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quinta-feira, 18 de junho de 2026

CASO BANCO MASTER

Vorcaro pediu privacidade total em jantar com Motta e Ciro Nogueira em Lisboa

Ciro Nogueira (PP) e Daniel Vorcaro (Fotos: Carlos Moura/Agência Senado e Divulgação/Banco Master)


Vorcaro organizou o encontro com as autoridades em um restaurante da capital de Portugal: "Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista"


O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, cobrou de um funcionário que garantisse privacidade total na organização de um jantar, em Lisboa, que contaria com a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que há época exercia apenas o cargo de deputado federal.

Em junho de 2024, Vorcaro organizou o encontro com as autoridades em um restaurante da capital de Portugal, durante as atividades do Fórum de Lisboa, evento apelidado pela classe política de "Gilmarpalooza". Além de Ciro e Hugo, o banqueiro também convidou o empresário Bruno Ferrari e o deputado federal Doutor Luizinho (PP-RJ).

Ao Estadão, Motta confirmou que viajou de carona em avião de Vorcaro e alegou não ver crime na relação. Procurado, o deputado Luizinho não respondeu. O empresário Ferrari ainda não foi localizado.

Em áudio enviado a Leo Serrano, Vorcaro afirmou que possuía uma "lista de homens" que compareceriam ao jantar e demonstrou preocupação com a possibilidade de serem vistos juntos, pois Lisboa estaria lotada naquela época do ano e o restaurante escolhido não teria a privacidade adequada.

"Leo, preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro", afirmou.

Na sequência, Vorcaro pede que um funcionário seja posicionado em frente ao elevador do restaurante para impedir que qualquer pessoa que não esteja na lista de convidados seja impedida de acessar o local.

"Assim, pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista. A entrada é até tranquilo não tem nem problema entrar pela entrada normal da rua não. O problema é depois que pega elevador e vai para o andar lá. Então não pode deixar ninguém, porque tem outros andares".

O banqueiro mencionou que o jantar em Lisboa não poderia repetir o roteiro de um outro encontro em Nova York em que pessoas não convidadas teriam acessado um encontro privativo. No mês anterior daquele ano, Vorcaro realizou uma degustação de whisky e charutos com a presença de autoridades no bar The Carniege Club, em Nova York.

Na viagem a Lisboa, Motta e Ciro viajaram com Vorcaro e tiveram as estadias no luxuoso hotel Four Seasons custeadas pelo banqueiro. O relatório da Polícia Federal (PF) que descreve esses encontros e o pagamento das despesas informa que somente as cinco diárias de Ciro custaram R$ 91 mil pela cotação do euro na data.

Estadão Conteúdo

STF DESMORALIZADO INTERNACIONALMENTE

STF compra briga com autoridades estrangeiras em meio à desmoralização internacional

As negativas de extradição de exilados do Brasil têm feito ministros do STF reagirem em tom de confronto contra autoridades estrangeiras. (Foto: Victor Piemonte/STF)


As reiteradas negativas de extradição de exilados do Brasil e o reconhecimento cada vez mais amplo, no cenário global, da politização do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a colocar ministros da Corte contra a parede, levando-os a reagir em tom defensivo e a reforçar, nas próprias reações, o caráter político de sua atuação.

As respostas a governos e tribunais estrangeiros, feitas por meio de notas oficiais, publicações nas redes sociais, entrevistas e até votos em julgamentos, têm assumido um tom confrontativo, com apelos à soberania nacional, acusações de interferência externa e críticas a decisões tomadas soberanamente por Executivos e Judiciários de outros países.

O Supremo sofreu uma série de reveses que expõem sua desmoralização internacional:

  • A Justiça da Itália apontou falta de imparcialidade no julgamento da ex-deputada Carla Zambelli;
  • a Espanha negou a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio por ver motivação política no pedido brasileiro;
  • a Argentina concedeu refúgio político a um condenado pelos atos de 8 de janeiro;
  • e os Estados Unidos recusaram a extradição do jornalista Allan dos Santos e chegaram a sancionar Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky, acusando o ministro de censura, prisões arbitrárias e perseguição política.

A reação mais recente do STF ocorreu depois que a Corte Suprema de Cassação da Itália divulgou, em 12 de junho, os fundamentos da decisão que anulou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil. Os magistrados italianos apontaram problemas de imparcialidade no julgamento conduzido pelo STF, em razão da atuação de Moraes em diferentes etapas do caso. O ministro foi relator, participou do julgamento e também foi considerado vítima de um dos fatos atribuídos à ex-deputada. O presidente do STF, Edson Fachin, publicou nota para afirmar que acompanha “com preocupação” a decisão italiana.

Alexandre Coutinho Pagliarini, pós-doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Lisboa e pesquisador-visitante na Universidad de León, diz que a própria nota do Supremo já representa um problema institucional. "Não cabe ao magistrado brasileiro, segundo o Estatuto da Magistratura, comentar decisões judiciais de outros países, nem tampouco decisões dos poderes Executivos ou Legislativos de outros países."

Para ele, a crítica de um tribunal brasileiro a uma decisão da Justiça estrangeira é “diplomaticamente reprovável”, e o comentário do STF é equivalente a uma entrevista sobre o veredito do tribunal italiano, o que não deveria ser admitido. "Deve ficar claro aos estudantes de Direito e à população brasileira que magistrados devem se preservar, evitando entrevistas sobre casos que estejam sob a análise do Judiciário brasileiro e de judiciários e governos de outros países."

Pagliarini afirma ainda que a Corte italiana e outros tribunais estrangeiros têm negado os pedidos do STF porque identificaram uma tendência que causa estranhamento fora do Brasil. “Uma mesma autoridade era concomitantemente o magistrado e também o denunciante e o ofendido, numa verdadeira mistura de posições talvez jamais vista pelas autoridades italianas", ressalta. “O que causa espanto nos governos e nos judiciários estrangeiros é o seguinte: não existe duplo grau de jurisdição no Brasil! E não existe porque não pode a mesma pessoa, seja lá quem ela for, ser o magistrado da causa, o denunciante, o ofendido e o responsável pela decisão final”, acrescenta.

Para o especialista, o fato de as decisões dos magistrados brasileiros estarem blindadas contra revisão por outras instâncias é algo inaceitável para tribunais estrangeiros regidos pelos princípios do Estado de Direito. “Ainda mais quando essa autoridade integra a Suprema Corte, de modo que a decisão final será irrecorrível. Esse fator anula por completo a exigência constitucional e internacional do duplo grau de jurisdição”, afirma.

No caso da Espanha, Moraes chegou a propor medida de retaliação

A reação pública mais controversa do STF diante de uma decisão de autoridade estrangeira ocorreu no caso da Espanha. Em abril de 2025, a Justiça espanhola negou a extradição de Oswaldo Eustáquio ao Brasil ao entender que o pedido tinha motivação política. Eustáquio é investigado no STF e deixou o país após decisões da Corte.

Depois da negativa espanhola, Alexandre de Moraes suspendeu o processo de extradição do búlgaro Vasil Georgiev Vasilev, acusado de tráfico de drogas e requerido pela Espanha. O ministro invocou o princípio da reciprocidade no tratado bilateral de extradição e deu prazo para que a Embaixada da Espanha apresentasse esclarecimentos. Na mesma decisão, Moraes determinou a substituição da prisão preventiva do búlgaro por prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Dias depois, voltou atrás nessa parte da decisão porque Vasilev não tinha endereço fixo no Brasil, o que impedia a prisão domiciliar.

Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, o episódio foi uma tentativa de retaliação incompatível com a lógica das extradições. “A Espanha queria a extradição, e o STF fez a enormidade de ameaçar soltar o sujeito para fazer uma retaliação contra a Espanha", critica. “Quem pagaria o preço desse sujeito solto seria o Brasil e até os próprios ministros do Supremo. Tudo bem que eles andam com seguranças, mas nem todos os seus parentes estão protegidos. Soltar um traficante internacional perigoso aqui dentro… Do que ele iria viver?”, questiona.

Segundo Módolo, um pedido de extradição não funciona como uma troca de favores entre países, mas como um procedimento jurídico em que o Estado requerido tem o direito de fazer sua própria análise. “A extradição faz o que a gente chama, no Direito Internacional, de juízo de delibação. Cada Estado que recebe um pedido de extradição, por exemplo, a Itália, verifica os requisitos formais do processo e não é obrigada a se aprofundar muito na questão”, explica. Mas, mesmo nesse exame mais limitado, diz ele, há pontos básicos que precisam ser verificados.

O especialista lembra que o próprio Brasil também impõe condições para entregar pessoas a outros países. “O Brasil tem regras em extradição: a gente não extradita em caso de pena de morte. Uns anos atrás, modificou-se a jurisprudência para estabelecer que o Brasil não extradita quando há [condenação a] prisão perpétua. Tem que comutar a pena para o máximo da nossa pena”, afirma. Por isso, segundo Módolo, quando uma corte estrangeira nega um pedido brasileiro, o STF deveria respeitar a decisão da mesma forma que espera que outros países respeitem as negativas brasileiras. “Se o Brasil nega uma extradição, como já negou diversas vezes ao longo da história, o outro país não tem que 'achar ruim'. O STF toma as suas decisões e tem que acatar as decisões dos outros países.”

O exemplo histórico mais conhecido, segundo ele, é o de Gustav Wagner, oficial nazista ligado ao campo de extermínio de Sobibor, na Polônia. Em 1979, Alemanha Ocidental, Áustria, Israel e Polônia pediram ao Brasil a extradição de Wagner, acusado de participação no assassinato de milhares de judeus. “O STF entendeu que já tinha prescrito, tinha alguns motivos para não conceder extradição. Foi criticado na época, mas nenhum desses países pensou: ‘Olha, eu tenho um brasileiro aqui; na próxima vez em que o Brasil pedir a extradição de alguém, eu vou negar’”, ironiza Módolo.

Para ele, usar extradições como instrumento de revanche cria uma lógica perigosa e prejudicial ao próprio país que adota a retaliação. “Isso parece aqueles filmes em que um aponta a arma para o outro e morre todo mundo no final da cena”, compara. “Porque eu tive negada a extradição, eu vou me prejudicar também soltando um bandido perigoso no país e não deixando ele ser devolvido ao país no qual ele deveria cumprir a pena?”

No caso de Zambelli, para Módolo, a reação impetuosa revela o constrangimento que a Corte italiana provocou nos ministros. "Eles realmente ficaram mordidos com a decisão. Foi um tapa com luva de pelica, falando em ‘macroscópica violação’, que era uma coisa óbvia. Estamos realmente nos afastando dos julgados, da tradição jurídica ocidental, dos países civilizados. Passamos vergonha com a Espanha, com a Itália, com os Estados Unidos… Tivemos um refugiado reconhecido na Argentina. Por que fomos nos afastar disso? Por que fomos nos aproximar de outros países, como Rússia e China? O que esses países [que negaram as extradições] podem ensinar para nós, que somos parte da civilização ocidental?”, questiona o jurista.

Julgamento de Eduardo Bolsonaro tem "observação" de Dino sobre "cooperação judiciária internacional"

No julgamento de Eduardo Bolsonaro, na terça-feira (16), os ministros não fizeram menções nominais a autoridades estrangeiras, mas criticaram algumas vezes sanções, tarifas e restrições de visto como instrumentos usados contra o STF.

Além disso, o ministro Flávio Dino fez o que chamou de "uma observação sobre cooperação judiciária internacional, que merece registro". "É da tradição do Brasil, inclusive da nossa política externa, e, por conseguinte, também tradição deste Supremo Tribunal Federal, ter uma atuação profundamente deferente em relação às jurisdições de outros países. Às vezes, o mesmo não se verifica [reciprocamente]. Às vezes, tal deferência não se faz observar", comentou.

Dino afirmou ainda que o Supremo, "com muita velocidade e com muita presteza, examina pedidos de prisão preventiva e extradição, e nunca se coloca na posição de juiz dos juízes de outros países". "Pelo contrário, temos uma atitude compreensiva quanto à multiplicidade de sistemas jurídicos existentes no mundo, salvo em casos extremos, quando prerrogativas básicas não estão atendidas."

Em provável referência às negativas de extradições, Dino também disse que "independentemente do descumprimento" por outros países do princípio da reciprocidade, o Supremo continuará observando esse princípio, porque "não tem uma atitude etnocêntrica ou prepotente perante a Justiça de outros países".

A manifestação no julgamento de Eduardo Bolsonaro não foi a primeira vez recente em que ministros do STF aproveitaram votos ou sessões para criticar decisões e atos de autoridades estrangeiras. No julgamento do núcleo central da suposta trama golpista, em setembro de 2025, o próprio Dino ironizou as sanções americanas contra Moraes ao perguntar se “um tuíte de uma autoridade de um governo estrangeiro” poderia mudar um julgamento no Supremo. Antes disso, em fevereiro de 2025, Moraes já havia reagido, durante sessão da Corte, a críticas vindas do governo Trump, afirmando que o Brasil deixou de ser colônia em 1822.

Pagliarini diz que criticar autoridades estrangeiras durante sessões de julgamento não cabe na função de um magistrado. "Durante os seus votos, um juiz, um desembargador, um ministro, só podem fundamentar as suas decisões e os seus comentários no direito positivo, sendo totalmente indevida a formulação de falas sobre atitudes de outros governos ou de outros tribunais de outros países, por conta do fato de decisões de outros países serem protegidas pelas respectivas soberanias", afirma.

Por Leonardo Desideri

LEI MAGNITSKY PARA ALEXANDRE DE MOARES

Eduardo Bolsonaro pede aos EUA volta de sanções contra Moraes

Eduardo Bolsonaro Foto: YouTube Conversa Timeline

Medida ocorre um dia após ex-deputado ter sido condenado pelo STF



O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pediu ao presidente norte-americano, Donald Trump, a retomada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-parlamentar foi condenado na terça-feira (16), por coação no curso do processo da chamada “trama golpista”.

A corte determinou prisão de quatro anos e dois meses, em regime semiaberto, e multa de R$ 165 mil.

– Presidente Trump, por favor, retome a Magnitsky – disse Eduardo em vídeo publicado no X.

Moraes já foi sancionado com base na Lei Magnitsky no ano passado, mas Trump recuou meses depois.

Na gravação, Eduardo aparece falando em inglês, dentro de um carro, e afirma estar em Dallas, no Texas.

No texto da postagem, ele reitera o pedido.

– Por favor, reimponha sanções contra esta figura autoritária. As mesmas pessoas que me perseguem hoje também desprezam tudo pelo que sua administração se posiciona: liberdade de expressão, democracia e o Estado de Direito – apontou.

Eduardo afirma desconhecer os detalhes do processo, dizendo que tudo o que sabe vem da imprensa e das redes sociais, pois não teria sido intimado nos Estados Unidos. Também afirma ser vítima de uma perseguição devido a sua relação com autoridades americanas.

Além disso, o ex-deputado afirmou que será anistiado, assim como Jair Bolsonaro, caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito.

– Vamos eleger em outubro Flávio Bolsonaro presidente do Brasil para resgatar nossa boa relação não só com os Estados Unidos, mas com as democracias ao redor do mundo – afirmou.

Para justificar o pedido de sanções, Eduardo elencou uma série de ações de Moraes: o congelamento das contas do Starlink no Brasil, a detenção do assessor americano Jason Miller em aeroporto e a expedição de mandados contra cidadãos americanos que publicavam no X a partir do território dos EUA. Relembrou, ainda, a decisão da corte italiana sobre a extradição de Carla Zambelli.

As declarações de Eduardo ocorreram no mesmo dia em que Donald Trump, durante a cúpula do G7, falou sobre a condenação.

– Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Acabei de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prendê-lo – afirmou.

Trump fez confusão com os nomes dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. Quem concorre, na verdade, é Flávio. Eduardo é quem foi condenado à prisão. Não existe um “Bolsonaro Jr”.

O presidente americano também disse que o Brasil está “perigoso politicamente”. A fala provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

– Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discute. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil – afirmou o petista.

*AE

MINISTRO ANDRÉ MONDONÇA

 “Há um sistema articulado. Eu não sou cego”

Ministro André Mendonça, do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF




Ministro diz ter recebido "delação seletiva" da defesa de Daniel Vorcaro



Nesta terça-feira (16), os ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) discutiram a manutenção da prisão de Henrique e Felipe, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a sessão, o ministro André Mendonça respondeu às críticas feitas por Gilmar Mendes e afirmou que não se presta a “trabalhos abjetos”.

A fala de Mendonça foi em referência ao que ele chamou de “delação seletiva”, ao revelar que recusou uma proposta da defesa de Vorcaro.

– Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: “Não faço questão de delação”. Agora, delação seletiva, comigo, não – afirmou o ministro.

– A defesa até apresentou uma primeira proposta de delação. Eu não quis acessar. Há uma perspectiva de que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assistindo os movimentos – disse.

Mendonça respondeu ao ministro Gilmar Mendes, após este dizer de forma crítica que prisões não podem ser usadas para obter delações.

REFORÇO NA SEGURANÇA

Mendonça passou a contar com um esquema de segurança reforçado após assumir a relatoria do caso Master. A decisão foi tomada com base em avaliações internas da Corte que apontaram aumento do risco à integridade física do magistrado. Além desse processo, Mendonça também conduz a investigação sobre supostas fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, outro tema de grande repercussão nacional.

Além de atuar no Supremo, Mendonça mantém atividades acadêmicas e religiosas, incluindo funções como professor, fundador de instituto jurídico e pastor. Em todos esses compromissos, ele passou a ser acompanhado por agentes designados pela Corte, inclusive servidores disfarçados em suas pregações.

Monique Mello 

ELEIÇÕES 2026

Kassio Nunes derruba norma de Moraes imposta em 2022 no TSE

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: SCO/STF/Fellipe Sampaio



Alteração foi aprovada pelo colegiado



Recém-empossado presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques promoveu uma mudança ao reverter um entendimento adotado durante a gestão de Alexandre de Moraes na Corte, de 2022 a 2024. A decisão restabelece o direito de advogados realizarem sustentações orais em julgamentos que analisam decisões monocráticas.

A alteração foi aprovada pelo plenário do TSE no último dia 9 de junho, durante a apreciação de um pedido apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para restringir a divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto Atlas/Bloomberg.

Com a medida, Nunes Marques sinaliza uma condução diferente da adotada por Moraes nas eleições presidenciais de 2022. Desde a restrição imposta há quase três anos, representantes legais vinham reivindicando espaço para se manifestar nesses processos, mas sem sucesso. Durante a presidência da ministra Cármen Lúcia, a orientação foi mantida. Ela sucedeu Moraes e antecedeu Nunes Marques na presidência do tribunal.

A partir das próximas sessões, os advogados poderão voltar a apresentar argumentos orais em casos relacionados à confirmação de liminares, tutelas de urgência e outras decisões provisórias. O tempo destinado a cada sustentação será de cinco minutos.

Kassio Nunes Marques estará à frente da Corte durante as eleições de 2026. O ministro defende reduzir tensões no cenário político nacional, mantendo, ao mesmo tempo, a fiscalização sobre eventuais abusos e irregularidades.

Monique Mello 

MAIS UM VEXAME DE LULA NO G7

Conselheiro de Trump diz que Lula deu ‘chilique’ após fala no G7

Jason Miller e Lula Fotos: EFE/EPA/JUSTIN LANE/PISCINA | Ricardo Stuckert/PR



Jason Miller relatou situação na rede social X



O conselheiro de Donald Trump, Jason Miller, afirmou, nesta quarta-feira (17), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria se irritado após ser interrompido durante um fórum sobre inteligência artificial realizado na reunião do G7, na França. A declaração foi publicada na rede social X.

Segundo Miller, o presidente francês, Emmanuel Macron, precisou encerrar a fala de Lula porque o discurso teria se estendido além do previsto. O aliado de Trump também criticou o conteúdo da apresentação do petista.

– Você soube do que aconteceu hoje no G7? Lula tentou fazer um discurso longo, confuso e prolixo no fórum de IA. Foi tão ruim — e Lula estava tão incoerente — que Emmanuel Macron teve que intervir e cortá-lo porque ele não parava de falar – revelou.

E continuou:

– Lula ficou chateado, fez um chilique como uma criança e depois se levantou e saiu. Então, sim, Lula é alguém que fala demais.

Durante o encontro, Lula defendeu a regulamentação das plataformas digitais e afirmou que a participação das grandes empresas de tecnologia é necessária para que o ambiente digital seja desenvolvido de forma segura e alinhada ao interesse público.

O presidente também citou o Pix como exemplo de inovação brasileira. Segundo ele, o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central demonstra como a integração de dados pode ampliar a inclusão financeira e melhorar a eficiência digital.

Além disso, Lula alertou para o risco de aumento das desigualdades com o avanço da inteligência artificial e criticou a concentração de poder econômico nas grandes empresas de tecnologia. O petista ainda defendeu o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) na governança global.

Leiliane Lopes

MOTTA ENROLADO ATÉ O PESCOÇO COM VORCARO

Motta pediu a Vorcaro ‘empréstimo’ de R$22 milhões para cunhada

PF encontra mensagens de Motta pedindo para Vorcaro liberar empréstimo de R$22 milhões para cunhada

PF identificou intervenção de Motta para viabilizar empréstimo para empresa de cunhada


A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep-PB), teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro a concessão de um empréstimo para uma empresa ligada à sua cunhada.

As conversas foram encontradas durante investigações envolvendo o Banco Master e passaram a integrar os elementos analisados pela PF. Segundo os documentos apurados, o financiamento foi utilizado em um projeto imobiliário na Paraíba e beneficiou uma empresa controlada por Bianca Medeiros, irmã da esposa de Motta.

Registros empresariais mostram que a operação de crédito, no valor de pelo menos R$ 22 milhões, ocorreu em 2024 e teve como garantia as cotas da empresa utilizada para a aquisição de uma extensa área destinada ao desenvolvimento de um novo empreendimento imobiliário em João Pessoa.

Hugo Motta afirmou não possuir participação no negócio nem relação financeira com o Banco Master. Já Bianca Medeiros declarou que a operação foi realizada em condições normais de mercado e negou qualquer vínculo societário ou comercial do parlamentar com o empreendimento.

A informação é do jornal O Estado de São Paulo. O repórter questionou o presidente da Câmara, por cinco vezes, se ele confirmaria a intervenção, mas Motta se esquivou e não respondeu. Disse apenas que o empréstimo estava dentro da legalidade.

Rodrigo Vilela

MORDOMIA TOTAL

Suíte em hotel de luxo que Vorcaro bancou para Hugo Motta em Lisboa tem 247m²

Imagem da luxuosa suíte no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon

Um dos endereços mais prestigiosos de Portugal, o Four Seasons Hotel Ritz Libon, que o enroladíssimo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por fraude contra o sistema financeiro, bancou para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), oferece uma exclusiva suíte presidencial maior que muitos apartamentos brasileiros: 247 m². O chão da mansão, que fica no 10º andar, é outra extravagância que só endinheirados podem bancar, todo em mármore de primeira linha.

Conta direito

Chama atenção o, acredite, baixo valor que Vorcaro teria pagado nas cinco diárias para Motta e senador Ciro Nogueira, R$90 mil.

Só ricaços

O hotel faz questão de exaltar as excentricidades para hóspedes tipo Ciro e Motta, como spa premiado e restaurante com estrela Michelin.

Petistas adoram

O luxuoso hotel recebeu Dilma em um pernoite em janeiro de 2014. À época, 12 anos atrás, a fatura da noitada saiu por R$73,5 mil.

Caminhão de dinheiro

A coluna cotou a segunda suíte mais cara para amanhã (19), a presidencial estava indisponível, o valor: R$32.369. E não é a mais cara.

Cláudio Humberto

MEIO AMBIENTE

MPF passa a acompanhar Maracaípe Beach Living, em Ipojuca, após parecer contrário do Ibama

Maracaípe Beach Living (Reprodução/ Redes Sociais)

Procedimento foi instaurado para monitorar análise do empreendimento após pareceres técnicos indicarem inconsistências no EIA/RIMA e manifestação contrária do Ibama


O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento de Acompanhamento para monitorar o processo de licenciamento ambiental do empreendimento Maracaípe Beach Living, previsto para o município de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. A medida foi formalizada por meio da Portaria nº 129, assinada pela procuradora da República Mona Lisa Duarte Aziz e publicada na segunda-feira (15).

O procedimento tem como objetivo acompanhar a tramitação do licenciamento do projeto, que está sob análise da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), após o MPF identificar falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados pela empresa Pernambuco Empreendimentos e Participações SPE Maracaípe Ltda.

Segundo a portaria, a atuação do MPF teve início após o recebimento de informações da CPRH sobre os estudos ambientais elaborados para o empreendimento. Com base em laudos técnicos produzidos pela Assessoria Nacional de Perícia em Antropologia e pela Assessoria Nacional de Perícia em Meio Ambiente, o órgão concluiu que os documentos continham lacunas que precisavam ser corrigidas antes de qualquer avaliação definitiva sobre a viabilidade do projeto.

Além dos apontamentos do MPF, a Superintendência do Ibama em Pernambuco apresentou manifestação desfavorável ao empreendimento e recomendou à CPRH que não acolhesse os estudos ambientais apresentados nem concedesse a licença solicitada.

Entre os argumentos estão a insuficiência técnica dos estudos, a fragilidade ambiental da área, a incompatibilidade do porte do projeto com as características de Maracaípe e o risco de agravamento da pressão urbanística sobre a região.

O parecer do Ibama também menciona possíveis impactos sobre a resiliência climática e ecológica da faixa costeira, além de ameaças à integridade paisagística e sociocultural da localidade, conhecida por seus ecossistemas sensíveis e pela atividade turística.

Em resposta aos questionamentos, a CPRH informou ao Ministério Público Federal que encaminhou integralmente os documentos e as exigências ao empreendedor para complementação dos estudos ambientais. O órgão estadual acrescentou que o processo de licenciamento permanece em análise.

Como parte das medidas determinadas no novo procedimento, o MPF requisitará, em até 30 dias, informações atualizadas à CPRH sobre o andamento do licenciamento, a complementação dos estudos ambientais e eventual decisão sobre a concessão ou não da licença ambiental. O órgão também solicitará cópia integral do processo administrativo referente ao empreendimento.

A instauração do Procedimento de Acompanhamento não representa uma decisão definitiva sobre a viabilidade do projeto, mas permite ao Ministério Público Federal fiscalizar o andamento do licenciamento e verificar se as exigências técnicas e ambientais apontadas pelos órgãos competentes serão atendidas antes de qualquer deliberação final.

Histórico

Em março deste ano, os ministérios públicos Federal e de Pernambuco pediram que a CPRH fizesse ajustes no projeto do empreendimento. Segundo os órgãos, o documento enviado pela empresa omitiu informações sobre os possíveis impactos aos cavalos-marinhos e a outros animais que vivem no mangue, além da necessidade de consulta a comunidades tradicionais.

A CPRH ficou responsável por exigir informações complementares no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para que a viabilidade ambiental do projeto fosse avaliada.

Em maio de 2025, o MPPE recomendou que a construtora responsável pelo Maracaípe Beach Living suspendesse a venda e a de divulgação das unidades do empreendimento após a Prefeitura de Ipojuca anunciar a anulação das licenças ambientais e urbanísticas do projeto.

Ainda foi recomendado que a empresa assegure o direito de rescisão contratual, sem imposição de multas ou ônus, aos clientes que já adquiriram unidades no estabelecimento.

Adelmo Lucena

O FENÔMENO JOÃO GOMES

‘Feliz que deu certo’: João Gomes encerra circuito São João Gomes no Recife Antigo

Público contou com circuito de atrações, entre shows, cortejos e ativações (Karol Rodrigues/DP Foto)

Promovido na Avenida Alfredo Lisboa, a área recebeu esquema reforçado de segurança após tumultos registrados em gravação de DVD do artista em 2022

 

A Avenida Alfredo Lisboa, no Bairro do Recife, transformou-se em um complexo de São João nesta quarta-feira (17). Isso porque o cantor João Gomes, natural de Serrita, município do Sertão Central de Pernambuco, a 532 km do Recife, e expoente da música brasileira contemporânea consagrado pelo gênero piseiro, destinou à capital pernambucana o encerramento do seu São João Gomes.

O evento promoveu uma louvação ao festejo junino e propôs, desde a divulgação, lançar holofotes sobre a cultura tradicional dos interiores do Nordeste. Sob coro intenso do público, João Gomes subiu ao palco, instalado ao lado do Terminal Marítimo de Passageiros, às 20h30. "Fico feliz que deu certo", celebrou.

A faixa escolhida para abrir o show foi “Pode Assumir”, lançada em 2025, seguida de canções que marcaram sua estreia, como “Aquelas Coisas”, “Eu Tenho a Senha” e “Que Nem Vovô” — estas, de 2021. Problemas técnicos com o microfone não ofuscaram a entrega do artista, conhecido também pela humildade.

Ainda nos primeiros instantes, ele recebeu o seu primogênito, Jorge, de 2 anos. “Vai dançar?”, incentivou o garoto, que correu para a mãe, Ary Mirelle, nos bastidores, intimidado com o público. A expectativa era de que o evento reunisse aproximadamente 20 mil pessoas. Números oficiais ainda não foram divulgados. Mas não seria um feito impossível, dado que, em 2022, João mobilizou 150 mil pessoas na Praça do Marco Zero, durante a gravação do DVD “Acredite”.

À época, o evento era igualmente gratuito e aberto. Com isso, foram registrados tumultos, agressões e arrastões. Desta vez, a área foi isolada e, de acordo com a Secretaria de Defesa Social do Governo de Pernambuco, contou com 744 profissionais de segurança pública. Diversos efetivos da Polícia Militar eram encontrados em pontos com espaços de poucos metros, circulando a pé ou de carro pelo perímetro destinado ao evento, que teve 9 horas de duração.

Em coletiva de imprensa, João Gomes disse que o objetivo do evento é manter viva a cultura do Nordeste, mas manteve um tom moderado ao falar sobre o intercâmbio de gêneros nesta época. “A gente tem que ter muito orgulho mesmo do que é nosso e receber a galera que vem de fora de braços abertos, assim como nos recebem nos rodeios e ‘oktoberfests’ da vida”, declarou, conciliador.

No período junino, a presença do sertanejo em importantes polos reacende a valorização do forró. Em resposta à comparação com o imortal músico Dominguinhos, destinou o título ao colega Mestrinho, parceiro do premiado projeto Dominguinho e que aqueceu o palco para o anfitrião. Antes do sergipano, coube ao conjunto Ivison & Arthur e A Casa dos Oito Baixos recepcionar o público.

Ainda na coletiva, João Gomes devolveu elogios a Santanna, o Cantador, e outros nomes importantes do cancioneiro nordestino, como Petrúcio Amorim. “O que eles fizeram no tempo deles — e até hoje — pela nossa música é muito importante. Então, a gente precisa agradecer a Deus por ter essa cama para se deitar, que eles prepararam para a gente.”

Um complexo itinerante de São João

Desde as 15h, os portões estavam liberados para o público de todas as idades. A programação, que reuniu quadrilhas juninas, show de pífano, desfiles de bacamarteiros e folia de bois, contou também com ativações das marcas patrocinadoras, de entrega de brindes a karaokê. O público também se dividiu entre o palco e cortejos de folguedos populares, como a folia de bois e os números de quadrilhas.

Incansável, João iniciou a temporada com a batizada Drilha São João Gomes, circuito que percorreu a Rua da Aurora, um dos cartões-postais do Centro do Recife. Não demorou para ocupar outras praças, sendo as mais importantes em São Paulo, no Parque Villa-Lobos, onde ergueu uma "vila", e a cidade de Porto, em Portugal, em maio, onde integrou a programação do Festival do Forró.

Guto Moraes