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quarta-feira, 22 de julho de 2026

ROUBO DO INSS NO GOVERNO LULA

PF apreende carrões ligados ao Careca do INSS; veja

A ação foi realizada no Distrito Federal. (Foto: Divulgação/PF).


Carros de coleção e de alto padrão, como BMW X6, Audi R8 e até um Opala, estão entre os bens recolhidos

 

A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (21), um novo mandado de busca e apreensão ligado ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, no âmbito da Operação Sem Desconto.

A operação resultou na apreensão de diversos carros de luxo e de coleção. Veja a seguir os modelos recolhidos pela PF:

Audi R8

(Foto: Divulgação/PF).

Um dos destaques entre os bens apreendidos pela Polícia Federal é um Audi R8, um dos superesportivos mais emblemáticos da fabricante alemã. O modelo de dois lugares utiliza motor central V10 aspirado de 5,2 litros, compartilhado com o Lamborghini Huracán, capaz de desenvolver até 610 cavalos de potência e acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 3,2 segundos. A produção do Audi R8 foi encerrada em março de 2024, após 45.949 unidades fabricadas, tornando o veículo ainda mais exclusivo e valorizado entre colecionadores.

BMW X6

(Foto: Divulgação/PF).

Entre os automóveis apreendidos também está uma BMW X6, modelo que inaugurou o segmento dos Sports Activity Coupé (SAC), combinando características de um SUV com o design esportivo de um cupê. Na configuração atual xDrive40i M Sport, o veículo é equipado com motor de seis cilindros e 381 cavalos de potência, com preço aproximado de R$ 889 mil. As versões mais completas ultrapassam a marca de R$ 1 milhão no mercado brasileiro.

Chevrolet Opala Diplomata

(Foto: Divulgação/PF).

Outro veículo apreendido foi um Chevrolet Opala Diplomata, versão topo de linha da tradicional família Opala. Produzido até 1992, o modelo se destacou pelo acabamento sofisticado, alto nível de conforto e pelos motores 2.5 de quatro cilindros ou 4.1 de seis cilindros. Considerado um ícone da indústria automobilística brasileira, o Diplomata tornou-se uma peça de coleção e pode alcançar valores expressivos no mercado de clássicos, a depender do ano de fabricação, da originalidade e do estado de conservação.

A operação

A ação foi realizada no Distrito Federal e teve como objetivo atingir o patrimônio do investigado, apontado como um dos principais articuladores do esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu a ordem judicial com a finalidade de promover a descapitalização do investigado, considerado peça central no esquema criminoso investigado pela corporação.

Em nota, a Polícia Federal informou que, além das fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões, também são apurados os crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação patrimonial.

Mael Vale

PT ADMITINDO ENVOLVIMENTO COM O BANCO MASTER

PT admite ligação de Wagner ao Banco Master, e torce para que situação de Ciro seja ainda pior

Jaques Wagner, ex-Líder do Governo Lula (PT) no Senado, com Lula - Foto: redes sociais.

Petistas sabem que a investigação envolvendo o Banco Master e Jaques Wagner vai ser tema central na campanha, mas não esperavam que a intimação ao ex-líder de Lula para explicar à Polícia Federal a confusão, em 7 de agosto, seria só dois dias após o prazo para convenções partidárias. No PT, a esperança é de que a situação de Ciro Nogueira (PP-PI) seja pior do que a do senador baiano e já que ele foi ministro de Jair Bolsonaro, a ideia é que a relação enrole a oposição no escândalo.

Menos pior

A aposta no PT é que o escândalo do Master é pluripartidário e não deve sequestrar o noticiário. A estratégia, por ora, é foco no tarifaço.

Filme queimado

A preocupação é tentar preservar o palanque de Lula na Bahia e evitar o climão na convenção do PT baiano, marcada para 1º de agosto.

O pai é outro

O senador do Piauí é o autor do que ficou conhecido como “Emenda Master”, por beneficiar os negócios de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

PT gostou

Entre a batida da PF na casa de Wagner e o depoimento, haverá hiato de cerca de dois meses e meio, tempo longo neste tipo de investigação.

Cláudio Humberto

ENVOLVIDO COM O BANCO MASTER

PF intima Jaques Wagner para prestar depoimento sobre suspeita de propina do Banco Master

Senador Jaques Wagner (PT-BA) (Carlos Moura/Agência Senado)

Depoimento do senador e ex-líder do governo Lula está marcado para o início de agosto

 

A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, para prestar depoimento no início de agosto sobre as suspeitas de recebimento de propina do Banco Master.

A PF quer ouvir as explicações do senador sobre o pedido feito por ele ao ex-sócio do Master Augusto Lima para a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, destinado à sua filha. Os investigadores também devem questioná-lo sobre a tentativa de venda de um terreno em Camaçari por R$ 15,8 milhões um dia depois do cumprimento de busca e apreensão contra o senador. A transação foi revelada no sábado (18) pelo Estadão.

A data inicialmente prevista para o depoimento é o dia 7 de agosto, mas a defesa do senador ainda pode pedir sua dispensa. Procurada, a defesa não respondeu se ele vai comparecer.

Em entrevista concedida após a operação, Wagner admitiu ter pedido a Augusto Lima a compra do apartamento, mas disse que pretendia pagá-lo posteriormente e negou ter favorecido o Master em sua atuação no Senado.

Na mesma semana, a PF também deve interrogar outros investigados do inquérito envolvendo Jaques Wagner.

O Estadão revelou que o senador registrou em cartório no dia 19 de junho, um dia depois da busca e apreensão, uma operação de venda de um terreno em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, por R$ 15,8 milhões. A operação foi barrada pelo 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari após bloqueio de bens determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

"Em cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner", registrou o cartório.

Sua defesa negou irregularidades e afirmou que "a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos".

"O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura publica foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta", diz a defesa.

Terreno vendido para empreendimento imobiliário

A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de quatro proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e que o de Jaques Wagner correspondia a 9,6% do total. Disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

Já a Lagoons Empreendimentos, a empresa compradora do terreno, afirmou que "o processo de aquisição de imóveis foi iniciado em 2024, dando inicio à compra de terrenos de diferentes proprietários, seguindo critérios técnicos relacionados à implantação do empreendimento". Segundo a Lagoons, "o terreno mencionado foi adquirido em maio de 2025 e integra 9,6% do espaço onde será implantado o empreendimento anexo ao Centro de Treinamento do Esporte Clube Bahia SAF".

"Todas as aquisições realizadas seguiram critérios de mercado e foram validadas por consultorias independentes, além de passar por uma due diligence, incluindo a obtenção das certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis, que não apontavam qualquer restrição que impedisse a realização da escritura pública de compra e venda", destaca a nota a empresa.

"Assim, o comprador apenas deu prosseguimento aos trâmites registrais necessários à formalização da transferência do imóvel iniciada em Maio de 2025", completa.

Estadão Conteúdo

ELEIÇÕES 2026

Federação União Progressista marca convenção e deve oficializar candidatura de Eduardo da Fonte

Convenção ocorre em meio à disputa entre Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União) pela vaga de candidato ao Senado da chapa da governadora Raquel Lyra (Foto: Divulgação/Eduardo da Fonte)

Evento ocorre três dias depois da convenção de oficialização da candidatura à reeleição de Raquel Lyra (PSD)


A Federação União Progressista em Pernambuco realiza, no dia 5 de agosto, a convenção estadual para as eleições de 2026. O evento está previsto para às 11h, no Recife, e reunirá os filiados com direito a voto para deliberar sobre as definições partidárias ao pleito deste ano.

O evento também deve marcar a oficialização da candidatura de Eduardo da Fonte (PP) ao Senado e homologará as candidaturas aos cargos de deputado federal e deputado estadual. Além disso, contará com a deliberação sobre a formação de coligação partidária para as eleições majoritárias.

Conforme o edital de convocação, assinado pelo presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte, a ordem do dia está dividida em cinco momentos: 

I – Deliberação sobre a formação de coligação partidária para as eleições majoritárias, bem como discussão, aprovação e definição da denominação da coligação, caso venha a ser constituída;

II – Escolha e homologação dos candidatos aos cargos de Senador da República, Deputado Federal e Deputado Estadual;

III – Realização do sorteio dos números a serem utilizados pelos candidatos aos cargos de Senador da República, Deputado Federal e Deputado Estadual, observadas as normas eleitorais aplicáveis;

IV – Deliberação sobre outros assuntos de interesse partidário e eleitoral relacionados ao pleito;

V – Proclamação e divulgação oficial das deliberações aprovadas durante a convenção, com a leitura dos respectivos resultados e pronunciamento oficial da Presidência.

Vaga ao Senado é alvo de disputa

Em meio à disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho (União), o evento da federação União Progressista ocorrerá três dias depois da convenção do PSD que oficializará o nome de Raquel Lyra como candidata à reeleição ao Governo de Pernambuco. O impasse entre as duas lideranças das legendas começou durante reunião da executiva estadual da Federação, em que foi oficializada a pré-candidatura de Eduardo ao Senado.

Segundo o parlamentar, a decisão foi aprovada pela executiva estadual e representa um passo importante para consolidar sua candidatura. "Isso é um indicativo muito importante, consistente e que consolida a nossa pré-candidatura ao Senado Federal", afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais. 

No entanto, pouco antes da reunião, o presidente nacional da federação, Antonio Rueda, divulgou uma nota informando que não havia qualquer definição sobre as candidaturas majoritárias em Pernambuco.

Horas depois, a disputa ganhou um novo desdobramento. Em nota oficial, o copresidente nacional da Federação União Progressista, senador Ciro Nogueira, referendou integralmente a deliberação da executiva estadual pernambucana.

Após o anúncio de Eduardo da Fonte e respaldo de Ciro Nogueira, Miguel Coelho também foi às redes sociais para afirmar que continuava na disputa pela vaga ao Senado.

À época, o ex-prefeito de Petrolina argumentou que, conforme o estatuto da federação, as decisões estaduais precisam ser tomadas de forma unânime entre PP e União Brasil — condição que, segundo ele, não ocorreu em Pernambuco.

"O momento de definição será nas convenções e sob a liderança da governadora Raquel Lyra. Estamos firmes em nossa caminhada ao Senado", declarou.

Nos bastidores, a expectativa era que a governadora Raquel Lyra (PSD) assumisse o papel central na construção do consenso em torno da chapa majoritária; no entanto, o impasse continua. 

Elaine Guimarães


PADRE AIRTON FREIRE

Justiça concede liberdade ao padre Airton Freire após quase três anos

Padre Airton tem liberdade concedida pela Justiça (Foto: Reprodução)

Religioso estava em prisão domiciliar desde julho de 2023. Padre Airton ainda está sujeito a restrições determinadas pela Justiça


A Justiça de Pernambuco revogou a prisão domiciliar do padre Airton Freire, investigado por acusações de estupro, e determinou sua liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares. A decisão foi proferida nesta terça-feira (21) pelo juiz Guilherme Oliveira da Silva Gonçalves, que entendeu haver excesso de prazo na instrução processual.

O religioso estava em prisão domiciliar desde julho de 2023, após ter sido preso preventivamente no âmbito das investigações. A decisão ocorre cerca de quatro meses depois de Airton ser absolvido em uma das ações penais que responde.

Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que a demora na tramitação do processo não pode ser atribuída à defesa. Na decisão, destacou ainda que o padre permaneceu submetido à medida cautelar por aproximadamente dois anos e 11 meses sem descumprir nenhuma das condições impostas pela Justiça.

Para o juiz, embora a fase de instrução ainda não tenha sido encerrada, a manutenção da prisão preventiva deixou de ser proporcional ao estágio atual do processo e poderia ser substituída por medidas cautelares menos gravosas.

Entre os motivos apontados estão a complexidade da ação, a ausência de testemunhas da acusação em algumas audiências e a necessidade de repetir um depoimento. Segundo o magistrado, esses fatores provocaram adiamentos que não podem ser imputados aos réus.

Com a decisão, Airton deixa a prisão domiciliar, mas continuará sujeito a restrições determinadas pela Justiça. Entre elas estão a proibição de manter contato com a denunciante, exercer atividades religiosas e fazer publicações sobre o processo nas redes sociais.

O sacerdote também permanece com as funções eclesiásticas suspensas e privado do uso de ordem pela Diocese de Pesqueira.

A advogada Mariana Carvalho, que integra a defesa do religioso, afirmou que a manutenção da prisão já não se justificava. “Depois da primeira absolvição em março, começava a ficar claro que a manutenção da prisão domiciliar era uma medida extrema.”

A defesa também afirmou que seguirá buscando a absolvição do padre nas ações ainda em andamento. “Seguimos confiantes de que a análise técnica das provas continuará demonstrando a inocência do padre Airton. A decisão de hoje restabelece a proporcionalidade das medidas cautelares, sem qualquer prejuízo ao prosseguimento do processo”, disse Mariana Carvalho, que atuou na defesa ao lado de Eduardo Trindade e Marcelo Leal.

O caso

O padre Airton Freire foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sob a acusação de participar do estupro de Silvia Tavares de Souza, em agosto de 2022, na Fazenda Malhada, em Buíque, no Agreste.

Segundo a denúncia, o motorista e segurança Jailson Leonardo da Silva teria cometido a violência sexual a mando do religioso, durante um período em que a mulher participava de um acompanhamento espiritual.

De acordo com a acusação, Silvia foi levada até um imóvel conhecido como “Casinha”, onde ocorriam atendimentos espirituais. O MPPE sustenta que, no local, o padre teria pedido que a mulher lhe fizesse uma massagem e, em seguida, ordenado que o motorista a estuprasse.

Durante a investigação, o Ministério Público apontou elementos como um áudio atribuído ao padre convidando a vítima para o encontro, registros fotográficos da presença de Jailson na fazenda no horário indicado pela denunciante, indícios de exclusão de dados de localização do celular do sacerdote e um laudo que identificou vestígios de sêmen em um colchão do imóvel.

Ao analisar o pedido de recebimento da denúncia, o juiz Felipe Marinho dos Santos observou que o conjunto probatório apresentava elementos favoráveis e contrários à acusação, classificando o acervo como de “caráter quase paradoxal”.

Absolvição

Em março deste ano, Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva foram absolvidos em uma das ações penais relacionadas ao caso.

Na sentença, o juiz Felipe Marinho dos Santos concluiu que as provas periciais produzidas durante a investigação contrariavam pontos centrais da versão apresentada pela denunciante, afastando a possibilidade de condenação naquele processo.

No entanto, a absolvição não encerrou todos os processos envolvendo o religioso, que continua respondendo a outras ações judiciais decorrentes das denúncias.

Adelmo Lucena

TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Mulher é indiciada por tentativa de homicídio em caso de envenenamento por mercúrio no Recife

Mercúrio foi colocado em garrafa por uma aluna do projeto social (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Procedimento foi encaminhado ao Ministério Público após Polícia Civil concluir que suspeita agiu por ciúmes e reunir provas periciais ao longo da investigação


A Polícia Civil de Pernambuco concluiu o inquérito que investigava o suposto envenenamento por mercúrio de uma artesã durante um curso de artesanato, no Recife, e indiciou a investigada por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na segunda-feira (20), que agora analisará o conjunto de provas e decidirá se oferece denúncia à Justiça.

Segundo a investigação conduzida pela Delegacia da Boa Vista, a motivação do crime estaria relacionada a ciúmes. De acordo com o delegado José Custódio, responsável pelo caso, a polícia concluiu que a suspeita teria colocado mercúrio na garrafa de água da vítima por não aceitar a amizade entre o namorado dela e a artesã.

A conclusão do inquérito ocorreu após meses de diligências e da produção do conjunto de provas periciais. O delegado afirmou que a complexidade do caso exigiu uma investigação técnica.

“Foram várias perícias. Vários laudos médicos foram necessários para que a gente tivesse uma maior robustez no inquérito policial. Além disso, os legistas entenderam a necessidade de solicitar avaliações de outras especialidades médicas, como neurologia, reumatologia, pneumologia e clínica geral. Tudo isso foi sendo construído no decorrer da investigação”, afirmou.

Segundo ele, a Polícia Civil buscou reunir evidências científicas capazes de sustentar a conclusão do inquérito. Além dos depoimentos das partes envolvidas, foram produzidos laudos químicos, exames toxicológicos, perícia traumatológica e pareceres de especialistas de diferentes áreas médicas.

Filmagem deu início à apuração

As investigações tiveram como um dos principais pontos de partida um vídeo gravado pela própria vítima. Após perceber pequenas esferas metálicas na água que consumia e sentir como se estivesse “engolindo bolinhas”, ela decidiu deixar o celular filmando enquanto se ausentava da sala onde participava do curso.

As imagens registraram o momento em que uma mulher retira um sachê da roupa, despeja o conteúdo na garrafa da vítima e, em seguida, agita o recipiente.

Para o delegado José Custódio, embora o vídeo tenha sido relevante, a conclusão do inquérito não se baseou apenas nas imagens. “Devido à complexidade e à natureza da própria investigação, era necessário, além dos depoimentos e das filmagens gravadas pela própria vítima em seu celular, que flagraram a investigada colocando uma substância que identificamos como sendo mercúrio na garrafa de água da vítima, produzir essas provas e esses elementos de informação”, explicou.

Ainda no plantão policial, após o registro da ocorrência, foi determinada a realização da perícia química na substância encontrada na garrafa de água. Posteriormente, quando o inquérito passou a ser conduzido pelo delegado José Custódio, novas diligências foram determinadas para confirmar se a vítima havia sido contaminada.

“A investigação prosseguiu aguardando o resultado da perícia química, que identificou a presença de mercúrio. Solicitamos também o exame toxicológico para verificar uma possível contaminação da vítima. Foi identificada a presença de mercúrio no sangue e na urina, o que, segundo o médico legista, indica uma exposição recente ou sucessivas exposições”, disse.

O delegado acrescentou que também foram requisitados exame traumatológico e outras perícias para fortalecer o conjunto probatório.

Investigada negou participação

Durante o interrogatório, a investigada negou ter colocado qualquer substância na garrafa da vítima. Segundo o delegado, ela também não apresentou explicação sobre como o mercúrio teria chegado ao recipiente.

A defesa não informou à Polícia Civil a existência de eventual transtorno psiquiátrico da investigada nem apresentou documentos médicos nesse sentido.

“Nada foi apresentado pela defesa. Ela negou tudo e disse que não foi quem colocou qualquer substância na garrafa. Mas a filmagem é clara. Os fatos, por si sós, já demonstram que realmente ela colocou aquela substância, além das perícias e dos exames que comprovaram que a substância identificada era mercúrio”, declarou José Custódio.

Segundo o delegado, a negativa da investigada não comprometeu a conclusão da investigação, já que o inquérito foi sustentado principalmente por provas técnicas e periciais.

Ao concluir o procedimento, a Polícia Civil indiciou a suspeita por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. Conforme explicou José Custódio, a qualificadora foi aplicada porque a investigação apontou que o suposto crime teria sido motivado pela relação de amizade entre a vítima e o namorado da investigada.

Com o encerramento do inquérito, o caso passa agora para análise do Ministério Público de Pernambuco. Caberá ao órgão avaliar as provas produzidas pela Polícia Civil e decidir se apresenta denúncia à Justiça para dar início à ação penal.

Procurada, a defesa da investigada informou que irá se pronunciar apenas em “momento oportuno.”

Adelmo Lucena

OPERAÇÃO MIRAGE

Metas em dólar e plano para o México revelam bastidores de grupo preso no Recife por golpe

Quadro tinha metas e citava futura viagem ao México (Foto: Reprodução)

Anotações encontradas pela Polícia Civil revelam rotina de produtividade, hierarquia entre operadores e planejamento para transferir a estrutura da organização criminosa para fora do Brasil


O grupo criminoso especializado em golpes financeiros preso no Recife em uma operação da Polícia Civil no dia 15 de julho planejava deixar o Brasil, segundo investigações. O plano estava registrado em um quadro branco instalado no escritório onde funcionava a central de golpes financeiros desarticulada pela Operação Mirage.

Ao lado das metas de arrecadação em dólares, os investigadores encontraram orientações para uma viagem ao México, como imprimir o visto eletrônico, converter dinheiro em espécie, digitalizar documentos pessoais e informar aos "líderes" qualquer pendência antes do embarque. Para a investigação, as anotações indicam que o grupo se preparava para transferir parte da operação para o exterior.

A sala funcionava em um empresarial na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife. Quando os policiais cumpriram os mandados de busca e apreensão, os 13 investigados estavam em seus postos de trabalho, utilizando computadores e celulares. Sobre as mesas havia anotações com nomes de clientes, valores investidos, profissões das vítimas e observações utilizadas durante o contato com os investidores.

O escritório tinha características incomuns para uma empresa de consultoria financeira. A porta era protegida por fechadura eletrônica, já as paredes possuíam isolamento acústico. Além disso, câmeras monitoravam os acessos ao imóvel e não havia qualquer identificação da empresa na porta da sala nem no painel de estabelecimentos do edifício.

Nos computadores, os policiais encontraram plataformas que simulavam operações do mercado financeiro. As telas reproduziam gráficos, índices e interfaces semelhantes às de corretoras de investimentos. Conforme a investigação, o sistema servia apenas para convencer as vítimas de que o dinheiro estava aplicado, embora não houvesse qualquer ligação com o mercado financeiro.

Entre o material apreendido também havia anotações fazendo referência ao programa AnyDesk, utilizado para acesso remoto a computadores. No inquérito, um dos delegados que participou da operação aponta que o aplicativo pode ter sido usado para acessar dispositivos das vítimas durante as negociações, permitindo acompanhar operações bancárias, induzir transferências e realizar outras movimentações financeiras sem despertar suspeitas.

Metas em dólares

O quadro branco apreendido pela Polícia Civil revela como a organização acompanhava o desempenho dos operadores. No painel aparecem os prenomes de 11 integrantes (Guilherme, Bernardo, Daniel, Angelo, Bruno, Thales, Ricardo, David, Isaac, Roberto e Oscar) acompanhados por indicadores de produtividade. Há campos destinados ao controle de "meta", "bruto", "saque", "líquido" e "projeções", todos em dólares.

As anotações registram uma projeção mensal superior a US$ 800 mil e fazem referência a "loads" e "líderes". Para a Polícia Civil, o material demonstra que o grupo atuava de forma hierarquizada, com divisão de tarefas, metas individuais e acompanhamento permanente dos resultados.

A fotografia do quadro aponta ainda uma meta parcial de US$ 600 mil, valores já arrecadados e projeções para os dias e semanas seguintes, indicando que o desempenho da equipe era monitorado continuamente.

Mudança para o exterior

No mesmo quadro, os policiais encontraram uma lista intitulada "Viagem para o México". Entre as orientações estavam providenciar toda a documentação da viagem, digitalizar documentos pessoais, guardar dinheiro até a data do embarque e comunicar imediatamente aos líderes qualquer problema que pudesse comprometer a viagem.

Outro espaço do quadro trazia um "Check-list Pré-Viagem". As anotações orientavam os integrantes a imprimir o E-Visa México, considerado de "importância máxima", converter recursos para dólares em espécie e não transportar qualquer material ilícito na bagagem.

Na avaliação da equipe responsável pela investigação, o conteúdo reforça a suspeita de que a mudança da estrutura para o México já estava sendo preparada e buscava dificultar a atuação das autoridades brasileiras.

Durante as buscas, a Polícia Civil apreendeu ainda papéis com orientações para os operadores durante o contato com as vítimas.

As anotações continham argumentos utilizados para convencer investidores a realizar novos aportes financeiros e manter a confiança na plataforma. Apesar da estrutura montada no escritório, os policiais não localizaram contratos de prestação de serviços, cadastro de clientes ou qualquer documento que comprovasse autorização para a empresa atuar no mercado financeiro.

Em um cômodo utilizado como depósito, os policiais encontraram substâncias com características de maconha e cocaína, dinheiro em espécie e uma munição calibre .380 de treinamento.

Também foram apreendidos computadores, notebooks, celulares, passaportes, documentos, chaves de veículos e outros equipamentos eletrônicos que serão periciados. Como nenhum dos presos assumiu a propriedade dos automóveis encontrados no estacionamento do edifício, os policiais fizeram buscas nos veículos. Em um deles foram localizados dois celulares, sendo que um exibia a fotografia de um dos investigados.

Durante a abordagem, os policiais tentaram identificar quem comandava a estrutura instalada no empresarial. Questionados sobre o responsável pelo escritório, os investigados preferiram exercer o direito ao silêncio. Antes disso, afirmaram apenas que eram monitorados por meio das câmeras de segurança instaladas no imóvel. A identificação da liderança da organização continua sendo uma das frentes da investigação.

Adelmo Lucena

QUADRILHA DESMANTELADA

Treze pessoas são presas em escritório suspeito de aplicar golpes com investimentos em ativos virtuais

Operação "Mirage" (Ascom/PCPE)

Anúncio foi feito durante a aula inaugural da segunda turma do programa, que reúne 300 pessoas em formação para obtenção gratuita da carteira de habilitação


Treze pessoas foram presas em flagrante durante a Operação “Mirage”, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco nas cidades do Recife e Olinda. A ação teve como alvo um escritório utilizado por um grupo investigado por suspeita de aplicar golpes por meio de investimentos em ativos virtuais, valores mobiliários e outros ativos financeiros.

De acordo com a Polícia, as investigações tiveram início em maio de 2024. O esquema simulava legitimidade para convencer as vítimas a realizar aplicações financeiras.

A polícia afirma ainda, que os investidores sofreram prejuízos elevados. Em um dos casos apurados, uma vítima relatou perda de quase R$1,5 milhão.

Durante a operação, os agentes apreenderam passaportes, quatro carros, dinheiro em espécie, além de documentos.

Os detalhes da operação e os desdobramentos do caso serão apresentados na manhã desta terça-feira (21), pela Polícia Civil do Estado.

DP

SPORT - YURI ROMÃO

Ex-presidente do Sport, Yuri Romão rebate atual gestão sobre operação envolvendo a LFU

Yuri Romão, ex-presidente do Sport (Paulo Paiva/Sport)

Segundo Yuri Romão, as movimentações financeiras envolvendo empresas de ex-mandatários são algo rotineiro no Sport


Após a atual gestão do Sport acusar o ex-presidente Yuri Romão de utilizar empresas próprias em negociações envolvendo a Liga Forte União (LFU), o ex-mandatário leonino rebateu as acusações.

Em entrevista à Rádio Jornal, Yuri Romão afirmou ser comum a prática de ex-presidentes utilizarem suas empresas para aportar recursos no clube em momentos de dificuldade. O ex-mandatário garantiu que a operação se tratava de um ressarcimento e questionou o motivo de as acusações serem levantadas neste momento.

“O que chama a atenção é que esse assunto do empréstimo foi feito em dezembro. Por que oito meses depois é que a atual gestão traz esse assunto? Estou muito tranquilo porque tanto o Sport tem as informações como nós também temos”, rebateu Yuri Romão.

“As minhas empresas têm tudo mais de 20 anos abertas. Qual foi o ex-presidente que não usou as suas empresas para aportar dinheiro dentro do clube no momento em que necessitasse?”, concluiu.

Revelação da atual gestão

De acordo com o vice-presidente jurídico do Sport, Lucas Leite, , a expectativa era de que o Sport recebesse cerca de R$ 14 milhões na parcela final da LFU. Entretanto, por causa dos critérios de distribuição — como desempenho esportivo e audiência — o valor caiu para aproximadamente R$ 5 milhões.

Lucas Leite afirma que, após a eleição da nova diretoria, foi informado de que o dinheiro ainda não havia sido creditado ao clube. Dias depois, descobriu-se que houve uma movimentação bancária envolvendo esse recurso.

"No dia 15 vencemos a eleição e, no dia seguinte, fui procurado pelo profissional que fazia o financeiro do clube. Ele informou que o dinheiro da Liga não havia entrado. Acionamos o departamento jurídico e descobrimos que havia um bloqueio operacional na conta do Sport. Existia um crédito de aproximadamente R$ 5 milhões, que sequer deveria passar pela conta do clube por causa da carta-trava da operação. Logo em seguida houve um débito exatamente desse valor. O dinheiro entrou e saiu para uma empresa chamada Múltipla, cujo sócio-administrador era o ex-presidente do Sport."

Segundo o dirigente, o banco informou que o valor teria sido utilizado para quitar um mútuo firmado entre o Sport e essa empresa.

"O banco apresentou documentos informando que essa parcela da Liga havia sido dada como garantia de uma operação de mútuo feita pela empresa Múltipla para o Sport. A justificativa era de que, como o clube estava em recuperação judicial, o empréstimo teria sido realizado por intermédio da empresa. Quando o dinheiro da Liga entrasse, serviria para quitar essa dívida. Mas quem fez essa movimentação não foi o Sport. Foi o banco."

Caio Antunes