Sucesso na base, atenção no adulto
Na semana em que a FPFS comemora 50 anos, uma análise da realidade atual da modalidade mostra que ainda há muito para mudar
JC online
“Nos últimos dez anos, ninguém ganhou mais títulos nacionais de futsal nas categorias de base que Pernambuco.” A afirmação, recheada de orgulho e sentimento de dever cumprido, é do superintendente da Federação Pernambucana de Futebol de Salão (FPFS), Luiz Cláudio de Carvalho. E a motivação tem respaldo nos números: desde 2001, foram 14 conquistas, incluindo disputas de seleções e clubes. Mas, na semana em que a fedação comemora 50 anos, a realidade da modalidade no Estado ainda não é das melhores.
É que o caminho do sucesso parece ainda ter uma barreira intransponível: a transição dos atletas para a categoria adulta do futsal pernambucano, que ainda deixa a desejar quando o assunto é profissionalismo e resultados.
“Perdemos jogadores muito cedo, os times do Sul, em geral, pagam melhor e são mais atraentes. Quando não é isso, é o futebol de campo que leva os meninos”, lamentou Carvalho.
E não é só o mandatário que pensa assim. Fabiano Choquito, treinador que já comandou equipes de base do Estado e atualmente está à frente do tricampeão pernambucano, o Tigre, concorda quanto à falta de investimentos no adulto.
“O trabalho de base, de fato, é extremamente promissor no Estado, bem articulado. Caso contrário, não conseguiria os resultados. O problema é que ainda não temos estrutura para dar condições legais aos garotos de permanecerem jogando por aqui.”
O treinador já viveu na pele essa situação. Segundo ele, da seleção sub-15 de 2006 – última que treinou –, quase todos os jogadores tiveram propostas do Sul e Sudeste, e outros partiram para o campo, como o atacante Eric e o meia Vitor Hugo, ex-Náutico e Santa, respectivamente.
A luz no fim do túnel, pelo menos, são os bons exemplos, que não faltam e servem para inspirar novos ares no futsal pernambucano, ou nem tão novos assim. É que fazer sucesso com equipes adultas não seria uma novidade para a história da modalidade no Estado. Em 1976, por exemplo, com o Náutico, os pernambucanos estiveram representados no lugar mais alto do pódio da Taça Brasil de Clubes, principal torneio nacional do futebol de salão.
Mais recentemente, ainda se pode lembrar o marcante time da Votorantim, que conquistou o País na década de 1990 e contou em seu elenco com nomes como Manoel Tobias – um dos maiores jogadores de futsal de todos os tempos –, Fininho e o agora jogador do Vasco da Gama, Juninho Pernambucano.
“Estamos trabalhando para melhorar o nosso campeonato local. Hoje, o Pernambucano já dura quase dez meses e conta com 14 times, sendo 11 do interior, o que representa uma conquista muito grande. Ano que vem, esperamos contar com ainda mais times, em torno de 20, e quem sabe criar uma segunda e até terceira divisão no campeonato”, disse o presidente da Federação Pernambucana – que atualmente é a quinta colocada no ranking brasileiro –, Édson Nogueira.
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