Jogo entre Tombense e Operário-MT registra suposto caso de racismo em Minas Gerais
Estádio Antônio Guimarães de Almeida foi palco de suposto novo caso de racismo, em Tombos, no interior
Goleiro da equipe do Mato Grosso alegou, em Boletim de Ocorrência, que torcedor rival lhe xingou de "macaco", "afrodescendente" e "aranha", em referência ao santista
O Superesportes teve acesso ao Boletim de Ocorrência registrado por Igor após o duelo. Nele, o goleiro deu sua versão para o caso e acusou o faturista Rafael Pereira de Castro, de 32 anos, de ter cometido injúrias raciais. “Ele (Rafael) disse: 'não comemora muito, não, Aranha (fazendo referência ao goleiro do Santos)'. Já no tiro de meta seguinte, fui chamado de ‘Aranha’ e de ‘afrodescendente’. Nesse momento, olhei para torcida para identificar quem estava me xingando e percebi que Rafael ainda fazia gestos obscenos”, revelou.
Neste momento, o goleiro chamou o árbitro da partida e pediu que medidas fossem tomadas para resolver o problema. “O juiz não atendeu ao meu pedido e apenas disse que resolveria o problema. Ainda discuti com o árbitro para o que o problema fosse resolvido, mas nenhuma atitude foi tomada naquele momento”, disse.
Igor seguiu revoltado com os xingamentos e contou que pediu ao atacante Anselmo, do Tombense, para lhe ajudar. O camisa 9 da equipe de Tombos teria ido em direção aos torcedores, no alambrado do estádio, pedindo que parassem com os xingamentos. “O jogo seguiu e ele continuou a me xingar, chamando de ‘baixinho’ e ‘velho’. Neste momento, gravei a voz dele. Em novo lance, o ouvi (Rafael) me chamando de ‘afrodescendente’, ‘aranha’ e ‘macaco’”, contou.
Ainda de acordo com o goleiro, Rafael foi acompanhado por outras vozes, mas não foi possível identificar mais nenhuma pessoa. Cansado dos xingamentos, Igor teria pedido ao árbitro, mais uma vez, que resolvesse o problema. “Nesse momento, começaram a chegar os jogadores do Tombense, pedindo que o jogo continuasse. No momento da confusão, olhei para a arquibancada e vi o cara (Rafael) fazendo mais gestos obscenos. Peguei a bola e chutei em direção a ele, que se abaixou. A bola bateu na grade e voltou para o campo”, disse o goleiro, que acabou expulso após o ato. Ele justificou a ação dizendo que era ‘uma forma de mostrar indignação’.
Torcedor dá outra versão
Encaminhado junto ao goleiro para o posto da Polícia Militar dentro do estádio, Rafael deu depoimento e apresentou outra versão para o caso. “As acusações não são verdadeiras. Vi o goleiro se desentender com o juiz por causa de uma falta polêmica. Quando o goleiro retornou para o gol, a torcida começou a gritar ‘frangueiro’. Ele chutou a bola em nossa direção e ainda acertou uma criança. Nessa hora, o juiz expulsou e ele começou a me culpar”, disse.
Rafael ainda contou que ouviu um radialista contar da reincidência de Igor no desentendimento com torcedores. “Quando fui retirado de campo pela PM, ouvi um radialista dizendo que o goleiro tem histórico de se desentender com a torcida”, contou.
Ao Superesportes, o Sargento Valdir Domingos Telles, responsável pelo plantão policial em Tombos, afirmou que os envolvidos deram depoimentos e foram liberados. A investigação será conduzida pelo delegado Diego Candian Alves, da cidade de Tombos, que ouvirá Igor, Rafael e testemunhas arroladas no local da partida. De acordo com Telles, o torcedor que teria ofendido Igor é negro, assim como o goleiro. Tombense não teme exclusão da Série D.
Superesportes

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