YOUSSEF CUMPRIRÁ 4 MESES DE PRISÃO DOMICILIAR DE FRENTE AO PARQUE IBIRAPUERA
CONDENADO NA LAVA JATO, O ACORDO DE DELAÇÃO RENDEU A YOUSSEF PENA MÁXIMA DE 3 ANOS DE RECLUSÃO. (FOTO: FÉLIX R.//ESTADÃO CONTEÚDO)
CONDENADO A 122 ANOS, OPERADOR DE PROPINAS DEVE IR PARA CASA
Monitorado por uma tornozeleira eletrônica, Youssef só poderá descer até a academia do condomínio e se deslocar para atendimentos médicos.
Dono da mais complexa e sofisticada lavanderia de dinheiro, a serviço de empreiteiras, partidos, agentes públicos e políticos envolvidos no petrolão, o doleiro será um homem livre após o dia 17 de março de 2017. Ele conseguiu o direito à liberdade em troca da confissão de culpa nos crimes contra a Petrobras e da entrega de provas de novos delitos, ainda desconhecidos da força-tarefa da Lava Jato. Pelo acordo, fechado em setembro de 2014, sua pena máxima de prisão ficou limitada a 3 anos.
“O Beto vai começar vida nova, como empresário”, afirmou seu advogado, o criminalista Antonio Figueiredo Basto.
Pelo acordo de delação, Youssef não poderá cometer qualquer tipo de crime por dez anos, ficando sujeito a responder aos processos e às penas que lhe forem imputadas na Lava Jato – 122 anos de cadeia. Após o prazo, se for pego cometendo novo crime, também voltará a responder às ações da Lava Jato, respondendo às tipificações que ainda não tenham prescrito. Ele devolveu cerca de R$ 50 milhões.
“É preciso manter a esperança que qualquer um pode se remediar”, afirmou uma autoridade envolvida nos processos contra o réu beneficiado por uma delação premiada, em que Youssef foi pioneiro na colaboração, ao lado do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.
No dia 8 de outubro de 2014, na primeira confissão do caso diante do juiz federal Sérgio Moro, Youssef disse: “Não sou o mentor nem o chefe desse esquema. Sou apenas uma engrenagem desse assunto que ocorria na Petrobrás. Tinha gente muito mais elevada acima”.
A partir das confissões de Youssef e Paulo Roberto Costa – que também deixou a cadeia, no último mês -, a Lava Jato tomou nova proporção. São mais de 80 condenados, penas que somadas ultrapassam 1 mil anos de prisão, mais de R$ 6,4 bilhões em propinas e a descoberta que corrupção era a “regra do jogo” em todos os contratos do governo.
Para delegados e procuradores da força-tarefa, apesar de ser um “profissional do crime”, em quem não se deve confiar, Youssef foi, até aqui, um dos melhores delatores da Lava Jato. “Tudo que ele revelou na delação se comprovou”, afirmou o delegado Márcio Anselmo, da equipe que originou as investigações em Curitiba.
Diario do Poder

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