Empresário acusa Náutico de falsificar assinatura do atacante Olivera, mas presidente nega
Autor de golaço na Arena PE, Olivera teve uma saída litigiosa do Náutico onde, até então, jogou "de graça"
Segundo o agente, uruguaio ainda não recebeu nada do que é devido pelo Timbu
A acusação do empresário é apenas o mais recente capítulo de um imbróglio que se arrasta desde o início de 2014, quando o grupo que atualmente comanda o Náutico tomou posse. Na ocasião, o jogador uruguaio estava proibido de treinar e até de entrar nas dependências do clube. Foi quando os dirigentes fecharam um acordo com o atacante para que ele parcelasse o que tinha a receber do Timbu e pudesse jogar por outra equipe.
Só que, de acordo com Gareppe, nada do que foi acordado foi cumprido pela diretoria timbu. "Olivera é um cara sensacional. Estudioso, intelectual, e de repente foi surpreendido com aquele afastamento. Isso doeu. A gente teve que procurar nossos recursos, fizemos um acordo extra-judicial com o Náutico, com cinco meses de carência para começar a pagar só em maio de 2014 e terminando em novembro de 2015. E não pagaram uma parcela. Quando a gente foi para a Fifa, disseram que pagaram, mas a gente sabia que não tinha recebido", afirmou.
O agente contou que tentou dialogar com representantes do Náutico, mas foi ignorado. Por isso, acionou a Fifa. Mas na contestação do clube, ele viu uma surpresa. "Contratamos o perito Ricardo Molina e, num laudo policial, que está anexado ao processo, consta que as assinaturas nos recibos foram falsificadas. Tentei procurar as pessoas do clube para a gente tentar tirar o processo a limpo, mas nada disso avançou. A gente sabe que o atleta não recebeu, e as assinaturas que constam não são dele. Eu frequento o clube há muitos anos e é o recibo padrão", garantiu.
Gareppe revelou ainda que tentou um "acordo de cavalheiros" com a diretoria alvirrubra, com o objetivo de ajudar o Náutico a sanar a dívida com Olivera: trouxe ao clube Gastón Filgueira. A ideia era simples: valorizar o atleta, negociá-lo e, com o valor recebido, o Timbu poderia pagar o que deve. Mas o desgaste acumulado nas tratativas com Olivera terminou fazendo os dirigentes conversarem diretamente com o lateral na hora de negociar sua renovação. Foi essa a gota d'água para o empresário.
"Fui a pessoa que trouxe ele para cá por uma troca de favores. Mas o Náutico é tão desorganizado que nunca me deu nem um documento de direitos econômicos. Nunca cumpriu nada do que acordou comigo, liguei milhares de vezes e nunca me pagaram. E ainda ficaram magoados quando acusei o clube na Fifa. Lamento ter exposto o clube dessa forma, mas a torcida precisa saber o que acontece nas entranhas do clube. Isso é uma coisa muito grave", pontuou.
Presidente tranquilo
Enfaticamente, o presidente alvirrubro, Glauber Vasconcelos, rechaçou as acusações de Gareppe, apesar de reconhecer a existência da dívida. "Esse assunto tira zero minuto do meu sono. Temos a consciência plena de que demos o melhor pelo Náutico. Na minha história, não tem nada que seja associado a falsificação de nada", se defendeu.
Glauber sugeriu ainda que a história teria aparecido por conta do contexto eleitoral que domina o clube. "Coincidentemente, a três dias da eleição, fala ele e depois fala um conselheiro que resolve expor o clube ao invés de procurar saber as informações. São as coincidências que acontecem no clube", ironizou.
Sobre o mérito da acusação, o presidente alvirrubro se justificou afirmando que o acordo assinado em janeiro de 2014 dava por resolvidas as pendências acumuladas até então. "Se existe um contrato quitando, qual a necessidade de falsificar qualquer documento que comprova o contrato? Eu sinceramente não consigo ver. Quando ouvi, liguei para nossos advogados na Fifa, e eles estão entrando com um pedido de perícia. São documentos que foram assinados na presença de diversos funcionários e diretores de futebol, não tem problema nenhum. É só ter um pouquinho de inteligência para entender".
Tréplica
Sobre essa quitação assinada entre as partes, Miguel Gareppe garante que o acordo era nulo em função do calote do que havia sido combinado. "Nesse contrato, diz que as partes acordavam que, mediante essa troca de documentos, a dívida anterior migrava para o novo contrato. Acabamos fechando por um valor bem abaixo e, nesse documento, dizia que o não pagamento de duas parcelas tornaria nulo o acordo. Eu não esperei vencer duas, esperei vencer catorze. O que ele queria mais?", questionou.
Diario de Pernambuco

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