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quarta-feira, 16 de março de 2016

O SUSPENSE CONTINUA

Dilma e Lula: conversa continua na manhã desta quarta

Terminado o jantar no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula combinaram de conversar novamente na manhã desta quarta. A tendência é Lula aceitar ser ministro. E o destino provável passou a ser mais a Casa Civil do que a Secretaria de Governo.
A Casa Civil tem o peso simbólico de ser o ministério mais importante. Se Lula colocou José Dirceu e Dilma Rousseff na Casa Civil, a ideia seria que ele fosse para a mesma posição. Seria uma sinalização de deferência e de importância da tarefa.
Até o início da noite, o desenho ministerial que fora montado indicava a Secretaria de Governo como destino de Lula. Mas, segundo um ministro que soube detalhes do jantar, Jaques Wagner tomou a iniciativa de sugerir a Casa Civil como o posto mais adequado para o ex-presidente. Lula e Dilma decidiram refletir por mais uma noite. Os dois deverão bater o martelo na manhã desta quarta.
Desde a semana passada, quando Dilma convidou Lula para ser ministro da Casa Civil, houve um vaivém a respeito do destino do ex-presidente. Lula resistia a pedir a saída de Wagner do posto. Ele e o atual ministro são muito amigos. Então, começou a construção da possibilidade de o ex-presidente comandar a Secretaria de Governo.
Na noite desta terça, pesou a avaliação de que a entrada de Lula no ministério se tornara irreversível, sob pena de transmitir a imagem de que nem ele acreditaria mais na rejeição do impeachment. Seria o fim do governo Dilma e do projeto petista de poder.
Então, foi vencido o último argumento de resistência de Lula: a de que a nomeação ministerial pareceria fuga das investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro na Lava Jato. Foi lembrado no jantar no Alvorada que o Supremo Tribunal Federal julgara petistas com dureza no mensalão.
Mais: o PT, movimentos sociais e a base do partido cobravam a entrada de Lula no governo. Uma desistência agora desmobilizaria forças que ainda poderiam resistir ao impeachment de Dilma. A gravidade da crise demandava a presença de Lula no governo, avaliaram os participantes da reunião no Palácio da Alvorada.
Ainda na noite de ontem estava prevista uma conversa entre Lula e o presidente do Senado, Renan Calheiros, principal aliado do governo no PMDB. Tentar manter o apoio de Renan na crise é prioridade do ex-presidente.

Blog do Kennedy

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