Nikolas ironiza Janja após suspensão das lives do Discord: ‘eleitorado vai amar’
Deputado federal Nikolas Ferreira. (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados).
Deputado questiona medida adotada contra a plataforma e afirma que restrição pode atingir justamente o público jovem em ano eleitoral
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil e ironizou a primeira-dama Janja pela defesa de medidas contra a plataforma.
A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na quarta-feira (12), em meio às investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão na plataforma.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Nikolas relacionou a medida às manifestações de Janja e afirmou que a decisão poderá ter repercussão entre o público jovem, especialmente em um ano eleitoral.
O parlamentar disse, em tom irônico, que a primeira-dama usou sua influência para contribuir com a interrupção das lives e afirmou que o eleitorado jovem “vai amar” a iniciativa.
A declaração ocorreu depois de Janja defender, em 6 de agosto, a retirada do Discord do ar.
Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, a primeira-dama criticou a plataforma após o caso envolvendo a adolescente de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul.
Na ocasião, afirmou que o episódio não seria isolado e defendeu uma atuação conjunta com o Judiciário para retirar o serviço do país.
A manifestação de Janja foi acompanhada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que informou a intenção da Advocacia-Geral da União (AGU) de ingressar com uma ação civil pública contra o Discord.
Segundo Messias, o objetivo seria buscar a responsabilização da empresa e a retirada de sua utilização no Brasil.
A ANPD abriu um processo de fiscalização em 7 de agosto, um dia depois das declarações da primeira-dama.
O procedimento teve como ponto de partida o caso da adolescente e incluiu pedidos de informações ao Discord sobre mecanismos de verificação de idade, identificação e remoção de conteúdos ilegais, comunicação de situações graves às autoridades e prevenção do acesso de menores a conteúdos relacionados a comportamentos autodestrutivos.
Na quarta-feira (12), a agência determinou a suspensão das transmissões ao vivo e de outros recursos de compartilhamento de vídeos do Discord no país.
A medida deve começar a valer em até três dias e permanecerá em vigor até que a plataforma demonstre a adoção de mecanismos considerados suficientes para proteger crianças e adolescentes.
O descumprimento poderá resultar em multa diária, ainda sem valor definido.
A decisão veio depois de reuniões entre representantes do governo federal e do Discord.
A empresa apresentou um plano com medidas para corrigir as falhas apontadas, mas a ANPD considerou as providências insuficientes após analisar as informações e realizar nova reunião com representantes da plataforma.
O Discord contestou a decisão.
A empresa informou que havia retirado do ar, antes da morte da adolescente, o servidor privado relacionado ao episódio e afirmou que não permite grupos destinados a incentivar ou promover violência.
Também declarou que continua colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
Nikolas questionou justamente a opção de restringir uma ferramenta da plataforma em vez de concentrar as medidas nos responsáveis pelas condutas investigadas.
O deputado afirmou que a suspensão das transmissões não atingiria diretamente os criminosos e comparou a lógica da medida à possibilidade de proibir outras ferramentas ou produtos que também podem ser utilizados para a prática de crimes.
O parlamentar também destacou o impacto da decisão sobre a comunicação digital em um momento em que os partidos e candidatos se aproximam do início da propaganda eleitoral de 2026.
A crítica foi direcionada principalmente ao efeito que restrições a uma plataforma popular entre jovens poderiam produzir sobre esse público.
O Discord terá dez dias úteis para recorrer da decisão da ANPD.
Paralelamente, o procedimento administrativo poderá avançar para um processo sancionador caso a agência conclua que a plataforma não consegue cumprir as exigências estabelecidas para a proteção de crianças e adolescentes.
Pedro Taquari