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sábado, 15 de fevereiro de 2014

SANTA CRUZ - CARNAVALESCO

Caça-Rato lembra dos dias em que tocou maracatu, frevou e virou "homem-lama"

Flácio Caça-Rato relembrou os dias de Momo antes de ser atleta profissional

Atacante não marca presença somente nos gramados, durante a festa de momo ele já tocou até em maracatu


Antes de ganhar fama e os holofotes nos gramados, o atacante Flávio Caça-Rato não dispensava o uso das tradicionais bombas d'água durante o Carnaval. Costumava sair às ruas do bairro de Chão de Estrelas, com a bichinha totalmente abastecida de água. Detalhe: suja. O gosto pela tradição da festa de momo, Caça aprendeu desde cedo. O pai do jogador, seu João (já falecido), era apaixonado pelo Maracatu Rural. Acalentava o sonho de um dia ver o filho vestido de caboclo de lança. Mas, o hoje atacante do Santa Cruz, não gostava de fantasias. Para ele, o carnaval era na rua e sem adereços. Mas nem sempre foi assim.
Quando tinha uns 10 anos, Caça-Rato resolveu inovar no figurino. “Ele chegou em casa somente com as bolas dos olhos e os dentes do lado de fora. O resto era tudo lama. Apanhamos nós dois. Ele, porque se sujou e eu porque não impedi”, relembra a irmã mais velha do atleta, a comerciante Fabiana Maria do Nascimento. Flávio Caça-Rato sempre buscou seu espaço nos gramados pernambucanos. Durante os quatro dias de folia, ele também procurava uma função na percussão dos blocos e maracatus do bairro. “Quando a gente olhava, já vinha ele tocando caixa ou qualquer outro instrumento. A gente só fazia rir”, acrescenta Fabiana.
Com o passar dos anos, a brincadeira com os instrumentos ficou mais séria, ao ponto de Caça-Rato receber para se apresentar no Daruê Malungo. “Eles pagavam R$ 100,00 pelos quatros dias. Era muito pouco. Decidi que era melhor brincar do que trabalhar”, conta o folião Flávio Caça-Rato, que traz o frevo nos pés. “É um exímio dançarino. Flávio freva como ninguém”, derrete-se a irmã, que chama o atleta pelo apelido de Joca. “Onde a gente mora, ele é conhecido assim”, adianta Fabiana Maria. Neste carnaval, Caça-Rato não vai ganhar as ruas da cidade. A fama – e o cabelo descolorido – o impedem de passar despercebido na multidão. Mas um boneco gigante inspirado nas feições do goleador – vestido com a tradicional camisa do Santa Cruz – vai desfilar pelas ruas do Recife Antigo e ladeiras de Olinda. 
Ontem, pela manhã, Caça foi ao encontro do gigante na Embaixada dos Bonecos Gigantes de Pernambuco, na Rua do Bom Jesus. “Ficou bom. Parece comigo mesmo (rindo!). Ficou até mais bonito do que eu. Deram até um jeito no nariz. Só faltou o brinco”, comenta o atleta, arrancando risadas de quem estava por perto. Quem não se agradou muito do boneco foi o filho do atleta, Flavinho, que hoje completa três anos. “Pode não, pai! Ficar com medo de mim?”, argumentava Caça-Rato, mostrando a figura ao filhote, que choramingava. Familiarizado com as diversas personalidades que ganharam forma de boneco gigante na Embaixada (inúmeras ligadas ao futebol), Flávio Caça-Rato disse que pretende reservar pelo menos um dia para acompanhar o desfile da sua versão ampliada. “Vou tentar ver o desfile, mas sei que vai ser complicado. Ultimamente não consigo ficar sossegado”, revela o atacante, enquanto atendia mais um pedido para fotos do turista carioca Nelson Leandro. “Sou torcedor do Vasco mas sei muito bem quem é o Flávio Caça-Rato. Vi, inclusive, o último jogo do Santa Cruz com o Porto”. Está difícil mesmo, Caça, não ser notado.

Diario de Pernambuco

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