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domingo, 12 de agosto de 2012

SANTA CRUZ - QUER SER IDOLATRADO

Após grande estreia, Leandro Oliveira quer ser ídolo no Santa Cruz

Meio-campo, de 22 anos, teve atuação destacada na goleada em cima do Icasa e espera fazer história com a camisa tricolor


O meia Leandro Oliveira tem pouco tempo como jogador do Santa Cruz: são apenas 15 dias defendendo o Tricolor, mas a primeira impressão é animadora. Na sua estreia contra o Icasa, foi o maestro da goleada por 4 a 0, dando passes para gols e garantindo a titularidade no time do técnico Zé Teodoro. Ainda não é ídolo, até porque não teve tempo, mas o início é esperançoso.
- Quando cheguei no clube falaram muito sobre a cobrança por resultados, a imprensa passou a semana tocando nesse assunto. Quando a bola rolou, não senti nada disso. Talvez porque o nosso foco fica no jogo e não dá para escutar o que vem de fora, mas a camisa me caiu bem. Espero ser uma opção na disputa do meio-campo.
O jovem jogador de 22 anos sabe que está tendo a sua grande chance na carreira. Apesar de estar na Série C do Brasileiro, a tradição do clube e a força da torcida tricolor são o 'vetores' do sul-mato-grossense para fazer a carreira deslanchar.

 O Santa Cruz está na Série C por acaso. O clube é tudo aquilo que eu imaginava, pois tem tradição, com uma forte torcida e é bem estruturado. Essa posição que o Tricolor está não é digna de sua história. Espero poder ajudar a levar o time para o lugar merecido. Encaro como a chance da minha vida, porque nada na minha carreira se compara com agora. Vim para agarrar essa oportunidade valiosa.
A carreira de Leandro Oliveira é modesta. Foi formado nas categorias de base do J.Malucelli-PR onde ficou até 2010. Teve passagens discretas por Ituano e Paraná até disputar a Segunda Divisão do Paulista pelo Noroeste. Marcou 10 gols e foi o destaque da equipe de Bauru, chamando a atenção do Santa Cruz.
- Quando saí do túnel do vestiário para pisar no gramado, senti um frio na barriga, pois nunca havia jogado para uma torcida tão grande. Fiquei impressionado, vim de times pequenos.
Fã de Ronaldinho, Leandro Oliveira se destaca pela qualidade do passe. Na sua estreia, deixou seus companheiros diversas vezes em frente ao gol, uma característica da época do futsal, quando ainda morava em Campo Grande. É mais um atleta de origem humilde, mas ao contrário da maioria, não teve que por a mão na massa. Pelo menos não deixaram.
- Meu tio tinha uma pronta-entrega de botijões de gás e eu o ajudava. Só que por ser franzino, ele não deixava eu pegar peso, então minha função era entregar os imãs de geladeira com a publicidade dele. Ganhava R$ 50 por semana e saia pulando de alegria. Para um garoto de 12 anos era bastante dinheiro.
Leandro pode não ter passado pelos mesmos sacrifícios dos seus colegas, mas também ainda não alcançou a estabilidade financeira deles. Seu pai continua trabalhando como mecânico de bomba injetora de caminhão e ônibus, enquanto a mãe cuida da casa. Seus dois irmãos são vencedores e têm curso superior (um é advogado e o outro fisioterapeuta).
- Eles tentaram jogar bola, mas não deu certo. Fui o insistente da família.
Oliveira está morando no próprio Arruda até encontrar uma moradia em Recife. Divide o dormitório do clube com os jogadores mais novos. Tímido, vem pegando amizade com o extrovertido atacante Fabrício Ceará, um dos principais atletas a serem beneficiados por seus passes.
- Sou mais na minha. Fabrício Ceará já chega falando, brincando e estou andando mais com ele. Ainda não sou muito chegado a Dênis Marques porque ele é tímido como eu. Falamos mais depois do jogo, quando os dois vieram me agradecer e elogiar pelos passes ao ataque - disse Leandro Oliveira, numa cena que ele promete ser repetida a cada partida do Santa Cruz.

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