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domingo, 14 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS 2016 - NÃO DEU PARA A PERNAMBUCANA

Etiene Medeiros fica em 8º lugar na final dos 50m

A pernambucana Etiene Medeiros foi a única mulher da natação brasileira a competir em uma final

Pernambucana obteve a marca de 24s69 nos 50m livres, sua primeira final olímpica


Como se mede felicidade? Pela largura do sorriso, pelos saltos de alegria ou pela altura da gargalhada? Felicidade é o tipo de sentimento que só quem sente é capaz de saber sua intensidade. Por isso, esse texto por ter mais de mil palavras e não vai conseguir traduzir o quanto a pernambucana Etiene Medeiros estava feliz ao deixar a piscina do estádio Aquático Olímpico, ontem à noite. Disputar a primeira final olímpica foi mais que um sonho realizado. Foi a recompensa por um trabalho duro, diário, massacrante. O oitavo lugar, com 24s69, foi um detalhe, diante de uma longa história.
Etiene venceu. A pecha de preguiçosa. A fama de nadadora de piscina curta que, quem diria, seria colocada como algo depreciativo, mesmo diante de resultados históricos, como a conquista da primeira medalha da natação feminina do Brasil em mundiais, com direito a ouro e recorde mundial. A pressão de ter que enfrentar, às vésperas da sua primeira Olimpíada, o choque de um exame antidoping positivo, sabendo que era inocente. Impossível deixar tudo isso simplesmente para trás. Estava tudo ali na cabeça dela, mas guardado num lugar bem seguro. 
Desde a primeira prova que disputou nesta Olimpíada do Rio, Etiene falou sobre o peso que vinha carregando. Chegar aos Jogos como o principal nome da natação feminina brasileira, tão carente de resultados, só se configurou numa pressão extra. Alheia à sua vontade, foi lhe colocada a responsabilidade de encabeçar uma renovação no esporte dentro do Brasil. A grande esperança não de medalha, mas de perspectivas. 
Mas tudo o que Etiene faz é nadar. E o que acontece depois disso é consequência. Por isso, foi preciso cair na piscina para começar a tirar todo esse peso das costas. Se o resultado da primeira prova, os 100m costas, foi frustrante, o que veio a seguir foi uma escalada. A semifinal nos 100m livre foi um degrau e o ponto alto da caminhada foram os 50m livre. Foi uma volta ao passado, um redescobrimento. As provas de velocidade, que marcaram as primeiras braçadas a sério na natação, ainda no Recife, foram a sua redenção no Rio. 
A prova
Posicionada na raia 1, Etiene foi a primeira a entrar na piscina. O público reagiu em apoio. Ela, concentrada ao extremo, seguiu seu ritual. Tirou o tênis e depois a roupa. Ajeitou o bloco de partida. Se molhou, alongou. Em pé, ao lado do seu lugar na largada, quis o destino que ela ficasse de frente para a sua família. Não teve muito tempo para olhar. O sinal soou, ela se posicionou. Saltou.
O momento mais importante da vida de Etiene durou 24s69. Seu tempo foi um pouco pior que na semifinal (24s45), o que não foi, nem de longe, capaz de estragar sua festa, inicialmente, contida na piscina. Depois, mais eufórica na entrevista pós-prova. “Realmente, foi a volta por cima”, disse a pernambucana. “É um momento único para mim. Entrei naquela raia sonhando, vendo aquele Xuxa surpreendente na raia 1, pegando uma medalha. A gente sempre tem que acreditar”, completou, lembrando da medalha de bronze de Fernando Scherer, na Olimpíada de Atlanta-1996.


Diario de Pernambuco

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