'Equivocada e isolada', diz Dallagnol sobre decisão de Marco Aurélio
Procurador da República Deltan DallagnolFoto: Record News/Reprodução
Procurador ainda reiterou a confiança da força-tarefa no Supremo Tribunal Federal
"Afeta não só réus da Lava Jato, mas as delações premiadas e a própria existência da Lava Jato. Colarinho branco sem prisão em segunda instância é garantia de impunidade", afirmou. Seguindo ele, nesta situação, não haverá mais incentivos para que os investigados optem pela colaboração premiada. Dallagnol avaliou ainda que a decisão de Marco Aurélio afeta até as prisões preventivas, já que elas não podem durar muito e não teriam como ser substituídas por prisões em segunda instância.
O procurador da República Deltan Dallagnol declarou, ainda, que a liminar é "equivocada e isolada de um ministro do STF" e reiterou a confiança da força-tarefa no tribunal. Ele ainda disse que espera que a decisão seja revertida. "Na prática, essa decisão coloca em risco todas as prisões em segunda instância", acrescentou.
O procurador defendeu que o Supremo reverta o entendimento de Marco Aurélio em nome da estabilidade e da segurança jurídica. "A decisão isolada do ministro subverte o princípio da precedência e da colegialidade", afirmou. Os procuradores afirmaram que, nos últimos dois anos, o STF já decidiu quatro vezes, em plenário, ao examinar recursos específicos, que a prisão em segunda instância é válida.
"Não é razoável que, no último dia de trabalho, na véspera do recesso forense, se tome, sem fato novo, uma decisão como essa. Num momento em que o plenário [do STF] não pode mais se manifestar, quem vai decidir sobre todos que podem ser soltos?, questionou o procurador Roberson Pozzobon. O procurador estimou em cerca de 200 mil o número de possíveis apenados que podem ser beneficiados pela liminar do ministro do Supremo.
Os integrantes da Lava Jato defendem que a liminar seja suspensa e que se mantenha ao calendário, já divulgado pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, de examinar a prisão em segunda instância em abril próximo. "Precisamos de uma Justiça que funcione. Com estabilidade e previsibilidade para o o mercado e para as investigações. Temos confiança de que o STF vai reverter essa decisão equivocada. O tribunal já emitiu várias decisões que permitiram as investigações da Lava Jato", lembrou Deltan Dallagnol.
FolhaPE

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