por sua vez, a Codevasf manteve o mesmo posicionamento de fevereiro. Em nota, o órgão afirmou novamente que repudia eventuais desvios na administração pública e disse atuar em cooperação com órgãos de fiscalização para oferecer “suporte integral ao trabalho de autoridades policiais e da Justiça".

Elaine Guimarães e Nicolle Gomes

CARANGUEJOS CONTAMINADOS

Estudo de universidade identifica contaminação em caranguejos coletados em Pernambuco

Estudo revelou presença das substâncias da família dos bisfenóis tanto na urina quanto na hemolinfa (o referente ao "sangue") dos crustáceos (Lacor/ Labomar/ UFC)


Pesquisa analisou crustáceos de Pernambuco e do Ceará; pesquisadores ressaltam que não é necessário interromper o consumo do alimento


Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificou a presença de substâncias da família dos bisfenóis em caranguejos coletados em Itapissuma, no Litoral Norte de Pernambuco, e em Fortim, no Ceará. Os compostos são considerados potencialmente tóxicos e podem interferir no sistema hormonal.

O estudo, porém, não recomenda a interrupção do consumo de caranguejos, mas alerta para a necessidade de monitorar a contaminação dos manguezais e melhorar a gestão de resíduos.

As amostras foram coletadas em 2025 e analisadas a partir da urina e da hemolinfa, líquido equivalente ao sangue dos crustáceos. Os pesquisadores encontraram bisfenóis nos dois materiais, o que indica que os contaminantes estavam circulando pelo organismo dos animais.

Entre as substâncias identificadas estão os bisfenóis A (BPA), F (BPF) e C (BPC). Em parte das amostras, os níveis ultrapassaram valores de ingestão diária tolerável considerados para seres humanos. 

Em entrevista à Agência UFC, o professor Rivelino Cavalcante, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC) e coordenador do estudo, explicou que a contaminação pode estar relacionada ao descarte inadequado de resíduos.

Segundo o pesquisador, os bisfenóis podem chegar aos manguezais por meio de resíduos domésticos e industriais, esgoto e outras fontes de poluição. Os caranguejos acabam funcionando como indicadores da qualidade ambiental desses ecossistemas.

“O problema é quando esse material vai para o descarte. Se ele vai para um aterro sanitário ou reciclagem, tudo bem. Agora, se ele vai parar num lixão, ou em um aterro não controlado, aí é onde está o problema, pois as substâncias contidas nele vão chegar no ambiente”, afirmou. Comprovantes de cartão e recibos de caixas de supermercado estão entre os materiais que podem carregar derivados de bisfenol.

Risco para consumidores

O BPA é associado a alterações no sistema endócrino e já foi relacionado, em estudos, a problemas reprodutivos, metabólicos, neurológicos e imunológicos. O BPF, utilizado em alguns produtos como substituto do BPA, também apresenta potencial de desregulação hormonal.

Cavalcante ressalta, no entanto, que a pesquisa não avaliou os efeitos da exposição em seres humanos. “Isso não quer dizer que uma pessoa terá um problema de saúde após consumir um único caranguejo, mas indica que o consumo frequente e contínuo de organismos contaminados pode aumentar o risco de efeitos associados aos desreguladores endócrinos”, explicou à Agência UFC.

Os pesquisadores também destacam que os animais foram analisados vivos, antes do preparo. Por isso, ainda são necessários estudos específicos para determinar o comportamento dos contaminantes após o cozimento.

O levantamento faz parte de um projeto mais amplo do Labomar, que investiga a presença de bisfenóis e outros contaminantes em manguezais do Norte e Nordeste, desde o Pará até o sul da Bahia. Cerca de 300 caranguejos, distribuídos em aproximadamente 17 áreas, já foram analisados.

“Pela primeira vez, detectamos a presença de bisfenóis em todos os manguezais estudados no Norte e Nordeste”, adiantou Cavalcante.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental, melhorar o saneamento, o tratamento de efluentes e a destinação dos resíduos sólidos.

“O caranguejo continua sendo um alimento importante para a cultura, a economia e a segurança alimentar de muitas comunidades. Os resultados do estudo servem como um alerta para que o poder público invista na redução da poluição que chega aos rios e manguezais”, afirmou.

João Tavares 

TUBARÕES MONITORADOS

Após 11 anos paralisado, monitoramento de tubarões é retomado no Grande Recife

A saída desta sexta (4) é uma das quatro que estão programadas para acontecer até segunda (7). (Foto: Divulgação / Secom PE)

A retomada do monitoramento dos tubarões iniciou na manhã desta sexta (4), com a primeira saída-piloto da equipe do Projeto ECOTUBA, algo que deveria ter acontecido no mês de julho


Após 11 anos paralisado, o monitoramento de tubarões no litoral do Grande Recife foi retomado nesta sexta-feira (4), com a saída-piloto da equipe do Projeto ECOTUBA, algo que deveria ter acontecido desde o mês de julho.

Essa é a primeira das quatro saídas que estão programadas para acontecer até terça (8). Segundo o Governo de Pernambuco, o projeto total terá duração de 24 meses e prevê a marcação de até 50 animais.

O anúncio da retomada do monitoramento foi realizado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) no dia 4 de junho, três dias após os dois ataques que aconteceram na Praia de Boa Viagem e de Piedade, no Grande Recife, que resultaram, respectivamente, na amputação da perna direita da estudante universitária Marcela Vitória e da perna esquerda de uma criança de 11 anos.

De acordo com o cronograma inicial, as ações de chipagem dos animais estavam previstas para iniciar desde julho, conforme noticiou o Diario no fim do referido mês.

No entanto, o processo precisou aguardar por uma adaptação da embarcação, sendo remarcado para os dias 17 e 23 de agosto. Apesar da remarcação, a saída-piloto só aconteceu de fato nesta sexta (4).

O trabalho de monitoramento é realizado por equipes do ECOTUBA, iniciativa científica vinculada à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e integra o projeto do Cemit, chamado “Monitoramento de Tubarões no Litoral Pernambucano: Integrando Ciência, Tecnologia e Inovação na Prevenção de Incidentes”. 

Ao todo, o projeto recebe um investimento de R$ 2.052 milhões, sendo R$ 1.052 milhão oriundos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti) por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e R$ 1 milhão aportados pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).

A intenção do projeto é compreender como os animais utilizam as áreas costeiras do Grande Recife, identificar zonas de risco e gerar informações científicas para a prevenção de incidentes.

Projeto

Conforme foi divulgado pelo Cemit, o monitoramento funcionará em etapas. Antes da captura, dez receptores acústicos submersos serão instalados no litoral da região metropolitana para detectar os animais em um raio de até um quilômetro.

A pesca científica será feita com espinhéis, equipamento de captura de peixes grandes, em pontos estratégicos.

Na embarcação, os tubarões passarão por avaliação biológica, exames (como ultrassom em fêmeas) e coleta de amostras de sangue e tecido. O procedimento todo deve durar em torno de 15 minutos para reduzir ao máximo o estresse do animal.

Antes de devolver o animal ao mar, os cientistas implantarão um transmissor acústico do tamanho de uma pilha, que emite sinais aos receptores.

“Nós iremos fazer todo um protocolo de pesquisa assim que conseguirmos capturar e embarcar esses animais, que serão marcados, medidos, sexados, além de fazermos a coleta de tecido e de sangue. Também será feita uma mini cirurgia para a colocação de um chip, que irá permitir a observação do padrão de deslocamento desse animal aqui na região”, explicou o professor Paulo Oliveira, pesquisador e membro do projeto Ecotuba.

Os dados de deslocamento capturados pela rede também servirão para avaliar se há migração entre a costa e o Arquipélago de Fernando de Noronha, onde já há monitoramento contínuo de tubarões.

De acordo com o professor Paulo Oliveira, a retomada do monitoramento, que, segundo ele, deveria se tornar uma política de Estado, irá auxiliar no entendimento acerca da ecologia e biologia desses animais, possibilitando subsídios para minimizar os incidentes entre tubarões e seres humanos.

“A partir do momento em que a gente conhece como esses animais vivem, a gente vai traduzir essas informações de tal forma que iremos repassar para a população, permitindo que os banhistas possam tomar um banho de mar de uma forma mais segura”.

A equipe de embarque conta com seis pesquisadores. Preferencialmente será estudadas as espécies relacionadas aos incidentes na região: tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas).

Antigo barco

Marco Zero é o nome do novo barco utilizado, que substitui o antigo, chamado Sinuelo. Segundo Paulo Oliveira, é uma lancha de pesca que foi adaptada para a pesquisa. "A embarcação sofreu algumas alterações no tocante, principalmente, à abertura na região de trás, na popa. Houve um alargamento do portameiro, que é tipo uma varandinha que fica atrás da embarcação, e uma rampa de acesso para que, quando nós capturarmos os tubarões, a gente consiga colocá-los no convés", explica.

De acordo com o pesquisador, "é uma embarcação um pouco menor do que o Sinuelo, mas ela atende a todas as especificações para o trabalho de pesquisa. "No convés já tem uma maca para receber esse animal, para a gente fazer todo o protocolo e, em seguida, devolver esse animal", detalha.

Atualmente, o monitoramento contínuo dos tubarões ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, coordenado pela UFRPE, com o apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Administração da Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Econoronha. Com essa iniciativa, a atuação será ampliada para o litoral continental, buscando uma melhor compreensão sobre a conectividade entre esses ambientes marinhos, subsidiando ações de educação, conservação e gestão costeira.

Ataques

Em 2026, o Grande Recife teve três ataques de tubarão: o primeiro em 29 de janeiro, quando um garoto de 13 anos morreu na Praia Del Chifre, em Olinda; e outros dois em 31 de maio e 1° de junho, em Piedade e Boa Viagem, respectivamente, na Zona Sul do Recife. As vítimas foram um menino de 11 anos e uma jovem de 19. Ambos sobreviveram, mas perderam uma das pernas.

O litoral da região metropolitana da capital registra risco crítico de incidentes com os animais em um trecho de 33 quilômetros, entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. Ao todo, Pernambuco registra 84 incidentes com tubarão desde 1992, quando começou a ser contabilizado de forma oficial.

Bartô Leonel

ELEIÇÕES 2026

Raquel Lyra e João Campos concentram agendas no interior de Pernambuco neste fim de semana

Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) têm compromissos em diversas cidades do Agreste neste final de semana (Fotos: Yacy Ribeiro e Marlon Diego)

Candidatos percorrem cidades do Agreste em busca da consolidação de votos fora da Região Metropolitana


A um mês do primeiro turno das eleições, os dois principais candidatos ao Governo de Pernambuco vão concentrar as agendas de campanha deste fim de semana no interior do estado. Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) cumprem uma sequência de compromissos fora da Região Metropolitana do Recife neste sábado (5), com passagens principalmente pelo Agreste.

A governadora e candidata à reeleição terá uma agenda mais extensa, com quatro compromissos ao longo do dia. Raquel começa por Garanhuns, no Agreste, e depois segue para Quipapá, na Mata Sul.

Os compromissos reforçam a disputa dos dois candidatos pelo eleitorado do interior do estado; tanto Raquel quanto João têm ampliado as agendas fora do Grande Recife, combinando atos próprios com eventos ao lado de candidatos proporcionais e lideranças políticas locais.

Raquel faz giro pelo Agreste

O primeiro compromisso de Raquel neste sábado está marcado para as 10h, com uma caminhada em Garanhuns. A concentração será na Avenida Rui Barbosa, no bairro de Heliópolis.

Às 14h, a governadora segue para Quipapá, onde participa de um encontro político com concentração na Escola Tancredo de Almeida Neves.

A candidata retorna ao Agreste no fim da tarde. Às 18h, participa de uma caminhada em Feira Nova, com concentração na PE-50. Uma hora depois, às 19h, Raquel encerra a programação com outra caminhada, desta vez no Centro de Limoeiro.

João participa de inaugurações de comitês

João Campos inicia a agenda deste sábado às 13h40, em Toritama. O candidato participa da inauguração do comitê de campanha da candidata a deputada estadual Helloysa Ferreira.

Depois, às 17h, o socialista estará em Belo Jardim para a inauguração do comitê do candidato a deputado federal Zé Guri. O último compromisso está previsto para as 19h40, em Correntes. João participa de um comício no Estádio Governador Eduardo Campos.

No domingo, o candidato deve manter a campanha voltada para o interior, com compromissos previstos em São Joaquim do Monte, Gravatá e Lajedo.

Alexandre Cunha