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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

MAIS MÉDICOS

Editais e alunos do Fies são alternativas aos cubanos do Mais Médicos

Programa Mais MédicosFoto: Karina Zambrana/ASCOM/MS


O lançamento do edital para contratação de médicos já estava em estudo nos últimos meses e ganhou força após o governo de Cuba anunciar o fim da parceria.

Ministério da Saúde anunciou ontem que vai lançar um edital nos próximos dias para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos que integram o programa Mais Médicos. O ministério também estuda propor à equipe de transição do futuro governo Bolsonaro a participação no projeto de alunos recém-formados que fazem parte do Fies (Programa de Financiamento Estudantil).

O lançamento do edital já estava em estudo nos últimos meses e ganhou força após o governo de Cuba anunciar o fim da parceria. “Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil, seguida de brasileiros formados no exterior”, diz a nota encaminhada à imprensa na tarde de ontem. Segundo o ministério, 8.332 vagas são ocupadas por profissionais cubanos. “O governo federal está adotando todas as medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba”, diz o comunicado.

A outra possibilidade é propor que alunos recém-formados em medicina em faculdades particulares e que estejam no Fies possam atuar em cidades que hoje têm vagas ocupadas por médicos de Cuba - e, também, maior dificuldade em contratar profissionais brasileiros. A oferta, assim, valeria especialmente para municípios mais distantes das capitais e da zona rural, para unidades na periferia das grandes cidades e DSEIs (distritos sanitários indígenas). Em troca, o aluno recém-formado poderia abater parte da dívida. “As ações poderão ser adotadas conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo”, informou a pasta, em nota. De acordo com o ministério, a proposta valerá caso as vagas abertas com a saída dos profissionais cubanos não sejam preenchidas.


Risco ao Nordeste 


O presidente do Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde), Mauro Junqueira, disse que, com a troca de governo, a ruptura com Cuba já era esperada - mas não de forma antecipada como ocorreu. Segundo ele, caso não haja rapidez na adoção de medidas para reposição das vagas, há risco de desassistência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior número de médicos cubanos.

“A ruptura é inevitável, mas precisa ter prazos. Não estamos tratando de mercadoria, estamos tratando de vidas. Cada médico fica em equipe que atende uma média de 3.400 pessoas. Se pegar 8.500 médicos, são 24 milhões de brasileiros. Não dá para retirar de um dia para o outro”, afirma.

“Temos 1.600 vagas do programa abertas há algum tempo, e agora a possibilidade de sair mais de 8.000. É possível fazer uma reposição com brasileiros? É. Mas precisa de tempo”, diz Junqueira, que lembra que os últimos três editais abertos no programa tiveram vagas preenchidas apenas com brasileiros.

governador reeleito do Piauí, Wellington Dias (PT), também afirmou que o Nordeste será prejudicado com a retirada dos médicos cubanos do país. Ele disse que o atendimento à população no seu estado será afetado e defendeu a permanência dos profissionais até que haja profissionais brasileiros capazes de atender à demanda. Em nota, o governo cubano afirma que, desde a implantação do programa, 20 mil profissionais atenderam a mais de 113 milhões de brasileiros, em 3.600 municípios. O Ministério de Saúde de Cuba lista a atuação de seus médicos em países da América Latina e da África.

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