Caso Segóvia: falta de autocontenção de autoridades
Diretor-geral errou, mas não dança música sozinho
Mais uma vez, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Segóvia, falou o que não deveria e não poderia ter falado.Tem sido uma marca da gestão Segóvia dar declarações desastradas e que denotam um desejo de agradar ao governo que o nomeou para comandar a Polícia Federal. É inadequado que um diretor-geral aja assim.
O próprio Palácio do Planalto avalia que Segóvia deu um tiro no pé, numa tentativa de servilismo que teve efeito contrário ao pretendido. No entanto, ele não está dançando a música sozinho.
Delegados da Polícia Federal e procuradores da República são pródigos em falar sobre investigações em andamento. A diferença é que Segovia falou em defesa do presidente da República. Normalmente, as manifestações são para alardear provas contra um investigado. Falar contra um investigado pode. Falar a favor não pode? Ora, não pode a favor nem contra.
Dificilmente um ministro do STF cobra esses delegados e procuradores a explicar suas declarações sobre inquéritos em curso. Aliás, é comum ver ministros do STF a pontificar sobre casos que ainda serão julgados, antecipando posições.
Segovia errou e arrotou um poder que não tem completamente, mas apenas parcialmente. Mesmo que a PF venha a arquivar o inquérito sobre portos, isso não significa que o Ministério Público vá deixar de levar a investigação adiante. Faltou a Segovia a mesma atitude de autocontenção que tem faltado a outras autoridades da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.
Blog do Kennedy

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