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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

OPERAÇÃO LAVA JATO - NÃO VI E NÃO SEI DE NADA

SUPOSTO OPERADOR DE PROPINAS DE CUNHA NEGA DELAÇÃO: 'NÃO TENHO CULPA'
FUNARO É SUSPEITO DE ACHACAR GRANDES EMPRESAS PARA LIBERAR INVESTIMENTOS DA CAIXA, EXERCENDO A FUNÇÃO DE OPERADOR DE PROPINAS DE EDUARDO CUNHA (FOTO: LULA MARQUES/AG. PT)

LÚCIO BOLONHA FUNARO TEVE PEDIDO DE SOLTURA NEGADO NESTA QUINTA

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, decidiu manter a prisão do lobista e operador do mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro. Em audiência de custódia, realizada na manhã desta quinta-feira, 10, o magistrado entendeu que permanecem os fundamentos para manter o réu na cadeia. Ao sair da sessão, ele afirmou que não pretende fazer acordo para confessar eventuais crimes praticados por ele ou por terceiros: "Não cogito fazer delação porque não tenho culpa".
Funaro foi preso preventivamente em 1º de julho, na Operação Sépsis, etapa da Operação Lava Jato. Ele é suspeito de achacar grandes empresas para liberar investimentos da Caixa, exercendo a função de operador de propinas do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente encarcerado em Curitiba. Ambos são réus por corrupção e lavagem de dinheiro em ação penal, que também tramita no Distrito Federal. 
Durante a sessão, Funaro argumentou que sempre esteve disposto a colaborar com as investigações, tanto que firmou acordo de colaboração premiada no mensalão e, agora, na Lava Jato, pela qual entregou documentos que supostamente incriminam a família Schahin no esquema do petrolão. 
Defesa. Funaro se dispôs, caso seja solto, a se afastar de suas empresas e a se manter em Brasília, para ficar mais próximo do juízo. Ele reclamou que não tem acesso a documentos para instruir sua defesa. Além disso, seus advogados ressaltaram que, preso, o lobista não tem contato com a filha recém-nascida e não pode manter o tratamento de saúde da mãe. Foi requerido que o juiz decretasse medidas alternativas ao regime fechado, como a prisão domiciliar.
O Ministério Público Federal alegou que está "fartamente demonstrado" que o réu ainda representa rico à ordem pública e pode continuar cometendo atos ilícitos caso seja solto. Também lembrou que Funaro teria ameaçado testemunhas do caso, inclusive de morte, e que ele pode atrapalhar a ordem econômica das investigações, em decorrência das milionárias movimentações financeiras suspeitas que já realizou. 
"Em função da multiplicidade de atividades que exerce o custodiado, não me sinto seguro de converter a prisão em domiciliar", afirmou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, que reiterou que pode revogar a decisão ou dar a sentença do processo após avaliar a defesa prévia do réu nas próximas semanas.
Segundo os advogados de Funaro, serão estudadas novas estratégias de defesa. Questionados sobre uma possível delação, responderam que o réu sempre colaborou com a Justiça. 

(AE)

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