Argentino e torcedor do Santa Cruz de coração: garçom nutre paixão pelo clube coral à distância
"Fiquei impressionado e me apaixonei pelo Arruda, pelo time, pela torcida", comenta o garçom tricolor
Raul Gutierrez se apaixonou pelo clube na Série C e conhece detalhes da história do time
Desinibido, Raul se posicionada em frente ao restaurante. E começa a “vender seu peixe”. O turista passa e ele grita “Brasileiro!?”. É o canal para a pergunta seguinte: “De onde são?”. Se a resposta for Recife, a ação é imediata: “Torcedor da Cobra Coral?”, questiona prontamente fazendo o símbolo do “T” tricolor com os braços. Logo vai apresentando a bandeira do Mais Querido e as camisas que têm em mãos. Apresenta todas com orgulho. A prosa sobre futebol, a partir de então, é um convite para ir à mesa beber o típico “medio y medio”, uma mistura de espumante com vinho branco, e comer o famoso “ojo de bife”, uma carne vermelha.
Argentino-uruguaio
Nascido em Buenos Aires, Raul Gutierrez chegou à capital uruguaia aos 10 anos. Hoje, aos 36 tem duas paixões: o Santa Cruz e o Peñarol. E a escolha pelo Tricolor não foi somente um marketing barato. “Comecei a acompanhar o Santa Cruz com os tripulantes da Gol (companhia aérea), que vinham aqui toda semana e são do Recife. Conheci vários clubes do Nordeste… O Ceará, o Bahia, o Sport… Mas o Santa Cruz foi especial. Como pode um time na Terceira Divisão, depois na Quarta Divisão botar 80 mil pessoas em um estádio? Isso é impensável aqui no Uruguai. Fiquei impressionado e me apaixonei pelo Arruda, pelo time, pela torcida…”, conta.
Era meados de 2008 quando Raul passou a incorporar o Santa Cruz como clube do coração. Mas, e como acompanhar tudo a 3,7 mil quilômetros de distância? “Vejo tudo pela internet. Quando não consigo ver o jogo, vejo as notícias”, diz, com propriedade. “Foi uma coisa espontânea. Trabalho há oito anos aqui com o público que é maioritariamente brasileiro, então fui gostando”, acrescenta.
Rivalidade
Mesmo tão longe do Recife, Raul Gutierrez alimenta a rivalidade com o Sport e o Náutico tal qual estivesse pela capital pernambucana. Sobre o Leão, é direto: “Meu vice”, diz ainda lamentando a saída de Caça-Rato e Dênis Marques do time. E o Náutico? “É um bom time e graças a nós podem falar que ainda são os únicos hexacampeões. Afinal, tiramos o hexa do Sport duas vezes”, diz com orgulho, emendando com o desejo que é adiado ano após anos: “Um dia vou ao Arruda e vou a um jogo do Santa Cruz”.
Diario de Pernambuco

Nenhum comentário:
Postar um comentário