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segunda-feira, 11 de julho de 2016

COM A PALAVRA O IMORTAL

Romeu Baptista, uma ponte para o infinito


Parafraseando Marx, diria que as pessoas fazem o seu destino, não como querem, mas de acordo com as circunstâncias do seu tempo e com suas condições sociais e pessoais.
Foi a partir dessas circunstâncias que Romeu Batista, o amparo fiel para todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo construiu os caminhos da sua peculiar existência.
Romeu nasceu para fazer amigos e unir pessoas. Se fosse uma obra, certamente seria ponte. Fenômeno natural, seria um arco-íris embelezando o firmamento de cada um e tornando o existir um desafio mais ameno.
Se fosse operação matemática, seria na verdade duas: soma e multiplicação. Somava afetos com a naturalidade com que os cajus brotam dos pés, no tempo da safra. E multiplicava-se para estar presente na maior quantidade de lugares, quase ao mesmo tempo. Se alguém esteve perto de exercitar o dom da ubiquidade, foi Romeu Batista.
Os amigos brincavam muitas vezes, dizendo que ele almoçava pelo menos 4 vezes por dia, tamanha era a quantidade de pessoas que compartilhavam com ele o pão de cada dia.
Não discriminava pessoas por nenhum critério. Tinha amigos da extrema direita à extrema esquerda, respeitando todas as ideias sem se contrapor nem classificar ninguém por isso.
Exerceu importantes papéis na iniciativa privada e altos cargos públicos, nas esferas nacional e estadual. Nunca estufou o peito ou levantou o nariz por isso.
Era tão tranquilo no planalto como na planície. É tão amigo dos poderosos como dos defenestrados do poder. Se na porta de algum amigo caído em desgraça crescia capim, Romeu estava ali para abrir uma trilha.
Morre Romeu exatamente do que tinha de maior e mais precioso: um coração do tamanho do sentimento do mundo, que ele externava com duas mãos e com a palavra suave como uma brisa de verão.
Para os que com ele conviviam, o mundo não acabou, mas certamente fechou um ciclo. A partir de agora, é mundo DRB - depois de Romeu Batista. E os sobreviventes vão sofrer a sua ausência insubstituível mas terão o exemplo, as lembranças, os ensinamentos de Romeu para viverem com generosidade e grandeza, prosseguindo sua tarefa mansa e incansável de fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Por José Nivaldo Junior
*Publicitário e membro da Academia Pernambucana de Letras

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