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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

BEBIDA ACOÓLICA NÃO


Comissão para manter o veto às vendas de bebidas alcoólicas nos estádios

Grupo quer frear iniciativa para liberação do comércio

 Diario de Pernambuco

Rodolfo Bourbon/DP/D.A Press
Comissão Permanente de Adoção de Medidas de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios de Futebol. O nome é extenso. Tanto quanto a corrida para frear a tentativa de revogação da lei responsável por probir a comercialização de bebidas alcoólicas em redutos pernambucanos. Um grupo encabeçado por procuradores e promotores de justiça acelera o passo para barrar a liberação. O receio, inclusive, é de causar uma espécie de efeito dominó: o “recuo” de Pernambuco, um dos principais modelos da luta e há mais de dois anos com a vigência da lei seca, poderia despertar medidas similares em outros estados. 

Nesta manhã de quinta-feira, dois compromissos. Um com o Poder Executivo, outro com o Legislativo. Primeiramente, José Antônio Baêta e Paulo Augusto Freitas, respectivos coordenador e secretário nacional da comissão, junto ao promotor do torcedor Aguinaldo Fenelon, reuniram-se com o secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, para discutir o assunto.

Entregaram um documento com números e justificativas para conter a revogação, de iniciativa do deputado estadual Antônio Moraes (PSDB-PE). A tentativa de retomar a liberação da venda de bebida alcoólica circula pela comissão de constituição e justiça da Assembleia Legislativa (Alepe). Se aprovada, segue a outras instâncias, até a votação em sessão plenária. 

Alepe
Na própria Alepe, o grupo se reuniu com o presidente da casa, Guilherme Uchoa (PDT-PE). O deputado ressaltou a importância em reavaliar o assunto e garantiu encaminhar as informações à comissão de justiça. Para Baêta, a revogação é um retrocesso. “O futebol não é um evento social, como um show, onde há o congraçamento. O jogo incita a rivalidade. Não dá para comparar. Com a proibição da venda, as famílias passaram a ir mais a campo. Quase não existe violência dentro do estádio. O problema ainda é fora”, afirmou.
Rodolfo Bourbon/DP/D.A Press
A afirmação é sustentada em números. Segundo Aguinaldo Fenelon, desde a aplicação da lei seca, a violência dentro dos redutos esportivos caiu em 71%. “A ideia não é dar um passo para trás. Mas sim, para frente, com a proibição da venda nos arredores do estádio. O episódio lamentável na Ilha do Retiro, onde várias garrafas foram arremessadas, mostra o quanto é perigoso ter o comércio.” 

O promotor Paulo Augusto ainda levantou outra questão. “Se a bebida alcoólica voltar a ser vendida, vai haver a necessidade de tirar policiais de fora do campo, onde há mais incidentes, e os deslocar para dentro”, declarou.

Copa de 2014
Afora a questão pernambucana, a comissão quer manter a discussão de âmbito federal e enfrentar outro “adversário” ainda mais forte: a lei geral da Copa do Mundo. O grupo já requereu e debate, junto ao Congresso Nacional e ao Ministério dos Esportes, a possibilidade de vetar as vendas durante o Mundial de 2014.

ResistênciasSegundo a comissão nacional, praticamente todos os estados mantêm firme a lei seca dentro dos estádios de futebol. Mas duas localidades ainda parecem oferecer resistência: Goiânia e, mais forte, Salvador. De acordo com o procurador José Baêta, a capital baiana deve voltar a impedir o comércio de bebidas alcoólicas. "Bobô (Raimundo Nonato, superintendente de desportos da Bahia) garantiu assinar o termo para voltar a ter o veto", afirmou.

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