Decepção e choro: recifenses assistem, incrédulos, à derrota do Brasil para Bélgica
No Cais da Alfândega, uma multidão acompanhava a partida decisiva das quartas de final
Uma tristeza tomou o lugar da euforia e esperança que há semanas vinha colorindo as ruas do Recife Antigo de verde e amarelo
Todo o sentimento de alegria do brasileiro com a Copa do Mundo desapareceu após a partida do Brasil contra Bélgica, nesta sexta-feira (6), em Kazan. No Recife Antigo, milhares de torcedores se reuniram para ver a vitória de Seleção, mas uma tristeza tomou o lugar da euforia e esperança que há semanas vinha colorindo a região de verde e amarelo. Os diabos vermelhos mandaram os canarinhos embora do torneio e acabaram com o sonho do hexacampeonato.
Na Arena localizada no Cais da Alfândega, uma multidão acompanhava a partida decisiva das quartas de final. Torcedores que todos os jogos marcavam presença, estavam lá mais uma vez, empolgados com uma possível chegada do Brasil à semi-final. Entre eles, Natalício Nazário, 48, que veio fantasiado de soldado do exército, junto com seu fiel escudeiro, o Michael Jackson do Recife.
“Hoje eu vim com essa roupa para salvar a pátria da gente”, conta o pintor de paredes, que no último jogo, contra o México, estava vestido com uma roupa “em homenagem ao hexa” com as cores da bandeira brasileira. Mas não adiantou. A única coisa que Natalício conseguiu salvar foi “a vida” do seu protegido, Michael. Após o segundo gol da Bélgica, ainda no primeiro tempo, o cover do cantor pop se jogou no chão e foi preciso uma “massagem cardíaca" para levantá-lo. Claro que tudo não passou de uma brincadeira, mas os nervos estavam, realmente, à flor da pele.
Teve gente que acendeu vela, charuto e trouxe folha de arruda para espantar o mau olhado dos belgas. Houve, também, quem trouxe imagem de Nossa Senhora, “mãe de todos”, para proteger os jogadores da Seleção. No início do segundo tempo, parece que a fé ajudou os brasileiros em campo. Depois de muita insistência, quando tudo parecia perdido, veio o primeiro gol. Aos 31 minutos, Renato Augusto marcou de cabeça para dentro da trave.
A esperança foi novamente vista no coro de milhares de recifenses, que, mesmo de longe, tentavam estimular a Seleção a ir em busca do empate e, assim, conseguir ir à prorrogação. Inúmeras chances de gol, mas nenhuma vez a bola balançou a rede. De novo a tristeza foi tomando conta do olhar dos torcedores.
“Vou para casa”, conta Rosilene Soares, 47. A auxiliar de serviços gerais trouxe um cartaz escrito “O Brasil que eu quero é o Brasil do Hexa” e ficou tão decepcionada com a atuação da equipe de Tite, que não quis ficar para ver o show do cantor Xande de Pilares, que aconteceu após a partida. “Não vou mais acompanhar a Copa. Para mim, acabou”, completa ela.
O pintor Eduardo Correia, 43, acendeu vela para São Sebastião na partida contra o México e esperava o mesmo resultado neste jogo, contra a Bélgica. “Os anjos conspiraram contra nós”, explica ele, tentando arrumar uma justificativa para a atuação dos brasileiros em campo. “Faltou um pouco mais de garra. Sensação de dever quase cumprido”, racionaliza, ainda sem acreditar que o Brasil morreu na quartas de final, derrotado por uma seleção sem a mesma tradição e grandeza que a sua.
Movimento no Recife Antigo
Os torcedores que não conseguiram entrar na Arena Nº 1, ocuparam os arredores do Cais da Alfândega, como vinha acontecendo durante todos os jogos do Brasil. O telão colocado pela Prefeitura do Recife também concentrou muitas pessoas no boulevard da Avenida Rio Branco. Ainda assim, as demais vias, como a Marquês de Olinda e a Rua da Moeda ficaram lotadas, atraindo muitos vendedores ambulantes e causando tumultos.
Wilson Santos, dono de um fiteiro na Avenida Marquês de Olinda, lamentou a derrota da Seleção. “O Brasil tinha tudo para chegar lá. Se tivesse mais dois jogos tinha sido muito bom para mim”, comenta ele, que acredita que o movimento no bairro do Recife, atraído pelos jogos, lhe ajudariam economicamente falando. “Mas por um lado foi bom, pois está dando muita confusão, fala em referência à festa dos recifenses na frente do seu pequeno comércio.
Diario de Pernambuco

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