Barbárie vista do campo: imagens da invasão que ofuscou festa no Castelão
Confusão na primeira invasão ao gramado da Arena Castelão (Foto: Yngrid Matsunobu)
Imprensa, jogadores, comissões técnicas e dirigentes se refugiam nos vestiários. Torcedores invadem pela segunda vez. Cenário de guerra atrapalha festa do Tricolor
Em poucos segundos, a festa se desconstruiu. Os vândalos infiltrados na torcida furaram a insuficiente segurança presente e ignoraram os jogadores de seus respectivos times. Começou o confronto irracional no centro da Arena Castelão, que, no padrão de estádio de Copa do Mundo, exige um comportamento distinto para quem vai à arquibancada inferior. Em segundos, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, correria, pancadaria, crianças chorando. Jornalistas, jogadores, comissões técnicas e dirigentes correndo para os vestiários em busca de refúgio. Cadeiras arrancadas, barras de ferro como armas, um estádio e uma festa desconfigurados.
O cenário era de guerra. Quem não aguentava o cheiro de gás passava mal. Outro, ferido no rosto, passava exibindo o sangue, carregado para fora do gramado. A preocupação em impedir confronto nos arredores da Arena Castelão e nos terminais de ônibus da capital cearense não foi a mesma no interior do estádio. Sem o alambrado, o palco estava ali, exposto, para que o encontro entre as torcidas de Ceará e Fortaleza ocorresse sem empecilho e fosse televisionado. A invasão ocorreu não apenas no apito final, mas também em uma segunda vez, depois de a taça ter sido entregue ao Leão. Novamente a fronteira montada pelo Polícia e pelos seguranças privados foi furada. Novamente, jornalistas tentaram se diferenciar dos vândalos e não sofrer com a repressão no gramado. Nem todos conseguiram.
Antes da Copa do Mundo de 2014, o então secretário especial do Mundial no Ceará, Ferruccio Feitosa, sonhava com o padrão ideal: colocar torcedores de diferentes equipes lado a lado na Arena Castelão. Algo como ocorreu entre Inter e Grêmio, no Campeonato Gaúcho. Nesse domingo, no título do Fortaleza no estadual, não foi possível. O futebol cearense resiste, com brilho. O empate do Fortaleza aos 47 minutos do segundo tempo, tirando o pentacampeonato do rival quando parecia impossível, vai permanecer na memória dos que lá estavam. Mas a imagem virá acompanhada da barbárie.
Globoesporte.com

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