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sábado, 1 de outubro de 2016

ELEIÇÕES 2016 - CANDIDATOS HOSTILIZADOS

Eleitores reagem com hostilidade e indiferença

Desencantados com a política, eleitores reagem ao corpo-a-corpo com hostilidade e indiferença


"Esse homem gosta é de burguês, não de pobre. Ele já falou que vai trazer a polícia para tirar nossa mercadoria."

A camelô Regina Silva falava alto ao se aproximar da calçada onde Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRB, tirava foto com eleitores. "Se é contra camelô, o que veio fazer na Lapa?", perguntava Regina.
Naquela manhã, o candidato já havia sido chamado de "fascista" e questionado por suas declarações contrárias ao Uber. Outras pessoas preferiram criticar quem estava ali por uma selfie. "Puxa-saco de político, heim? Que vergonha", disse um adolescente que passava pela roda.
Demonstrações de hostilidade e indiferença também foram registradas nas campanhas de rua de outros dos principais candidatos à prefeitura de São Paulo.
João Doria (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB) foram chamados de "golpistas". Fernando Haddad ouviu gritos de "comunista" em agenda na praça Roosevelt, no centro paulistano.
Essas reações não são exclusividade da capital paulista. Consultores políticos ouvidos pela BBC Brasil disseram que, em todo país, as eleições de 2016 ficarão marcadas pela agressividade e indiferença da população.
Segundo os entrevistados, num cenário de crise, com o processo de impeachment de Dilma Rousseff e as investigações da Lava Jato, a descrença atingiu um ápice. Somada ao desânimo geral, a timidez da campanha teria afastado de vez o brasileiro.


BBC Brasil – Ingrid Fagundez

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