Campanha contra partidas com início às 22h ganha força na internet e nos estádios
Faixa da campanha no estádio Tomás Alfonso Ducó, em Buenos Aires, no jogo Huracán x Sport
Iniciativa do coletivo Futebol, Mídia e Democracia teve início em 9 de setembro
Quem levou a bandeira ao estádio foi um pernambucano que acompanha o clube do coração à distância. Devido ao trabalho, o servidor público Walfrido Freire mora em São Paulo. Sempre que pode, vai aos jogos do Sport. Ele foi até a Argentina acompanhar a partida contra o Huracán. Aproveitou a oportunidade e o horário - 22h - para se juntar à campanha.
“O torcedor, principalmente os que necessitam de transporte público, precisam ter muito amor para ir ao estádio às 22h, pois ao final da partida não há transporte público. Quando há, não é suficiente. Além disso, caso o torcedor more distante do estádio, teremos um cidadão chegando muitas vezes às 2h da manhã para ter que trabalhar no dia seguinte. Isso não é justo. Não é humano”, alega Walfrido, explicando sua adesão. “Como vou levar meu filho de quatro anos para um estádio num jogo que acaba à meia-noite?”, questiona.
Integrante da torcida Brava Ilha, o servidor público conta que a ideia inicial era que a bandeira fosse exposta já na partida de ida, no Recife. “Não conseguimos confeccionar a tempo, infelizmente”, diz. Para o jogo de volta, já em Buenos Aires, Walfrido contou com a colaboração do grupo Leões de Sampa, torcida que, assim como a Brava Ilha, assina o manifesto “Jogo 10 da noite, não!”.
IniciativaIdealizada pelo coletivo Futebol, Mídia e Democracia, a campanha “Jogo 10 da noite, não!” foi lançada em 9 de setembro. “A ideia surgiu a partir das primeiras reuniões do coletivo. Imaginamos que são muitas as discussões pertinentes. Como as diferentes cotas de televisão, estaduais que não são exibidos… Mas a questão do jogo às 22h prevaleceu. Foi consenso”, explicou Thiago Cassis, coordenador do coletivo. E por que foi consenso que esse tema deveria ser pauta prioritária? “Precisávamos de uma pauta direta. E essa já era uma questão muito forte.”
Torcedores do Santos, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Inter, Cruzeiro e Sport já demonstraram, nos estádios, apoio à iniciativa. Thiago conta que as adesões foram espontâneas, refletindo o sentimento das arquibancadas.
Diario de Pernambuco

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