O silêncio dos culpados
Em conversa pelo whatsapp, Everton pedia para que a família não o abandonasse
Polícia prendeu ontem Everton Felipe, primeiro envolvido na morte de Paulo Ricardo. Outros dois suspeitos ainda eram procurados
Everton entrou direto na sala da delegada Gleide Ângelo. As informações começaram a surgir. A conta gotas, imprecisas. Foram aproximadamente três horas com as portas fechadas. Tempo em que as dúvidas foram clareando. A confissão. As mensagens via WhatsAPP. As imagens. A identidade. Os cúmplices. Confirmadas na voz do advogado Adelson José da Silva, que entrou na delegacia no mesmo momento de Everton. Por outra porta.
Quando a porta abriu, quem apareceu primeiro foi a delegada. “Estou aqui por respeito a vocês da imprensa. Acabou o depoimento e ele ficará preso. A SDS falará a respeito”, disse. Logo depois, Everton passou em meio a um alvoroço de cinegrafistas e fotógrafos. Nenhuma palavra, nenhum olhar. Com a cabeça baixa e o passo acelerado, ditado por um policial que o levava pelo braço para outra sala. Tempos depois, apareceu o advogado.
Everton Felipe na delegacia: após três horas de depoimento, ele foi conduzido ao Cotel
“Conversei com ele particularmente e ele confessou, realmente. Já estava disposto a se entregar, a confessar depois na polícia. Foi uma denúncia anônima, disseram a ele”, afirmou Adelson José da Silva. Segundo o advogado, em conversa com a família pelo WhatsAPP o suspeito pedia para que ela não o abandonasse se ele fosse preso. “Então ele estava convicto do que iria acontecer com ele”, destacou ele, que deixou o DHPP após responder as perguntas da imprensa.
Everton ficou. Não por muito mais tempo. Por volta das 22h, apareceu pela última vez na delegacia. O mesmo ritual. Nenhuma palavra. Nenhum olhar. Cabeça baixa, o passo acelerado. Os policiais o conduziram até o carro da polícia. Colocaram-no na parte de trás. Seu próximo destino: o Cotel.
Os indícios do envolvimento de Everton
Conversas no WhatsApp
Apesar de negar o envolvimento no momento da abordagem, os policiais descobriram no celular de Everton Felipe conversas no aplicativo WhasApp - inclusive em áudio -, onde ele falava sobre o medo por ser preso e também o relato de outros amigos para que ninguém entregasse ninguém. Em uma das mensagens, ele afirma que não queria ir para o “inferno”, se referindo à cadeia.
Imagens das câmeras
O circuito interno de câmeras do Arruda flagrou o momento que Everton Felipe deixa o estádio. Apesar de o advogado afirmar que não viu as imagens, o próprio acusado se reconheceu e admitiu que estava no local. “Ele participou e confessou. As imagens que têm aí mostram ele saindo de lá e ele reconhece que estava lá”, disse o advogado Adelson José.
A confissão
Mesmo com as provas obtidas pela polícia, o que mais pesou para a prisão foi a própria confissão do torcedor. Não há detalhes do teor da sua confissão, portanto, a gradação da sua participação - quem arrancou, quem jogou as bacias… Num certo momento da entrevista, o advogado afirmou que, talvez, Everton Felipe tinha agido por influência dos demais.
Como chegaram até Everton?
A principal pista para chegar até Everton Felipe partiu do Disque-Denúncia, que oferecia até R$ 5 mil de recompensa. De acordo com a coordenação da campanha, nove denúncias foram recebidas. E uma delas levou a Everton Felipe.
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