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sábado, 6 de junho de 2026

RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA

Sancionada lei que garante renovação automática da CNH para bons condutores

CNH Digital,Carteira de Trânsito para Celular, Carteira Nacional de Habilitação (Marcello Casal JrAgência Brasil)

Legislação alcança apenas os bons condutores


Sancionada nesta sexta-feira (5) a lei que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para bons condutores.

A medida autoriza a renovação sem custos para motoristas que não cometeram infrações de trânsito sujeitas à pontuação nos últimos 12 meses.

A sanção presidencial ocorreu após o Senado aprovar a Medida Provisória (MP) 1327/25), criada em dezembro do ano passado pelo governo federal beneficiar os condutores.

De acordo com o Palácio do Planalto, cerca de 2 milhões de motoristas já foram beneficiados com a renovação automática.

Economia

De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a renovação gratuita já fez a população economizar R$ 854,8 milhões.

Confira as principais mudanças na renovação da CNH

  • Renovação da CNH: A nova lei garante a renovação automática sem custos para motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNP).
  • Exames: Os exames de aptidão física e mental continuam obrigatórios. Os procedimentos só poderão ser feitos por médicos e psicólogos especialistas em medicina do tráfego e em psicologia do trânsito.
  • Custos: A lei tabelou os preços dos exames, que deverão ser fixados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Além disso, ficou instituído o reajuste anual dos preços dos exames pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).

Agência Brasil


FIM DO PRIVILÉGIO

Extinção do carro oficial na Argentina é acerto de Milei

Javier Milei, presidente da Argentina (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Países como o Brasil vinculam o uso de carro com motorista "direito" inerente ao cargo


O presidente libertário da Argentina, Javier Milei, determinou o fim imediato do uso de veículos oficiais e motoristas por ministros, integrantes do Poder Executivo e demais funcionários vinculados à Jefatura de Gabinete. A iniciativa representa um corte simbólico e prático nos privilégios da casta política, alinhado à política de “motosierra” (motosserra) contra o gasto público desnecessário.

Agora, as autoridades devem utilizar meios próprios de transporte na maior parte das situações cotidianas. Os carros oficiais ficam restritos exclusivamente a compromissos que exijam justificativa operacional clara ou questões de segurança devidamente comprovadas. Todo pedido de veículo ou chofer passa a ser analisado caso a caso pela Secretaria Geral Administrativa da Presidência, com critérios rigorosos de “otimização de recursos e razoabilidade dos gastos”. As assignações anteriores foram revogadas de forma imediata.

Essa mudança quebra uma prática enraizada há décadas na administração pública argentina e de países como o Brasil, onde o uso permanente de carro com motorista era visto quase como “direito” inerente ao cargo. O governo argumenta que, em um país que enfrentou grave crise fiscal, inflação galopante e déficit crônico, não há mais espaço para luxos custeados pelo contribuinte. A mensagem é clara: o ajuste começa de cima para baixo, com os próprios gestores públicos dando o exemplo de austeridade.

Economia gerada e impacto fiscal


Embora não haja um número oficial divulgado especificamente para esta medida de dezembro de 2025, iniciativas semelhantes adotadas desde o início do governo Milei já demonstram o potencial de economia. Em 2023, o corte inicial de 50% na frota de carros oficiais e choferes foi estimado como parte de um ajuste maior na “política” que visava economizar cerca de US$3 bilhões por ano apenas em gastos de funcionamento.

Manter um carro oficial com motorista envolve custos elevados: combustível, manutenção, seguro, depreciação, salário do condutor (com encargos trabalhistas) e, muitas vezes, horas extras ou adicionais noturnos. Multiplicados por dezenas ou centenas de veículos e funcionários de alto escalão, esses gastos representam milhões de dólares anuais que deixam de ser drenados dos cofres públicos. Os veículos liberados podem ser realocados para forças de segurança ou vendidos, gerando receita adicional. O impacto não é apenas contábil: reduz-se também o desperdício de recursos em uma frota ociosa, frequentemente usada para fins particulares ou deslocamentos não essenciais.

Um privilégio indefensável


Esse tipo de benefício é indefensável em qualquer contexto fiscal responsável. Utilizar dinheiro público — arrecadado de cidadãos que muitas vezes enfrentam dificuldades para manter o próprio carro ou pagar combustível — para proporcionar conforto e status a autoridades é uma forma clássica de abuso de poder. Representa uma transferência regressiva de renda: do contribuinte comum para a elite estatal. Em nações com graves problemas sociais, como saúde precária, educação deficitária e infraestrutura carente, manter tais regalias torna-se moralmente insustentável.

O argumento de “segurança” ou “eficiência” frequentemente invocado para defender o privilégio cai por terra quando se exige justificativa concreta. A grande maioria dos deslocamentos de ministros e secretários não envolve risco real; trata-se, na prática, de comodidade e sinal de prestígio. Ao forçar o uso de veículos próprios, o governo não apenas poupa recursos, como também aproxima os governantes da realidade vivida pela população, que não conta com chofer pago pelo Estado.

A medida integra um pacote mais amplo de revisão de benefícios não essenciais na administração federal. Ela reforça o compromisso com o superávit fiscal e com a ideia de que o Estado deve ser enxuto, eficiente e servir ao cidadão, e não o contrário. Em tempos de ajuste duro, gestos concretos como este ajudam a restaurar a credibilidade e mostram que a austeridade não é apenas retórica — ela começa pelos que decidem os gastos públicos.

LULA E DILMA SEMPRE ALIADOS COM TERRORISTAS

Ativista do grupo terrorista Hamas foi recebido no Planalto

Em um dos rolês com petistas, Sayid Tenório posou para foto com Dilma Rousseff

A resistência de Lula e petistas em reconhecer como terroristas grupos que boa parte do mundo declara como tal é antiga. Até hoje, por exemplo, Lula e cia. não reconhecem como terrorista o Hamas, com registros de decapitações e violência sexual. Militante do grupo, Sayid Tenório foi recebido no Palácio do Planalto por Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde, à época nas Relações Institucionais de Lula. Sem constrangimento, há até foto do sujeito com a ex-presidente Dilma.

De estimação

Lula é reincidente. Chamou traficante de “vítima dos usuários” e, no caso PCC/CV, declarou estar “muito triste” pela classificação como terroristas.

Força a barra

Para Randolfe Rodrigues (AP), outro petista, atos terroristas são como a quebradeira registrada em Brasília (DF), em dezembro de 2022.

Deu no que deu

Lindbergh Farias (PT-RJ), ex-líder de Lula na Câmara, também viu como “terrorismo” Carla Zambelli empunhar arma contra homem, hoje preso.

Velhinhas terroristas

Gleisi Hoffmann (PT-PR) também já chamou os manifestantes do 8 de janeiro, que nem armas tinham, de terroristas. Já o Hamas e o PCC...

Cláudio Humberto

ELEIÇÕES 2026

Entregadores emergem como um eleitorado disputado no Brasil

Entregador (MAURO PIMENTEL / AFP)

Dados mais recentes do IBGE indicam que havia no Brasil 274 mil entregadores por aplicativos em 2024


De bermuda e chinelos, João Paulo Teixeira faz manobras em ziguezague entre os carros para entregar comida no centro do Rio de Janeiro.

O jovem, de 20 anos, faz parte da crescente categoria de trabalhadores de entregas, cada vez mais mobilizada por seus direitos e disputada com vistas à corrida presidencial de outubro.

"A entrega é que nem crack, né? Você não consegue ficar sem fazer. É a minha única fonte de renda. Você está de folga, mas você continua pensando no que você poderia estar fazendo", conta à AFP.

E ele trabalha muito: mais de dez horas por dia, seis dias por semana, realizando a maior quantidade de entregas possível para ganhar "de 700 a 1.000 reais por semana".

O valor supera com folga o salário mínimo, de 1.600 reais por mês, em um contexto de desemprego baixo, mas com a maior parte da força de trabalho atuando na informalidade.

Em abril, Teixeira participou de uma mobilização de protesto contra um Projeto de Lei Complementar que visava regulamentar o trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativos.

Os manifestantes consideravam que o montante mínimo previsto por corrida pela legislação era irrisório.

Milhares de entregadores e motoristas de aplicativo foram às ruas das grandes cidades do país, o que forçou os legisladores a adiar a análise do projeto por tempo indeterminado.

"Categoria em disputa"

Dados mais recentes do IBGE indicam que havia no Brasil 274.000 entregadores por aplicativos em 2024, mas especialistas e representantes do setor calculam que sejam muitos mais.

"É uma categoria que cresceu demais durante a pandemia. Está sendo alvo de disputa (eleitoral) não só pela quantidade, mas também pela capacidade de mobilização", diz à AFP Nicolas Souza Santos, cofundador da Aliança Nacional dos Entregadores de Aplicativos (ANEA).

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu apoio a um aumento da renda mínima por trajeto dos entregadores.

No mês passado, anunciou uma série de medidas destinadas aos entregadores, sobretudo créditos favoráveis para a compra de motos.

Várias propostas de lei tanto da direita quanto da esquerda que pretendem melhorar as condições de trabalho destes profissionais também estão em análise.

 "Nunca vão nos representar"

O presidente Lula, de 80 anos, vai disputar o quarto mandato em outubro, e enfrentará, no que se prevê como uma disputa acirrada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).

Para Letícia Birchal Domingues, professora de Ciência Política na Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil há uma "consolidação muito forte de pessoas à direita e à esquerda".

No entanto, os entregadores integram uma categoria "ambígua" e "em disputa, (e) isso pode converter em voto".

Paulo Almeida, entregador de 36 anos, conta que votou em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais, mas não tem certeza se votará no filho dele em outubro.

"Eu ainda não sei se tem um lado que vai me favorecer ou não", afirma este ex-instrutor de autoescola, que começou a fazer entregas em bicicleta há dois anos porque "eu tenho mais tempo livre e ganho um pouco mais".

Guilherme Matias, de 23 anos, diz ganhar o dobro do salário que recebia como garçom.

Ele participou dos protestos de abril, mas se diz desiludido com os políticos. "Eles nunca vão nos representar, só pensam neles", afirma.

Para Ricardo Festi, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília, para a esquerda, que "sempre esteve inserida no setor mais formal, mais sindicalizado, sempre foi muito difícil entrar no setor mais precário".

No Congresso, a deputada federal de esquerda Talíria Petrone (PSOL-RJ) apresentou um projeto de lei que prevê garantir vale-alimentação para os entregadores, "que levam comida para a casa das pessoas, muitas vezes de barriga vazia".

No campo conservador, o deputado federal Daniel Agrobom (PSD-GO) criou uma frente parlamentar em defesa dos entregadores e motoristas de aplicativos.

"Eles querem autonomia, liberdade. Nós lutamos para isso", afirmou, ao mesmo tempo em que expressou apoio a uma legislação para garantir que estes profissionais continuem "trabalhando com segurança, desde que essa regulamentação traga a remuneração devida".

AFP

DESPEDIDA DE BERTINI

Amigos e autoridades se despedem de Alfredo Bertini, idealizador do Cine PE, em velório no Sport

Corpo de Alfredo Bertini foi velado na sede do Sport Club do Recife, na sexta-feira (5) (Foto: Karol Rodrigues/DP)

Alfredo Bertini morre aos 65 anos após complicações em cirurgia, deixando legado de fomentação audiovisual e incentivo à cultura cinematográfica no estado


Uma semana de celebração acabou terminando em clima de despedida. Alfredo Bertini, economista e idealizador do Cine PE, faleceu na última quinta-feira (4), aos 65 anos, após complicações de uma cirurgia de transplante de fígado realizada em João Pessoa, na Paraíba. O velório foi realizado nesta sexta-feira (5) pela manhã, na sede do Sport Club do Recife, com a presença de sua esposa e parceira na condução do festival de cinema, Sandra Bertini, e dos filhos, Patrícia e Vítor. A cerimônia de cremação ocorreu à tarde, no Memorial Guararapes.

Amigos, colaboradores e admiradores do trabalho de Bertini na condução dos 30 anos de Cine PE fizeram fila para prestar suas condolências aos parentes. Entre 10h e 14h, ele recebeu homenagens de autoridades como o deputado João Paulo, o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), Marcelo Canuto, e a Secretária de Cultura do Recife, Milu Megale.

“Foi uma pessoa rara, que assumiu, com incansável paixão e dedicação, as lutas de um povo inteiro pelo direito à celebração de nossas vocações culturais. Foi um articulador de grandes públicos para o audiovisual pernambucano e brasileiro. Em três décadas, seu Cine PE se consagrou como um dos mais importantes festivais de cinema do país. Ele se despediu em cartaz, sem nunca deixar de acreditar na nossa cultura e no nosso povo. Nós também não deixaremos. Sua esperança seguirá viva, seguirá nossa”, declarou Milu Megale.

Responsável pela curadoria do Cine/PE ao lado do jornalista Edu Fernandes, a roteirista e crítica de cinema Carissa Vieira destacou o cuidado de Alfredo Bertini com a equipe do festival e com a seleção de filmes. “Ele sempre foi ao mesmo tempo muito disposto a colaborar quanto leve. Dava total liberdade para que conseguíssemos fazer nosso trabalho, mas se fazia sempre presente. Ao longo do ano inteiro estávamos nos comunicando para falar do festival e ele fazia o possível e o impossível para conseguir trazer os filmes”, exaltou. “Seu acolhimento se estendeu por todas as pessoas que de alguma maneira ajudaram a escrever essa trajetória tão especial do Cine PE”, completou.

No ano passado, Bertini havia sido diagnosticado com problemas no fígado e, nos últimos dias, a notícia da cirurgia despertou a esperança de que ele conseguisse atravessar este momento tão delicado de saúde. Mesmo que a edição tenha sido abalada pela notícia, a energia das coletivas de imprensa que seguiram na programação do festival ao longo da tarde reiteraram que o festival não vai perder de vista o espírito celebrativo. Emocionada, Sandra fez questão de reafirmar a todos que o festival seguirá a pleno vapor. “Foi para isso que Alfredo trabalhou tanto em todos esses anos. Ele queria ver esse amor pelo cinema sendo celebrado pelo público do nosso evento”, destacou.

André Guerra

TUBARÕES EM PERNAMBUCO

Monitoramento de tubarões em Pernambuco precisa virar política de Estado, diz cientista

Placa de alerta na Praia de Piedade, onde menino de 11 anos foi mordido por tubarão (Rafael Vieira/DP Foto)

Cientistas defendem que incidentes com tubarões podem ser reduzidos em Pernambuco com recuperação ambiental e uma política de Estado contínua para monitoramento e educação da população


Com quatro incidentes envolvendo tubarões em 2026, Pernambuco não dispõe de uma política de Estado de monitoramento e educação ambiental voltada para tubarões. É o que aponta o professor de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Paulo Oliveira, membro da equipe responsável por vencer o edital do Governo de Pernambuco, captando R$ 1 milhão para dois anos de monitoramento em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.

Apesar de reconhecer a importância do recurso, o pesquisador destaca que o monitoramento precisa acontecer de forma contínua e lembra que o estado está desde 2015 sem acompanhar os animais. “Esse recurso que recebemos agora para monitoramento não foi dado, nós conquistamos através de um edital. O monitoramento não pode depender de escolhas políticas de governo A ou B, mas ser transformado em uma política de Estado, com recursos garantidos inclusive para educação da população”, destaca Oliveira.

O pesquisador afirma que a descontinuidade do programa de monitoramento da UFRPE, lançado no início dos anos 1990, impede que os cientistas analisem a situação da costa pernambucana com precisão, através de uma série histórica. Ele também lembra que novos tubarões nascem, crescem e morrem de maneira dinâmica, bem como ressalta que as mudanças climáticas têm afetado o comportamento das espécies no mundo inteiro.

“É cada vez mais comum, em vários lugares do planeta, que os tubarões estejam se aproximando da costa. E aí quando a gente vai ter uma série histórica bacana, o monitoramento precisa acabar porque o financiamento é descontinuado”, comenta.

Para Oliveira, Pernambuco deveria dispor de um Centro de Referência para monitoramento e conservação marinha, com recursos previstos no orçamento estadual e atuação contínua, independentemente de mudanças de governo. “Os incidentes deste ano aconteceram com duas crianças e uma jovem de 19 anos. Isso reforça a necessidade de ampliar as ações educativas junto à população, inclusive nas escolas”, acrescenta.

Prevenção em risco

A diretora-presidente do Instituto PROSHARK, Fernanda Lana, ressalta que a interrupção do monitoramento coloca em risco as medidas de prevenção que já foram tomadas. A instalação das placas de alerta nas áreas de risco, por exemplo, é realizada a partir de dados obtidos pelo acompanhamento dos animais.

“O que balizou a colocação dos alertas foi o monitoramento realizado até 2015. Temos muita informação coletada no passado, mas sem a continuidade do trabalho, você não consegue entender como é o uso atual do ambiente”, explica a pesquisadora, que é mestre e doutora em Recursos Pesqueiros e Aquicultura pela UFRPE.

Ela também ressalta que os dados de monitoramento são essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas. “Muitas vezes, a sociedade cobra os cientistas por resultados concretos das pesquisas, mas nós não somos tomadores de decisão. A pressão deve acontecer para que o poder público utilize esses dados para agir com eficiência”, afirma.

Recuperação ambiental

Para a pesquisadora, Pernambuco também precisa avançar na recuperação dos ecossistemas costeiros, especialmente dos manguezais historicamente impactados por aspectos como expansões urbanas e portuárias, além da pesca predatória. “É preciso utilizar os recursos de compensação ambiental para recuperar os manguezais, que são a base do ecossistema marinho e têm sido degradados a décadas”, diz Fernanda Lana.

Segundo a pesquisadora, restaurar habitats degradados não eliminaria completamente os incidentes, mas poderia reduzir a frequência dos encontros entre humanos e tubarões. “Com maior disponibilidade de alimento, áreas recuperadas, a interação certamente irá diminuir. Pode não acabar, mas vai diminuir”, acrescenta.

Outro lado

Por meio de nota, a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (Semas) de Pernambuco disse que, entre 2023 e 2026, foram fomentados 14 projetos estratégicos diretamente relacionados aos objetivos do CEMIT e do PEAST/PE, "evidenciando o fortalecimento progressivo das ações de prevenção, pesquisa, monitoramento e educação ambiental". Além disso, a Semas informou que estuda a criação de um mecanismo permanente de financiamento dessas ações por meio do Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA), proposta atualmente em análise técnica e institucional.

De acordo com a pasta, os recursos de compensação ambiental são disciplinados pela Lei Federal nº 9.985/2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC), regulamentada pelos Decretos Federais nº 4.340/2002 e nº 6.848/2009. Em Pernambuco, a matéria é regulamentada pela Lei Estadual nº 13.787/2009 e pelo Decreto Estadual nº 56.515/2024.

"De acordo com esse conjunto normativo, os recursos de compensação ambiental devem ser destinados prioritariamente à criação, implantação, regularização fundiária, proteção, gestão e consolidação de unidades de conservação. Por essa razão, as ações de pesquisa, monitoramento, educação ambiental, comunicação socioambiental e prevenção de incidentes com tubarões são financiadas por outras fontes, como recursos do Tesouro Estadual, editais de pesquisa e inovação, parcerias institucionais, convênios e demais instrumentos de fomento ambiental e científico", disse a Semas.

A secretaria ainda destacou que a promoção do Edital Plantar Juntos Manguezal, com investimento que apoiou ações de restauração em Ipojuca, Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes. "Ao todo, foram investidos mais de R$ 1,2 milhão em restauração de manguezais e corais entre os anos de 2024 e 2026", coloca o posicionamento.

Atualmente, segundo a Semas, o CEMIT está concluindo a revisão e consolidação dos dados históricos e dos registros mais recentes de incidentes envolvendo tubarões, com o objetivo de qualificar as informações sobre as espécies envolvidas nos incidentes registrados em Pernambuco. "Os resultados dessa análise serão divulgados em breve pelo Comitê, após a finalização das avaliações técnicas em andamento", conclui a nota.

Marília Parente


EX-PREFEITO CONDENADO

Ex-prefeito de Gravatá é condenado a ressarcir R$ 597 mil aos cofres públicos

O ex-prefeito Joaquim Neto. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Joaquim Neto é acusado de autorizar contratações e pagamentos com "graves irregularidades"


O ex-prefeito de Gravatá Joaquim Neto (PSDB) foi condenado a ressarcir o erário em R$ 597.541,55. Ele é acusado de autorizar e ratificar, deforma deliberada, contratações e pagamentos com "graves irregularidades". Cabe recurso à decisão.

A sentença foi assinada por juiz da 2ª Vara Cível da Comarca de Gravatá, no Agreste de Pernambuco, no último sábado (30). Segundo o magistrado, Joaquim Neto, enquanto prefeito, autorizou despesas sem o devido processo licitatório, o que configuraria improbidade administrativa. O ex-prefeito nega irregularidades.

Inicialmente, o processo teve decisão proferindo prescrição do caso. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) entrou com apelação e conseguiu que os autos retornassem para julgamento do mérito.

Nos autos, o MPPE alega que o ex-prefeito, ao autorizar despesas de vulto sem licitação, "agiu com dolo, pois tinha plena ciência da ilicitude de seus atos e da obrigatoriedade do procedimento concorrencial". Para o MPPE, o prejuízo identificado decorre de um padrão de ilegalidade nas contratações e não de uma falha isolada.

Decisão

O juiz Augusto Cézar de Sousa Arruda destaca na sentença que o réu tinha o dever de zelar pela legalidade dos gastos públicos.

"A autorização reiterada de pagamentos sem o correspondente processo licitatório, em valores expressivos, revela, no mínimo, uma grave omissão dolosa", escreve.

Além do ressarcimento integral do dano, o juiz também determinou a suspensão dos direitos políticos de Joaquim Neto por cinco anos e proibição de contratar com o Poder Público por três anos.

"É mentira", diz o ex-prefeito ao Diario de Pernambuco sobre as acusações. "Se eu tivesse processo com graves irregularidades, o Tribunal de Contas teria aprovado minhas contas?", questiona.

"Eu nunca tive uma condenação e nem um tribunal pedindo para eu devolver recurso nos meus três mandatos", acrescenta o ex-gestor. Ele adianta que a defesa apresentará recurso à sentença. "Com certeza o tribunal [TJPE] lá na frente vai reconhecer", completa.

Joaquim Neto foi prefeito de Gravatá em três oportunidades, tendo exercido o último mandato como gestor de 2017 a 2020. Em 2024, ele voltou a disputar o cargo, mas ficou na segunda colocação.

Jorge Cosme

POSTOS DE SALVA-VIDAS ABANDONADOS

Postos de salva-vidas estão em situação de abandono na orla de Boa Viagem, no Recife

Posto de salva-vidas na Praia de Boa Viagem (RAFAEL VIEIRA/DP)

Equipe percorreu seis postos de salva-vidas entre o Parque Dona Lindu e a Praia do Pina; equipamentos apresentam realidades diferentes, com registros de abandono, depredação e medidas para impedir ocupações


“Os bombeiros deixaram de frequentar lá em cima porque tem muita sujeira, muito lixo, muito mijo.” A afirmação de um comerciante que trabalha na orla de Boa Viagem ajuda a explicar o cenário encontrado em parte dos postos de salva-vidas da praia.

Após a divulgação de um vídeo, em rede social, mostrando pessoas em situação de rua ocupando uma dessas estruturas, a reportagem percorreu os seis equipamentos existentes entre o Parque Dona Lindu e a Praia do Pina e encontrou desde postos abandonados e pichados até unidades em funcionamento e em processo de requalificação.

As imagens registram uma ação da Polícia Militar realizada na manhã desta quinta-feira (4), quando agentes do 19º Batalhão da PM encontraram três pessoas ocupando uma das estruturas nas proximidades do segundo jardim.

Segundo a corporação, o grupo fazia uso de entorpecentes e apresentava comportamento alterado. No vídeo é mostrado um dos suspeitos no telhado do posto, enquanto outros dois na área interna.

De acordo com a PM, durante a abordagem, houve resistência, desobediência, agressões verbais e arremesso de objetos contra os agentes.

No local, foram apreendidas porções semelhantes a cocaína e maconha, além de materiais relacionados ao consumo de drogas.

A estrutura também apresentava sinais de depredação. Os três envolvidos foram encaminhados à Central de Plantões da Capital (Ceplanc).

Diante da repercussão do caso, a equipe de reportagem do Diario de Pernambuco percorreu a faixa de praia entre o Parque Dona Lindu, nas proximidades da Rua Armindo Moura, e a Praia do Pina, passando pelos seis postos de salva-vidas instalados ao longo da orla.

O primeiro equipamento encontrado foi o Posto 6. A estrutura estava sem escada de acesso, apresentava sinais de abandono e tinha um tecido cobrindo a entrada, dando a impressão de que o local poderia estar sendo utilizado como abrigo. Não havia guarda-vidas no interior e nem nas proximidades do posto.

Ao longo da faixa de areia, entretanto, a reportagem observou profissionais posicionados em pontos estratégicos da praia, sob guarda-sóis e próximos às áreas de maior circulação de banhistas.

Em seguida, no Posto 5, a situação era semelhante. O equipamento também estava sem escada, apresentava pichações em todo entorno, sinais de desgaste e vandalismo. Próximo ao local, havia salva-vidas atuando normalmente na areia.

Um trabalhador de 55 anos, que atua na orla e preferiu não se identificar, afirmou que a estrutura deixou de ser utilizada pelos bombeiros após sucessivas ocupações irregulares.

“No passado, tinha bombeiro 24 horas aí. Depois começaram os maloqueiros, os usuários, a fazer moradia lá em cima. Isso aí fez os bombeiros deixarem de frequentar o local porque lá em cima tem muita sujeira, muito lixo, muito mijo. Eles ficam embaixo, mas lá em cima não sobem mais”, relatou.

Segundo ele, a presença de pessoas utilizando o espaço como abrigo não é recente. “A polícia tirava, os bombeiros limpavam, mas sempre voltavam. Sempre tinha gente ocupando. Hoje está desse jeito, abandonado.”

O comerciante também criticou a falta de manutenção do equipamento.

“Nunca teve reforma, nunca teve melhora nenhuma. Ou revitaliza ou tira. Do jeito que está, em vez de melhorar a estética da praia, está piorando.”

Mais adiante, a equipe chegou ao Posto 4, próximo ao Quiosque 21, onde ocorreu o incidente com o tubarão-tigre e que vitimou a jovem de 19 anos, Marcela Vitória.

Diferentemente dos anteriores, havia presença de bombeiros utilizando normalmente a estrutura. O equipamento também possuía tapumes nas janelas, instalados para dificultar invasões.

Há quase 20 anos trabalhando na região, o comerciante Dionísio Silva, de 52 anos, afirmou que o posto segue funcionando regularmente.

“Ele é eficaz aqui. Sempre funcionou. Nunca vi fechado na minha vida. Chega o horário deles, eles vêm, trabalham normalmente e às vezes ainda tem uma ronda noturna para verificar se está tudo certo.”

Segundo Dionísio, a presença dos guarda-vidas é constante ao longo do dia.

“Eu chego aqui por volta de meio-dia e eles já estão aí. Muitas vezes eu cheguei às nove da manhã e eles já estavam trabalhando também.”

O comerciante contou que o local já registrou tentativas de ocupação, principalmente durante a madrugada, mas medidas foram adotadas para dificultar o acesso.

“Já houve situações de pessoas subirem, mas geralmente durante a noite. Depois começaram a combater isso. Se você observar, tiraram a escada fixa. Hoje é uma escada móvel. Isso dificultou a entrada não só de pessoas em situação de rua, mas também de quem queria se aproveitar da escuridão.”

Ele destacou ainda a atuação dos bombeiros em ocorrências registradas na praia.

“Inclusive, foram eles que atenderam a menina naquele ataque de tubarão. O posto sempre teve uma atuação importante aqui.”

Seguindo o percurso, a reportagem encontrou o Posto 3, nas proximidades do Quiosque 14. A estrutura passava por obras de requalificação.

No Posto 2, onde ocorreu a ação policial registrada no vídeo que circula nas redes sociais, havia guarda-vidas posicionados na parte inferior do equipamento.

Por fim, no Posto 1, próximo à Praia do Pina, a mesma situação foi observada, com profissionais do Corpo de Bombeiros presentes e realizando o monitoramento da área.

Embora a fiscalização e a presença dos guarda-vidas continuem ocorrendo ao longo da orla, o percurso mostrou realidades distintas entre os postos.

Enquanto alguns equipamentos seguem em funcionamento e contam com adaptações para impedir invasões, outros apresentam sinais de abandono, depredação e falta de manutenção.

O que dizem os bombeiros

Por meio de nota, o Corpo de Bombeiros informou que conta com 10 postos de guarda-vidas distribuídos ao longo da orla da Região Metropolitana do Recife.

Ainda segundo a corporação, a Secretaria de Defesa Social (SDS) possui um projeto de requalificação dos postos de guarda-vidas, que contempla melhorias na infraestrutura dessas unidades. Um dos postos, localizado em Jaboatão dos Guararapes, já está passando por reforma.

Na nota, os bombeiros disseram também que as equipes de guarda-vidas “permanecem atuando normalmente nas áreas de banho, realizando o monitoramento das praias e desenvolvendo ações preventivas para garantir a segurança dos banhistas”.

A corporação afirmou que o “serviço é executado de forma ininterrupta, com presença operacional dos militares ao longo da orla, assegurando o atendimento à população e a pronta resposta às ocorrências”.

Cadu Silva

SPORT - REENCONTRO

De olho no próximo ciclo da Seleção, Joelinton visita Sport e mantém desejo de voltar ao Leão

Joelinton, volante do Newcastle, em visita ao Sport (Paulo Paiva/SCR)

Fora da lista de Ancelotti para a Copa, volante do Newcastle reencontrou Ilha do Retiro e relembrou sua história no clube rubro-negro


As férias após mais uma temporada sólida na Europa levaram Joelinton de volta às origens. Nascido em Aliança, Pernambuco, o volante do Newcastle esteve na Ilha do Retiro para acompanhar de perto a vitória do Sport por 2 a 0 sobre o Náutico, pelo Clássico dos Clássicos, e recebeu de presente uma camisa rubro-negra.

A presença do jogador chamou atenção nas arquibancadas e reforçou a ligação que mantém com o futebol pernambucano, mesmo após anos atuando no exterior. Em período de descanso depois do encerramento da temporada europeia, Joelinton aproveitou a passagem pelo estado natal para rever familiares, amigos e acompanhar um dos maiores confrontos do futebol nordestino.

"Fico muito feliz, é sempre um orgulho voltar à Ilha, sempre uma alegria estar em casa. É um lugar onde eu vivi quatro anos da minha vida, então é sempre uma emoção muito grande. Vêm várias lembranças na cabeça e hoje é um grande jogo também, um clássico."

O jogador também revelou que mantém o desejo de voltar ao Sport no futuro. Fez questão de agradecer ao clube pelo papel desempenhado em sua trajetória profissional.

"Imaginando quando eu voltar daqui uns anos, voltar aqui para o Sport, jogar em frente à minha filha. Mas é sempre um orgulho, uma honra estar de volta. Estou aqui apoiando a equipe em um grande jogo e espero que a gente consiga sair com a vitória", expressou.

"A família Sport me deu abrigo, me deu comida, me ajudou a realizar meus sonhos de ser jogador. Então ao Sport, para mim, só gratidão", completou.

Fora da Copa, mas ainda no radar da Seleção

A visita acontece semanas após o volante ficar fora da lista final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. Joelinton participou do ciclo da equipe nacional nos últimos anos, mas acabou não sendo chamado por Carlo Ancelotti para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.

Apesar da ausência na convocação, o pernambucano segue valorizado no cenário internacional. Aos 29 anos, é uma das principais referências do Newcastle e participou da campanha do clube inglês na Liga dos Campeões, mantendo-se como peça fundamental no meio-campo da equipe. O jogador ainda conviveu com algumas lesões ao longo da temporada, incluindo um problema no músculo adutor da coxa e uma contusão na tíbia.

Pela Seleção Brasileira, Joelinton disputou oito partidas após a Copa do Mundo de 2022. Sua última atuação com a camisa amarelinha aconteceu em 25 de outubro de 2025, na derrota por 3 a 2 para o Japão, em Tóquio, por amistoso.

Mesmo fora da atual Copa do Mundo, o volante ainda tem tempo para mirar um novo ciclo. Vivendo uma fase consolidada no futebol europeu e com experiência internacional acumulada, Joelinton segue como um nome que pode voltar ao radar da Seleção visando o Mundial de 2030.

Enquanto isso, o retorno à Ilha do Retiro serviu para relembrar suas origens e reforçar o desejo de um dia voltar a vestir a camisa do Sport, clube que abriu as portas para sua carreira profissional - algo que a torcida rubro-negra gosta de ouvir.

Gabriel Farias