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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SANTA CRUZ - O ESTAGIÁRIO

Viciado em futebol, Tininho é vencedor no Santa e provocador: "Continuo sendo o estagiário"

"Na minha diversão, estou vendo jogo da série A3 de São Paulo, da segunda divisão de Goiás, por exemplo", conta


Responsável direto pelo sucesso do clube coral, Constantino Júnior comenta trajetória no clube que vai do amor herdado pelo pai a títulos e acessos no Brasileiro


O celular do vice-presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, não fica muito tempo sem tocar. Quando ele não está com o aparelho no ouvido, mensagens não param de chegar. Contatos que estão, na maioria das vezes, relacionados ao clube. Além do trato com a imprensa, ele diariamente conversas com empresários, outros dirigentes e jogadores. Tudo para conseguir montar o time para 2016 e levar o Tricolor a mais uma temporada vitoriosa. Com sangue coral nas veias e uma paixão pelo Santa incontestável, Tininho - como ficou conhecido - é peça-chave nos trabalhos de bastidor do Santa.

Foi assim nos últimos anos, quando ganhou quatro estaduais, uma Série C e três acessos, tirando a equipe dos do porão do futebol nacional e levando-a à elite. Chamado de “estagiário”, em 2012, pelo até então presidente do rival Sport, Gustavo Dubeux, Constantino está longe de ser um aprendiz. Mas faz questão de ressaltar que está sempre em processo de aprendizado). Economista de formação e com incessante gosto pelo futebol, pode até chegar à presidência do Santa Cruz num futuro próximo, com pretende e revela nesta entrevista ao Superesportes.
Como e quando começou a sua ligação com o Santa Cruz?
Foi uma paixão que veio do meu pai, Constantino Barbosa. Meu pai foi também diretor e colaborador de algumas gestões do Santa no fim da década de 1970 e começo da de 1980. Ele sempre me levou ao Arruda. Desde muito novo, com três ou quatro anos, eu frequentava o estádio e isso já chamava atenção de outras lideranças. Era uma coisa fascinante estar nessa atmosfera de bastidores. O fato de ter perdido o meu pai muito cedo, quando tinha 17 anos, me deu uma motivação maior em ajudar o clube.
Quando você olha lá atrás, imaginava-se como vice-presidente do Santa Cruz?
Não esperava chegar à uma vice-presidência. Só tinha o encanto de fazer alguma coisa pelo Santa Cruz. Nunca almejei cargo. Queria a chance de fazer algo positivo pelo clube, mesmo que fosse uma parcela mínima de contribuição.
Qual foi o segredo para a montagem de elencos vitoriosos neste últimos anos?
É contato. E eu amo futebol. Então, na minha diversão, estou vendo jogo da série A3 de São Paulo, da segunda divisão de Goiás, por exemplo. Na minha casa, acho que até na cozinha tem aparelho que grava jogo. Saio vendo tudo depois. A patroa que não fica muito feliz (risos). Minha mulher fica um pouco chateada, mas entende (mais risos).
Você faz questão de manter uma boa relação com os atletas. Isso ajuda para superar as dificuldades financeiras que o clube possui?
Tem coisas que não são só dinheiro. Fundamentalmente, temos que deixar os jogadores à vontade porque isso também aumenta a chance de acerto. Ninguém vai chegar no vestiário dando murro e vai ser respeitado por isso. Você vai ser respeitado por ser um cara que honra a sua palavra, que sabe ser amigo na hora de ser amigo, mas que sabe cobrar na hora de cobrar.
Você esteve nos piores momentos da história do clube. Pensou em desistir?
Passei alguns momentos difíceis. Via tanta conta do clube para pagar, tanta demanda, questões políticas envolvidas também, além de ter, muitas vezes, que abdicar da minha família, de festas, de aniversários de mãe, de esposa, de filhos, de casamento... Mas sabia que existia um bem maior ali que a gente jamais pode desistir, que é o Santa Cruz. Situações para desistir existiram muitas, claro. Mas, por acreditar em um projeto, sempre tive forças para seguir e fazer as coisas acontecerem.
Depois de gestão de Alírio Moraes, que vai durar mais dois anos, tem planos de assumir a presidência do Santa Cruz?
Como meta pessoal, não. Se for natural, para o bem do Santa, vou estar preparado. Não quero que seja uma imposição minha. Jamais vou me lançar ao cargo. Se as lideranças entenderem que o meu nome é o mais adequado, eu, certamente, toparei o desafio e darei o meu máximo para continuar soerguendo o Santa Cruz.
Mas já se prepara de alguma forma para ocupar este cargo?
O tempo foi me preparando. Futebol é muito dinâmico e ninguém pode nunca achar que sabe tudo. Faço cursos da Abex (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol) e alguns de gestão. Neste ano, devo fazer cursos curtos fora do país, na Suíça e em Portugal. Tudo em prol do Santa, mas continuo sendo o estagiário do futebol.
O início como dirigente
Constantino Júnior iniciou a carreira de dirigente do Santa Cruz em 2008, na gestão de Édson Nogueira. Chegou com o time na Série C. Saiu no fim do ano porque “o projeto deu errado”. Retornou em 2011, já na gestão de Antônio Luiz Neto, porque “queria mostrar serviço”, provar que tinha capacidade de ajudar o Santa Cruz. Foi bem na segunda passagem. Tanto que chegou a ser cogitado como sucessor de Antônio Luiz Neto, mas Alírio Moraes acabou sendo o escolhido, ficando como vice-presidente.


Diario de Pernambuco

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