Esforço que faz água
Medalhista no Pan e no Mundial, Isaquias faz duras críticas à situação da modalidade no país
Atletas da equipe olímpica ficam fora do evento-teste no Rio, em protesto por atrasos nos repasses de verba e problemas de estrutura
Salários atrasados e hospedagem com estrutura precária são as principais acusações dos atletas. Isaquias, que conquistou uma medalha de ouro e uma de prata, com Erlon, no C2, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, além de um ouro e uma de bronze no Mundial de Milão, na Itália, fez duras críticas a entidade.
“Eles nos colocaram pra dormir na Escola de Educação Física do Exército e, pra piorar, puseram nosso treinador, o Jesús Morlan, num beliche. Duvido que o presidente da confederação, João Tomasini Schwertner, esteja dormindo em beliche. Existe ainda um outro problema que é muito grave. Não deixar a gente mostrar nossos patrocinadores pessoais, só os da confederação. Mas temos de mostrar os apoiadores da entidade e não nos pagam nada por isso. Em outras modalidades isso não acontece. Assim fica difícil. Falta respeito com os atletas”, diz Isaquias.
As palavras de Isaquias ganharam respaldo nas de Nivalter, que também foi medalhista em Toronto. Ele não recebe pagamento do BNDS (Banco Nacional do Desenvolvimento) há oito meses, e confirmou ter recebido uma ameaça por parte do presidente da confederação.
“A gente não está passando fome e não está sem dinheiro. Queremos protestar contra as coisas erradas e a falta de respeito da confederação. Isso não vem de agora. O presidente disse que vai colocar o time B. Que coloque. Quero ver se eles têm o mesmo desempenho e conseguem as mesmas coisas bonitas que nós temos conseguido. Eu acredito que vai acontecer uma punição por isso, mas não estou preocupado agora. Eu só quero respeito. Como está, não pode continuar.”
Por sua vez, Schwertner disse que existe um atraso burocrático. “Atrasou a liberação da verba proveniente do BNDES e não haverá punição aos atletas envolvidos no protesto.” O dirigente diz que a CBCa tem cumprido com as obrigações que têm com os atletas. “Eles não estão desassistidos. A equipe inteira custa R$ 88 mil por mês, que estão sendo pagos. O BNDES faz seus pagamentos por projetos desde que começou patrocinar em 2012. O projeto Lagoa Santa precisou de um documento ambiental que demorou 105 dias para chegar, e por isso o pagamento não foi feito. Intercedemos em novembro e procuramos o Comitê Olímpico do Brasil (COB) para que os atletas não ficassem desassistidos. O dinheiro do BNDES já está na conta e vale a partir de setembro. Quem fará o pagamento é o COB.”
O dirigente diz que não, mas em suas palavras finais, ameaçou. “Tenho a certeza de que a confederação luta muito por esse esporte. Mas não vamos punir. A CBCa não tem prerrogativa para punir ninguém. Quem pode punir os atletas da canoagem é o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Canoagem.” Em nota, o Ministério do Esporte lamentou o ocorrido e manifestou o desejo de que o impasse seja resolvido rapidamente. “O Ministério do Esporte espera que os atletas e dirigentes da canoagem de velocidade brasileira retomem a harmonia para que toda energia esteja voltada à preparação rumo aos Jogos Rio’2016. O grande apoio dado à modalidade vem se transformando em resultados esportivos extraordinários. Por este motivo, o Ministério credita um voto de confiança e espera que a situação volte à normalidade o mais breve possível.
Preocupação Isaquias teme pelo futuro do esporte no país, pois para ele, o projeto deu certo e os resultados apareceram graças a Jesús Morlan. “Tivemos resultados em Mundiais, garantimos vagas olímpicas e fomos a segunda modalidade com mais medalhas nos Jogos Pan-Americanos. É lamentável essa polêmica. O Brasil pode ser o paraíso para quem comemora resultado, mas e o atleta? Esperamos uma punição, mas se punir a gente por falar a verdade acabou. Nosso treinador queria ir embora. Está de saco cheio, mas pedimos para ele ficar.”
/Estado de Minas

Nenhum comentário:
Postar um comentário