Dilma avisada de que servidores vão à greve geral
Novo pacote deve aumentar a distância que já separa Lula e Dilma
Anunciado o novo pacote fiscal do governo Dilma Rousseff, um assessor palaciano desabafou: ficamos no "pior dos mundos" –sem o grau de investimento de agências de classificação de risco e, agora, também sem o apoio dos movimentos sociais.
O Planalto já foi avisado de que, como fruto desse cenário adverso, os servidores públicos ameaçam greve geral contra a decisão de adiar por sete meses o reajuste salarial do funcionalismo.
Ministros do PT que acompanharam as negociações do pacote afirmavam que, em três semanas, o governo migrou "da esquerda para a direita", uma referência à primeira proposta orçamentária, apresentada pelo Executivo em 31 de agosto, que previa deficit de R$ 30,5 bilhões, mas preservava ganhos sociais.
AUMENTA A DISTÃNCIA DE LULA
Já o novo pacote anunciado nesta segunda foi classificado como uma tentativa de recuperar apoio empresarial, mas deve aumentar a distância que já separava o ex-presidente Lula de sua sucessora. Até uma hora antes da divulgação das medidas, Dilma não havia falado com Lula, que só foi avisado com os anúncios em curso.
Dilma também não procurou os movimentos sociais nem os partidos que integram sua base de apoio. Mas teve o cuidado de telefonar para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e se encontrou com o chefe do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Dentro do governo, a avaliação é que Dilma atuou de forma errática. Primeiro, fechou com Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento) e optou pelo Orçamento com deficit.
O país, então, perdeu o selo de bom pagadors. Acuada, Dilma deu uma guinada e fechou com seu ministro da Fazenda, anunciando os cortes e aumento de receitas, sem poupar a área social.
Da Folha de S.Paulo

Nenhum comentário:
Postar um comentário