PALOCCI ACUSA MANTEGA DE VENDER INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS A BANCOS
POR MEIO DE SEU ADVOGADO, MANTEGA DIZ QUE VÊ A ACUSAÇÃO COM ‘ESTRANHEZA’ (FOTO: ABR)
PRESO, O EX-MINISTRO NEGOCIA ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA
Segundo Palocci, Mantega atuava no prédio do Ministério da Fazenda, em São Paulo, onde costumava despachar às sextas-feiras.
No esquema de repasse de informações privilegiadas, Mantega seria responsável, por exemplo, por antecipar dados a respeito de juros e edição de medidas provisórias, que eram de interesse de bancos. Em troca, receberia apoio ao PT, explica a reportagem.
Com o acesso antecipado, agentes do sistema financeiro poderiam se preparar ou mesmo se proteger diante de medidas que afetariam o setor. O esquema teria começado no governo Lula, em 2006, e seguiu durante o governo Dilma Rousseff, até 2015.
Por meio de seu advogado, Mantega diz que vê a acusação com ‘estranheza’. Segundo o advogado Fábio Tofic Simantob, quem representava os interesses do mercado financeiro era Palocci. “Guido Mantega, pelo contrário, assumiu sempre posições que desagradavam os bancos, a ponte de ser demonizado. Não houve pessoa mais execrada pelo mercado do que Mantega. A informação, por isso, não faz nenhum sentido”, disse.
Prisões
Mantega é investigado na Lava Jato e chegou a ser preso preventivamente no ano passado, acusado de ter pedido ao empresário Eike batista R$ 5 milhões para quitar dívidas de campanha do PT. Ele foi liberado em seguida.
Já Palocci foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, envolvendo contratos com a Odebrecht na construção de sondas da Sete Brasil e o Estaleiro Enseada do Paraguaçu. Ele está preso desde setembro de 2016.
LULA E EMPRESÁRIOS
Palocci foi condenado pelo juiz Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em Curitiba, a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, envolvendo contratos com a Odebrecht na construção das sondas da Sete Brasil e o Estaleiro Enseada do Paraguaçu.
Mantega, por sua vez, é investigado na Lava Jato e chegou a ter sua prisão preventiva decretada no ano passado –foi liberado em seguida–, acusado de ter pedido ao empresário Eike Batista R$ 5 milhões para saldar dívidas de campanha eleitoral do PT.
Como mostrou a Folha em maio, Palocci tenta negociar, no acordo de delação, que sua pena seja cumprida em um ano de prisão domiciliar e que seus depoimentos sejam focados em banqueiros e empresários, além de Lula.
Preso desde setembro de 2016, Palocci tem se dedicado à elaboração dos anexos de sua proposta de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a força-tarefa da Lava Jato.
Como a delação ainda não foi assinada, pode haver mudança no conteúdo do acordo segundo os principais interesses dos procuradores.
Para dar início às conversas, por exemplo, os investigadores exigiram que Palocci confirmasse informações sobre Lula que estão nas delações de ex-executivos da Odebrecht, principalmente no diz respeito à conta "Amigo", que estaria ligada ao ex-presidente petista. Palocci sinalizou positivamente sobre atender a esta solicitação.
Segundo o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, Palocci operava uma conta propina destinada às demandas políticas de Lula.
Outro episódio que Palocci pode esclarecer, de acordo com os procuradores, é o suposto benefício financeiro obtido por Lula na criação da Sete Brasil, em 2010.
A empresa contratou para construir sondas estaleiros controlados por empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

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