O que vem após o rebaixamento? O futuro do Santa Cruz após a confirmação da queda
Derrotado pelo Coritiba por 1 a 0, o Santa teve o rebaixamento à Série B matematicamente confirmado
Superesportes aponta semelhanças e diferenças do cenário atual do Santa em relação ao ano do último rebaixamento sofrido na Série A do Brasileiro, em 2006
O Superesportes voltou ao passado para reencontrar o Santa Cruz que despencaria ao fundo do poço. Encontrou semelhanças entre as temporadas de 2006 e 2016. Entretanto, também se deparou com diferenças que trazem um certo alívio. Nesse sentido, um aspecto marcante está no momento de transição das temporadas. O ano de 2006 terminou com o clube rebaixado e rachado, imerso num processo eleitoral desgastante. Naquele ano, o Santa viveu um dos pleitos mais acirrados da sua história, com o então vice-presidente, Édson Nogueira, liderando a oposição. Disputava contra Alberto Lisboa, candidato do então presidente Romerito Jatobá. Eleição polêmica, que terminou, pela primeira vez na história, com a vitória da oposição.
A transição traumática foi o ponto final de uma bola de neve que cresceu durante todo o ano. Houve uma sucessão de pecados que iam do comando do futebol à gerência das finanças que colocou o clube à beira da inviabilidade. Em 2006, 64 nomes passaram pelo elenco. Cinco treinadores comandaram a equipe. Quase metade dos jogadores da época foi dispensada durante o próprio campeonato, o que gerou uma enxurrada de ações trabalhistas e o aumento do passivo do clube.
Temporada também marcada pelos atrasos salariais. Funcionários acumularam dez meses sem um centavo na conta. Assim como aconteceu neste ano - alguns funcionários até com seis meses sem pagamento -, chegaram a paralisar as suas atividades. À base de cheques pré-datados - por vezes, sem fundos -, o elenco também ficou sem receber salários por quatro meses - um a menos que o máximo de atraso atingido em 2016. A situação fez com que os jogadores não treinassem por um dia e levou o clube a perder a custo zero peças as quais mantinha contrato.
Atolado em um emaranhado de dívidas, a Justiça não saía do pé do Tricolor. Se nesta temporada houve a retenção do repasse da Conmebol pelo avanço na Sul-Americana, das cotas de televisão da Série A e a marcação do leilão do Arruda por causa de dívidas antigas (os dois últimos casos, inclusive, devido a passivos referentes a 2006 e 2007, respectivamente), o Santa sofreu, há uma década, com a ameaça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por causa do descumprimento de um termo de ajustamento de conduta, firmado em 2005. A instituição solicitou melhoras no Arruda que, caso não cumpridas, previam a penhora do estádio e o pagamento de uma multa que ultrapassava os R$ 100 milhões. Reformas pontuais, paliativas, livraram o Arruda naquele ano. Mas o estrago estava feito e ia muito além da estrutura física.
O SANTA CRUZ EM 2006
64 jogadores no elenco
33 dispensas durante a Série A
R$ 2 milhões em multas por dispensas
R$ 1,7 milhão receita com a venda de jogadores (Carlinhos Bala e Rosembrick)
5 treinadores (Givanildo Oliveira, Giba, Valdir Espinoza, Maurício Simões e Fito Neves)
10 meses com os salários dos funcionários atrasados
4 meses atraso dos salários do elenco
R$ 80 mil dívida em premiações ao elenco
O SANTA CRUZ EM 2016
53 jogadores no elenco
6 dispensas durante a Série A (Lucas Ramon, Leonardo, Bolaño, Marcinho, Pedrinho Botelho e Fernando Gabriel)
R$ 500 mil em multas por dispensa
3 técnicos (Marcelo Martelotte, Milton Mendes e Doriva)
6 meses com os salários de alguns funcionários atrasados
3 meses com o salário do elenco atrasado
Dez anos depois, no mesmo lugar
Ao contrário da atual temporada, o ano de 2006 não teve qualquer lembrança boa para os tricolores. Chegou perto disso. Mas o que poderia ser um bicampeonato estadual ficou marcado como a interrupção brusca do planejamento para a temporada, com a saída de Givanildo Oliveira, às vésperas da final do Estadual, na qual o Santa Cruz saiu derrotado. A unidade do vestiário, trunfo do time na temporada em 2005, seria quebrada de forma irreversível.
O cenário é confirmado por quem viveu o clima dos vestiários na época. Coincidentemente, está no mesmo lugar hoje, numa função distinta. Auxiliar técnico do clube e encarregado em comandar a equipe nos últimos jogos deste Brasileirão após a saída de Doriva, Adriano Teixeira amargou o seu segundo rebaixamento na elite pelo Tricolor.
Adriano deixou o clube só em 2007, aposentado - chegou em 2005. Retornou em 2014 para compor a comissão técnica. Como funcionário do clube, aos 43 anos, deseja também que o Santa melhore com o tempo. “A estrutura está melhor que há dez anos, claro. Mas é preciso ainda melhorar. Não temos centro de treinamento. O Arruda é o nosso CT. Tenho certeza que a diretoria está buscando e isso vai se resolver”, pontuou.
Diario de Pernambuco

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