Manifestantes marcham pela Avenida Antônio Carlos rumo ao Mineirão; PM garante acesso
Grupo desrespeita a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que manteve liminar que proíbe os protestos que fechem ruas e prejudiquem o trânsito em Minas Gerais. Segundo líderes do movimento, 35 mil pessoas participam da caminhada. PM estima que sejam 10 mil manifestantes
Por volta das 14h40, aproximadamente 10 mil manifestantes que fechavam a Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, deram início à caminhada rumo ao Mineirão, onde acontece, às 16h, a estreia da Copa das Confederações na capital mineira, com o jogo Taiti x Nigéria. O grupo, que organizou o movimento pelas redes sociais, é composto em sua maioria por estudantes que protestam contra o preço do transporte e a interferência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) no país. Às 15h, eles terminaram a travessia do Viaduto Leste e começaram a subida da Avenida Antônio Carlos. Por volta das 15h10, o Major Gilmar Luciano dos Santos, chefe da Sala de Imprensa da PM, caminhou até os jovens e conversou sobre o trajeto pretendido. Os líderes do movimento confirmaram a intenção de seguir ao estádio e a Polícia Militar garantiu o direito ao protesto, desde que não seja invadido o chamado "setor amarelo", reservado para quem adquiriu ingresso para a partida de futebol.Durante a caminhada, circularam boatos entre os manifestantes sobre um suposto bloqueio da Polícia Militar e do Exército na avenida, para impedir que o grupo se aproximasse do Mineirão, onde já protestam professores da rede estadual de ensino e um grupo menor de estudantes. Um dos líderes do movimento, Gladson Reis, vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), disse que o grupo é pacífico e vai manter o objetivo inicial. "Vamos seguir com o objetivo de ir até o Mineirão, vamos conversar com a polícia e tentar passar [em caso de bloqueio] pacificamente, se houver violência a responsabilidade é da PM".
RECURSO NEGADO
No início desta tarde, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou recurso impetrado pelo Sind-UTE/MG e pelo Sindpol-MG que tinha o objetivo de cancelar os efeitos da liminar concedida ao Governo Estadual no último 13 de junho, a qual proíbe sindicatos de obstruir vias públicas e tumultuar o trânsito em Minas Gerais em manifestações para divulgar seus movimentos grevistas.
O desembargador Antônio Sérvulo justificou a decisão afirmando que "é notório que na Capital vêm sendo realizadas diversas manifestações, de todo gênero, quer seja de movimentos paredistas, quer seja de sem terras ou de outras associações, o que resulta em verdadeiro caos no trânsito e dificuldade de locomoção de pessoas".
Segundo ele, "várias estratégias estão sendo planejadas com o fim de chamar a atenção para a causa paredista dos sindicatos - SINDPOL e SINDUTE - durante os jogos da Copa das Confederações a serem realizados na Capital, especialmente na linha verde e no entorno do estádio Mineirão, o que causaria evidente transtorno àqueles que para lá se dirigissem".
PROTESTO NA PRAÇA SETE
Mais cedo, manifestantes se uniram no quarteirão fechado da Rua Rio de Janeiro com cartazes criticando a Fifa, a Copa das Confederações e o valor das passagens do transporte coletivo. O grupo, de cerca de três mil pessoas, ocupou o entorno do pirulito na praça e interditou o cruzamento da avenidas Afonso Pena e Amazonas. O trânsito ficou muito lento na região central, com reflexos principalmente em toda a extensão dessas vias. Os veículos que seguiam no sentido rodoviária/Magabeiras tiveram que dar meia-volta passando por cima do canteiro central.
O protesto também ocorre em outras cidades brasileiras e em BH conta com apoio dos movimentos Fora Lacerda, Movimento dos Atingidos pela Copa, Ane, Sind-UTE, alguns partidos políticos, entre outras organizações. O capitão Lúcio Neto do Batalhão de Eventos da PM disse que a polícia vai acompanhar todos os protestos e espera que tudo ocorra de forma pacífica.
Os policiais civis em greve também estiveram na Praça Sete recolhendo assinaturas da população em um documento que revindica a melhoria nas condições da corporação. O Sindicato dos Servidores da Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindipol), afirma que está cumprindo a liminar da Justiça determinando que os policiais e os professores não bloqueiem vias de acesso e no entorno do estádio Mineirão, bem como outros logradouros público do estado.
Estado de Minas
Nenhum comentário:
Postar um comentário