Após sofrer com chuva, time de vôlei de Barreiros (PE) busca título nas OEs
Equipe do Colégio Noronha Filho supera dificuldades de treinamento e sonha subir para a Divisão Especial do torneio em 2012 com lugar mais alto do pódio
Em Barreiros, na Mata Sul do Pernambuco, o vôlei é sinônimo de superação. Há um ano, a cidade pernambucana, localizada a 102 km da capital Recife, foi totalmente devastada pelas chuvas de verão, que assolaram mais de 30 municípios da região Nordeste. No local, o Colégio Noronha Filho não escapou dos danos: com as enchentes do Rio Una, a quadra escolar ficou destruída e muitos alunos tiveram suas casas invadidas pela água. Após ficarem três meses sem treinar, o técnico e professor José Edson de Lima, mais conhecido como Edinho, reuniu o time e retomou o trabalho.
Apesar das dificuldades, como a falta de materiais esportivos, incentivo e um local adequado para a prática do vôlei, os jovens do colégio são hexacampeões estudantis pela sua cidade e bicampeões na etapa estadual das Olimpíadas Escolares. Este ano, na fase nacional do torneio estudantil, para atletas de 15 a 17 anos, que está sendo realizada em Curitiba (PR), o grupo disputa a 1ª Divisão da modalidade e está a dois jogos de conquistrar seu primeiro título brasileiro. Neste sábado, no ginásio do Colégio Expoenteos, os pernambucanos enfrentam a E.E. Adilson Alves Silva (MS), às 15h30m (de Brasília), pela semifinal da competição. A medalha de ouro, além de garantir uma vaga na Divisão Especial do evento em 2012, serviria para coroar os esforços em prol do time.
A nossa cidade ficou destruída com as enchentes. Acho que apenas 5% do território não foi atingido. Como a última quadra foi levada pela enchente, hoje treinamos em uma emprestada pelo município, que tem uma campana de cobertura, mas ainda assim entra água pelas laterais quando chove. A nossa situação é muito precária, as famílias dos nossos jogadores são carentes e quando viajamos precisamos fazer uma "cotinha", onde cada um dá o que pode para poder pagar o transporte e outras despesas. É um trabalho árduo, mas estou confiante de que podemos ser campeões brasileiros na capital paranaense - disse o treinador, funcionário público na área de química e que está no comando do time desde 2008.
Confiança que também está estampada nos rostos dos atletas. Para Felipe Fernandes Lima, de 17 anos, a superação da equipe é a grande motivação na busca pelo título.
- Não temos rede, quadra e nem bola. Só conseguimos nos classificar para a fase nacional das Olimpíadas Escolares com garra e 100% de determinação. Como diz meu técnico, não é preciso jogar, mas sim se jogar e amar o que você faz. Meu sonho era chegar até aqui, agora eu só penso em ser campeão. Desistir é uma palavra que não existe no meu dicionário - garantiu.
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