Magnano agora é nosso
Treinador argentino é uma das armas para derrotar os hermanos no basquete
Diario de Pernambuco
Quando o técnico argentino Rubén Magnano optou em treinar a seleção brasileira, há dois anos, sua decisão foi respeitada por todos na Argentina. Ao que parece, ninguém verbalizou a insatisfação pela transferência. O povo argentino era muito grato a Rubén. O que ele fez na Olimpíada de Atenas, em 2004, quando levou os hermanos ao título de campeões, jogando contra a temida seleção dos Estados Unidos, ecoa até os dias de hoje. Magnano é rei em sua terra. E, embora, alguns súditos não assumam, há quem diga que ficaram órfãos. O time já não apresenta a consistência de outrora. E é este time, buscando identidade, que encara o Brasil, de Rubén Magnano, pelas quartas de final do torneio de basquete masculino, hoje, às 16h (horário de Brasília).
A raiz desta equipe argentina transpira os ensinamentos de Rubén Magnano. Manu Ginobili (cerébro do time), Luís Scola, Nocioni e Delfino trabalharam com o treinador durante os quatros anos em que esteve no comando da seleção. Estavam no grupo campeão olímpico há oito anos. “Todos têm muito respeito pelo Rubén. Não temos mais contato com ele, desde que se foi para o Brasil. Respeitamos a decisão dele porque é trabalho. A medalha de ouro que ele nos deu foi o ápice para nós. Nossos encontros agora são na quadra. Ele pensa no Brasil e nós em nosso time”, explicou Rodrigo Garcia, assessor de imprensa da seleção argentina de basquete.
Para o argentino Carlos Ferra, o grande trunfo do Brasil para o duelo desta tarde (noite, aqui em Londres) está no banco de reservas. “Sentimos muito a saída do Magnano. E por ter ele como técnico, pode sim dar Brasil neste jogo de amanhã (hoje). Ele conhece muito bem o nosso time. Já trabalhou com a maioria dos jogadores”, comentou o torcedor. O compatriota Mario Mossia tem opinião contrária a do amigo. Acredita que mesmo após a saída de Magnano da seleção do seu país, o time conseguirá mais um triunfo em cima dos rivais brasileiros. “Não tenho dúvidas que a Argentina vai vencer”, afirmou Mossia, enquanto caminhava tranquilo pelo shopping Westfield, localizado nas imediações do Parque Olímpico.
Flexível
Sérgio Hernandes, que está hoje como assistente-técnico de Julio Lamas, assumiu o posto deixado por Magnano. Ficou no cargo até 2010, quando Lamas, que já dirigiu o Real Madri e estava no basquete argentino, foi convidado para ser o novo comandante. Enquanto Magnano emprega uma filosofia disciplinadora no time brasileiro, Lamas demonstra ser mais flexível. Sua maior preocupação é dosar a juventude de Campazzo, de 20 anos, e Marcos Mata, de 26, com a quilometragem de Ginobili e companhia.
“Tirando os mais experientes, nosso time possui muitos atletas que jogam a liga nacional e não têm conhecimento de Olimpíada. O Lamas também andou estudando o Brasil. Considera um time muito bom e destaca a ação de Thiago Spliter e Varejão no garrafão. E tem também o Nenê. O Marcelinho Machado, que chuta bem de três. Isso sem falar no Huertas, vivendo uma fase fabulosa. Será um clássico”, comentou Garcia, porta-voz oficial do time.
Desde que desembarcou em Londres, o time argentino não sabe o que é ter folga. Regime de concentração total. “Os últimos dias de lazer, eles tiveram quando estávamos em Barcelona. Aqui, viemos para jogar”, acrescentou Rodrigo Garcia.
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